A Princesa e o Cavaleiro 2. Olhe mais de perto.

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Por , 23 de outubro de 2002 20:19

Que Osamu Tezuka é tudo aquilo que se diz, e mais um pouco
que você só percebe quando lê sua obra, é algo que não tem como ser questionado.
Que “A Princesa e o Cavaleiro” é uma obra obrigatória na coleção de qualquer fã
de mangá, também é ponto pacífico. Isso para não falar das lembranças que esse
quadrinho provoca em quem já se encaminha para os trinta anos ou passou dessa
idade há algum tempo. Assim, não é possível tecer outra coisa à essa série que
não sejam elogios, não só por tudo isso, mas por um fato que deveria ser levado
em conta pela JBC ao lançar algo tão importante e vital no Brasil quanto uma
obra de Ossamu Tezuka. Estamos lendo um mangá de mais de quarenta anos, e,
muitos, vão ler esse mangá com os olhos de hoje …

Considerações sobre tempo, sem falar nada sobre espaço
porque astrofísica é muito mais chato do que história, clicando em Ler Mais.

Certa vez li um relato de uma expedição de um grande
navegador ao continente africano, Cabral, se não me engano, onde é narrado o
encontro de sua tripulação com um homem peludo e bestial, que pouco mais fazia
do que grunhir. O tal “homem bestial” é trazido ao barco, e o relato prossegue
detalhando como a tripulação se diverte torturando a criatura, se divertindo
quando em determinado momento o próprio capitão confessa que é muito engraçado
ver a criatura chegar tentar a um pouco de alimento colocado a alguns passos,
com as pernas quebradas e uma mão decepada.

É difícil, para nós, quantificar exatamente o quanto de
crueldade há em um momento como esse. Os marinheiros não possuem, em nenhum
momento, a percepção ou consciência de que estão praticando suas atrocidades em
um Gorila. Para eles, é “um homem bestial”, não um animal qualquer. Ou seja, o
que já seria monstruoso de se fazer com um animal, fica ainda mais absurdo
quando se pensa que eles fariam o mesmo com um homem que não falasse a mesma
lingua que eles, e, portanto, só grunhisse, e tivesse um aspecto ou atitudes que
eles julgassem bestiais.

Em momentoso como esse, a frieza científica tem de se fazer
presente, para que possamos entender que aqueles homens dentro do barco, não
eram monstros. Eles eram representantes típicos do pensamento e dos modos de uma
era, de uma sociedade, de um momento histórico. Hoje, metade do que é descrito
naquele relato dá nojo, atos que praticados hoje seriam a pior e mais execrável
barbárie, algo a ser punido severamente. Hoje. Há quinhentos anos, foi um fato
que o Capitão do barco anotou em seu diário de bordo sem constrangimentos.

E assim foi nos últimos quinhentos anos. Nós podíamos ficar
discutindo sobre tudo que a humanidade fez de torpe e vil nesse tempo durante
páginas e páginas, e de como dentro do momento histórico em que ocorreram, eles
foram atos perfeitamente naturais e socialmente aceitáveis. Mas esse não é o
objetivo desse texto. O objetivo é tentar fazer com que fique claro uma coisa.
Lançar uma obra como “A Princesa e o Cavaleiro” em bancas é exigir do grande
público uma consciência que ele não é obrigado a ter.

Pegue e tente, por um só momento, ler essa segundo edição
das aventuras de Safíri, onde sua coração como rei da Terra de Prata é sabotada
pelo duque Duralumínio e Sir Nylon, esquecendo que quem esta escrevendo e
desenhando é Osamu Tezuka. Não estranhe se as piadas e situações parecerem
ingênuas, ou se uma ou outra desventura ou atitude dos personagens parecer
ridícula e caricata demais. É com esse olhar que muitas pessoas vão ler o mangá,
e não é possível culpá-las. Para toda uma geração que toma contato com o mangá e
animê hoje, mangá e animê não é Tezuka, mas sim Toryama, Watsuki, Katsura, e nem
por isso essa geração é composta por bestas ignorantes ou fãs “piores” do que
você que sabe tudo que esta por trás de “A Princesa e o Cavaleiro”.

A JBC não deveria, de maneira alguma, lançar simplesmente
um material como esse nas bancas e esperar que ele venda sem esforço algum.
Claro que o talento e competência de Tezuka, são fenomenais. Claro que é
impressionante a poesia e o lirismo que ele coloca em suas história, dezenas de
anos luz à frente de muitas obras recentes. Mas essa é a minha visão. Pode ser a
sua, mas não se pode obrigar que alguém que nunca ouviu falar de Osamu Tezuka (
e isso existe, acredite ) tenha a mesma visão do que nós.

A JBC talvez devesse ter editado essa obra essencial em
formato livro, com uma distribuição mais restrita, onde poderiam se colocar mais
informações sobre a obra e o momento em que ela foi concebida. Mais do que
matérias como a que esta no final das páginas dessa edição da revista, sobre o
museu em homenagem a Osamu Tezuka, deveríamos ter matérias explicativas sobre
vida e obra deste autor genial que praticamente criou o mangá como o conhecemos.
Deveriam dar, a qualquer um que pegasse essa revista nas bancas, os olhos
corretos, para poder apreciar adequadamente cada página dessa história tão
importante para o mundo dos quadrinhos.

