Você presta atenção em todo mundo num bar? Então por que precisa fazer o mesmo no Twitter?
Hoje A CrisDias levantou a bola no Twitter e logo depois extendeu a discussão até o blog dele, em um daqueles posts que eu adoraria ter escrito: Se você segue 10 mil pessoas no Twitter você está enganando 10 mil pessoas. E justamente por isso, não pude deixar de dar meus dois cents sobre o assunto.
Explicando rapidamente: em algum momento alguém percebeu que, se você dissesse que é falta de educação não seguir as pessoas que te seguem no twitter, poderia perfeitamente obter mais e mais followers se começasse a seguir várias pessoas. Ou seja, se eu te sigo, você tem obrigatoriamente que me seguir de volta. Se não o fizer, é chato, feio, bobo, não entende mÃdias sociais, tem cara de mamão e vai tomar unfollow.
E qual a razão dessa prática? Simples: definiram que a relevância do Twitter deve ser medida pela quantidade de pessoas que te seguem. Você só é seguido por 1000 usuários? Então você é menos importante que aquele outro que é seguido por 1001. Ou coisa assim.
O que eu não consigo entender por que diabos resolveram utilizar uma métrica de relevância que pode perfeitamente ser fabricada. Se você seguiu alguém e ela te seguiu de volta, é porque ela considera que o que você escreve é interessante, ou está apenas tentando ser cortês e garantindo que você não deixe de segui-la?
Nesse segundo exemplo, qual a importância? Uau, você aparece em rankings, dá palestras, entrevistas, workshops. Mas não usa o twitter pra nada, já que é impossÃvel acompanhar um ambiente com mais de 1000 pessoas falando ao mesmo tempo, sobre assuntos completamente diferentes.
Eu encaro o Twitter como uma roda de bar gigante, ou uma festa com milhares de pessoas. E, como exercÃcio, tente no próximo #nob (ou qualquer coisa do tipo) escutar o que TODOS conversam. Até mesmo os que estão na mesa. Pegue até mesmo aquele casalzinho sentado ali no fundo do bar e fique ouvindo o que eles falam. Você vai perceber que é impossÃvel, o ruÃdo é demais e você perde o foco de qualquer assunto.
Agora, imagine se você chega pra todo mundo que está conversando e solta “Galera, estive ouvindo todos vocês, agora vocês tem a obrigação de me ouvirem falar!” – Mais alguém pensou “loser“?
É isso o que acontece quando você passa a seguir muitas pessoas no Twitter. Você não consegue mais achar o foco. O ideal, assim como no barzinho, é reunir-se em pequenos grupos, e assim poder focar no que está realmente rolando. A conversa não está muito animada, ou tem um grupinho ali do lado que parece ter uma conversa melhor? Peça licença, pegue seu copo de cerveja, e vá pra lá. Eventualmente, você acabará passando por vários grupos diferentes. Talvez até volte pro grupinho original.
“Pô, mas aà não serei o centro das atenções” – Cara, sério: se você é legal e consegue dominar um assunto interessante, as pessoas vão parar para te ouvir. Simples assim. O que deveria ditar relevância numa rede como o Twitter é a sua capacidade de atrair pessoas à sua volta pelo seu carisma, não por atalhos.
O que diferencia uma pessoa que te segue apenas para ser seguido de volta de alguém que te manda um email “Oi, te linkei no meu blog, me linka de volta aÃ, na camaradagem. Se não quiser, beleza, mas aà tiro o seu link de lá…”? Nada.
O que diferencia alguém que usa atalhos para obter uma certa “relevância” no Twitter de alguém que prega “Vamos todos nos linkar, assim a gente ultrapassa os que estão no topo do BlogBlogs“? Nada. Os valores foram manipulados, ponto. Qualquer um que esteja por dentro do esquema sabe que essa relevância foi manipulada.
Eu, pessoalmente, gosto de manter o número de pessoas que sigo em um número baixo, obtendo assim um twitter mais focado nos meus interesses e necessidades. E, assim como interesses mudam e amizades idem, é natural que eu deixe de seguir / passe a seguir uma certa quantidade de pessoas com frequência. Quando rola algo que realmente interessa, procuro tags ou usuários no search. Precisa ser diferente? Seguir milhares de pessoas vai me tornar mais relevante? Não sei, mas tenho um certo orgulho no meu número ‘pequeno’ de leitores. São poucos, mas foram obtidos à custa de muitas twittadas legais.
PS: Já temos o “melinkaqueeutelinko” e o “vamossubirnoranking“. O que mais veremos no Twitter, se isso continuar? Na opinião deste que vos fala, a evolução natural são os selos e memes. Abaixo, um exemplo das imagens que você poderá brevemente encontrar no Twitter de alguém:



