Por , 27 de setembro de 2001 19:13
E chega à s bancas a Power Comics n° 3, revista de paródias da Kingdom Comics, agora em formatinho e … e … E clique em Ler Mais para ver até onde chega …
   Bom, a Power Comics n°3 que esta nas bancas
é antes de mais nada uma prova … uma prova de muitas coisas …
   Primeiro, é a prova de que não há nenhuma
vontade de inovar por parte de algumas pessoas que desejam se tornar artistas de
quadrinhos. Tudo o que esta nas 32 páginas dessa revista já foi visto em algum
lugar. Mais especificamente, nas páginas da ancestral Hyper Comics. Mas, só
para provar que uma fórmula quase nunca funciona longe de quem a cria, tudo o
que esta ali apenas PARECE com a Hyper Comics. Temos trocadilhos com nomes, mas
eles são forçados, e não conseguem arrancar nenhuma risada. Temos aquelas
clássicas apelações em decotes e shortinhos, mas tudo plenamente gratuito e
sem graça. Temos muito non-sense, mas isso é feito sem o mÃnimo senso de
oportunidade. Temos, personagens famosos de animê em situações inusitadas,
mas completamente deslocados do Tempo e do Espaço. Alguém ai se lembra do
“No Limite”? E do “No Tempo dos Dinossauros”? Ok, a
história dessa revista foi feita a muito tempo e com certeza estava pronta
desde o século passado, e os autores não têm culpa se a editora fica
ensebando para mandar a história para gráfica. Não é bem verdade. No
máximo, essa culpa pode ser dividida.
   A questão é a seguinte … Você só vai
entender o porquê da minha pergunta de se alguém ai lembra de noÂ
“No Limite” e “No Tempo dos Dinossauros” se ler a Power
Comic n°3, e as “piadas” envolvendo esses programas de TV só
poderão ser entendidas se você tiver visto ambos. A quantidade de tempo entre
o momento em que se prepara uma história e ela aparece nas bancas é grande, e
qualquer um que já tenha publicado alguma coisa ( caso dos autores, que já
publicaram pela própria Kingdom Comics e pela Trama ), já sabe disso. Acontece
que a impressão que se têm é de que os autores não dão a mÃnima para o
fato de que os leitores menos atentos ou que não façam a imediata associação
entre as piadas e os programas que as geraram não vão se divertir com a piada,
coisa que eles queriam fazer quando gastaram os R$ 1,90 com a revista na banca.
E da onde vem essa impressão? A) Muitos fãs de mangá e animê mais recentes
não sabem muita coisa sobre Yu-Yu Hakushô, uma série cujo cadáver vem
nutrindo muita gente, e que é mais uma vez profanado pelos autores da revista
e, B) Quantos fãs de mangá e animê tem contato com Spawn e Gen 13? Se a
intenção era tentar atrair tanto fãs de mangá quanto de comics, o que se
conseguiu foi um lindo e glorioso tiro n’água. Fãs de comics podem até rir (
embora eu duvide muito ) do Spawn chorando por toda a história, mas não vão
identificar, com certeza absoluta, nem metade do elenco “mangático”
da revista. E os fãs de mangá além de verem situações com as quais eles já
estão acostumados ( como Aeka e Ryoko de Tenchi Muyo brigando pelo seu amado )
vão ficar se perguntando quem diabos são aqueles personagens estranhos.
   É … essa revista é uma prova de que mesmo
para se fazer graça é preciso competência. Também é a prova de que as vezes
todo o rigor que se dispensa ao peneirar novatos para o mercado de quadrinhos é
pouco. É a prova de que as editoras preferem lançar material de segunda com
personagens conhecidos, do que correr atrás de um licenciamento para um
material de primeira com personagens conhecidos, ou tentar investir no
desenvolvimento de personagens nacionais para termos material de primeira
produzido por aqui.
   E, o que é mais gozado, essa revista é a
prova definitiva de que algo não vai bem por aqui. E, depois de desastres como
essa Power Comics N°3, os editores ainda reclamam que ninguém prestigia
material nacional … Só pode ser uma piada, e como já foi mais do que
provado, muito ruim.
Â
Marcus Winicius, In the End, It doesn’t even matter …