Marcus Winicius, if you look in the eye,
it can make you back in time

Vagabond 11. Vítima da própria lingua.

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Por , 21 de outubro de 2002 18:25

Um amigo meu conseguiu recentemente comprar os dois volumes
de “Musashi”, a obra que inspirou Vagabond. Volta e meia, ele me fala do livro e
de como ele é viciante. Difícil acreditar que eles contem basicamente a mesma
história e possuem os mesmos elementos e personagens.

Mas, é mais uma questão de se analisar a situação, do que
de acreditar nela. Vagabond é um mangá. Musahi é um livro, e, quando se conta a
mesma história, isso faz toda a diferença do mundo.

A resenha continua clicando em Ler Mais. E é só isso que
continua para o autor dela.

Quando escreveu “O Senhor dos Anéis” Tolkien escreveu um
livro, não um roteiro para desenho animado, ou para um filme campeão de
bilheteria. Essas versões diferentes da mesma história surgiram com o tempo, e,
graças a Deus, possuem diferenças entre si. É impossível transplantar fielmente
uma obra planejada para um meio de comunicação para outro diferente sem
alterá-la de alguma maneira, adequando-a à linguagem e ao formato do novo meio
de comunicação. Em outras palavras, o que se pode fazer em um livro, através de
figuras de linguagem ou de outros recursos da escrita, nem sempre pode ser
traduzidos por cores de cenário, efeitos de iluminação ou qualquer outro recurso
que o cinema possa criar ou apresentar, e vice e versa.

Quanto a Vagabond, ele não me agradou de imediato, teve
bons momentos, mas não consegue me empolgar mais. Talvez seja por que estou
lendo uma terceira de terceira mão, inspirada na biografia romanceada de um
personagem real. Talvez, seja por que Takehiko Inoue não acertou ao introduzir a
linguagem de mangá na história de Musashi, o que faz com que volta e meia as
atitudes e reações dos personagens fiquem muito mais parecidos com a fantasia do
que com a realidade do homem que inspira o livro e o mangá. Ou, talvez, seja
algo além disso.

O fato é que nessa edição, onde se revela de maneira um
tanto decepcionante a conclusão do duelo de Inshun e Musashi, e este passa a
treinar com um novo mestre, decido parar de comprar a revista. Cara, vendida
como um produto para adultos quando ainda carrega muito do mangá juvenil,
Vagabond é uma revista que não apresenta mais, para mim, uma relação
custo-benefício que realmente compense. Mais mangás estão chegando por ai, e, de
mais a mais, daqui a um mês, mês e meio, terei acesso, através do amigo que já
citei, ao livro Musashi e às suas mais de 1.800 páginas. Sem dúvida que a
história, romanceada ou não, do maior espadachim do Japão ainda me interessa. Só
penso que a melhor forma de contar essa história não é a apresentada em Vagabond.
Talvez culpa da linguagem do mangá, talvez não.

Marcus Winicius, as peças estão todas soltas, e nada mais
encaixa

One Piece #8

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Por , 18 de outubro de 2002 14:17

Nessa edição, os piratas continuam tentando invadir a ilha, e com Usopp machucado e Ruffy dormindo, cabe a Zoro tentar deter os piratas. Mas será ele capaz de enfrentar os Nyaban Brothers? E como fica quando Kaya descobrir toda a verdade sobre o Capitão Kuro?

A história, sempre envolvente, consegue prender e emocionar o leitor, enquanto ele tenta descobrir qual será o próximo inimigo estranho a aparecer, ou como tal personagem irá reagir para poder enfrentar o inimigo. Eichiro Oda continua criando uma ótima história para os fãs de luta, e, junto de uma arte bela e estilizada, One Piece é uma boa pedida para todos os leitores.

Recomendado.

Dr. Slump #5

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Por , 18 de outubro de 2002 14:08

Uma edição um pouco mais morna, sem o mesmo humor disparado das edições anteriores. Akira Toriyama continua mostrando ser dono de um ótimo dom para situações escrachadas e estranhas, e nos faz pensar em como seria Dragon Ball Z se ele tivesse seguido a mesma linha de humor de Dr. Slump ou do começo de Dragon Ball.

Nesta edição, entre outras loucuras, Arale encontra uma estranha garotinha, Alienigenas malucos resolvem invadir a Terra, e o Dr. descobre uma maneira de fazer com que qualquer mulher se apaixone por ele.

Destaques da edição: As cenas em que Akira Toriyama fala sobre a produção do mangá, e a “fisiologia Alien”…

Evangelion #11

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Por , 15 de outubro de 2002 9:50

E a história vai aos poucos chegando ao seu momento crítico. Uma explosão desconhecida devasta toda uma base de pesquisa, e cabe à NERV continuar com o projeto do EVA-03. Mas… quem será a quarta criança? E porque isso faz com que Misato fique tão preocupada? E Kaji, como vai reagir quando Asuka declarar seu amor por ele?

Uma edição bem trabalhada, onde já é possível perceber o esforço do autor em diminuir o ritmo de ação e aumentar o detalhamento psicológico dos personagens, na tentativa de preparar o leitor para as “viagens ao Eu interior” das próximas edições. Recomendado.

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