Fúria de Titãs – Ou: como seria “God of War” no cinema
Refilmagem do grande clássico stop-motion de 1981, a nova versão de Fúria de Titãs tem uma trama razoavelmente simples: Perseu é o filho
adotivo de pescadores que acaba tendo a famÃlia morta por Hades, e jura vingança contra o deus do submundo. Resgatado do mar depois que o barco da famÃlia afundou, Perseu acaba indo parar na cidade de Argos, onde o rei incita os cidadãos a renegar Zeus (o que enfraquece os deuses do Olimpo, que retiram sua força da prece dos humanos). Percebendo aà a chance de tomar todo o Olimpo para si, Hades joga uma pilha errada em Zeus e ganha a permissão para tocar o terror nos humanos. Assim, Hades dá um ultimato para Argos: Se eles não sacrificarem a princesa Andrômeda em até 10 dias, a cidade será destruÃda pelo poderoso Kraken.
Nota: Não sei se é má vontade minha, mas aà já começa o maior furo pra da história. Cacete, se eu morasse numa cidade da Grécia antiga e um deus aparecesse dizendo que ia destruir tudo em dez dias, eu simplesmente falaria “Maria, junta us mininu e faz as malas que a gente tá indo passar umas férias no campo”. Mas, enfim, divago.
Com a cidade (ou a vida da princesa, o que vier primeiro) em risco, cabe à Perseu (recém-descoberto semi-deus) unir o útil ao agradável e pegar uns guerreiros de Argos para ajudá-lo a descobrir uma forma de derrotar o Kraken para salvar a princesa E destruir Hades no processo. Só que Hades é maroto e vai colocar vários obstáculos no meio do caminho, já que o que ele quer mesmo é ver a casa caindo. A partir daà temos uma série de sub-quests pros personagens ganharem XP e itens raros (incluindo aà uma espada de luz e o todo poderoso Pegasus, que faz em cinco minutos uma viagem de mais ou menos dez dias), até que finalmente chegamos à batalha final contra o todo poderoso Kraken. Fim.
Veja, tramas simples não são exatamente sinônimo de filme ruim, tudo depende de um roteiro que saiba aproveitar as duas horas de filme sem parecer cansativo, e de um diretor decente. Não é exatamente o caso aqui, ainda mais se levarmos em conta o tanto de liberdades que foram tomadas com a mitologia oficial. O roteiro tem alguns furos chatos (olha, estamos no meio de uma floresta. Olha, corremos dez minutos e estamos no meio de um deserto sem qualquer plantação num raio de quilômetros), tudo se resolve de formas simples demais (olha, uma espada no chão!) e muitas vezes subplots que deveriam render alguma coisa são completamente ignorados.
O que sobra para salvar o filme nesse caso é o visual, e as cenas de ação. O visual do filme é fantástico, com belas tomadas, efeitos convincentes e boas tomadas para exaltar os monstros. Mesmo a armadura de Zeus, que em alguns momentos mais parece uma fantasia de escola de samba, funciona bem em algumas cenas. Mas, se você tiver condições, vá assistir a versão sem efeitos 3D. Fúria de Titãs pegou carona no Avatar de James Cameron e teve efeitos 3D ‘empurrados’ dentro do filme. O que temos então é um efeito mal utilizado, aplicado nos momentos errados, e que chega a cansar em alguns momentos. Se a maioria dos novos filmes em 3D seguirem a mesma tendência de Fúria de Titãs, o melhor mesmo é assistir a versão “clássica”…
As cenas de ação são boas e até que filmadas, embora algumas sejam absurdamente curtas. Um detalhe interessante: se você já jogou God of War, vai reconhecer muitos dos efeitos e tomadas de câmera que o filme utiliza. Aquele salto em câmera lenta visto de cima que Perseu dá em alguns momentos lembram muito o mesmo efeito do jogo, o que não é exatamente ruim. Só parece ser um pouco de preguiça do diretor, que já tinha todo um exemplo de ação nos jogos da série e simplesmente resolveu ir pelo mesmo caminho.
Fúria de Titãs não é o tipo de filme que você deve assistir com grandes expectativas. E, convenhamos, isso já estava mais ou menos claro desde que o trailer foi liberado. É filme-pipoca, feito para que você possa desligar seu cérebro e engordurar seus dedos com pipoca enquanto manda o casal chato ao lado calar a boca, por mais ou menos duas horas. Vale a sessão pelas cenas de luta e pelo visual dos personagens, mas se você é do tipo que valoriza o roteiro acima de tudo, pode acabar um pouco decepcionado….














