Karate Kid (2010) – Legal, mas faltou um pouco de Garça

Por , 27 de agosto de 2010 15:18

Quando ouvi falar que estavam planejando um remake de “Karate Kid[bb]“, a primeira coisa que pensei foi “Legal, vão matar outro clássico”. E não é difícil de imaginar o motivo: nos últimos anos tivemos nos cinemas uma onda de remakes de filmes e séries antigos, a maioria de qualidade duvidosa (e estou sendo bonzinho na avaliação). A idéia de que o mesmo aconteceria com o novo Karate Kid passava pela cabeça de todos, ainda mais quando as primeiras informações começaram a surgir, com um ator muito jovem no papel de “garoto que apanha” e com o Jackie Chan como o mestre, e que na verdade a luta do filme não seria nem mesmo Karatê (que se originou no Japão), mas sim Kung Fu (originário da China).

Com a expectativa baixa, meu amigo Paul Torrent me convidou para uma pré-estréia exclusiva na minha casa, e posso dizer que apesar das mudanças, o Karate Kid de 2010 é um filme que merece ser assistido. Tem problemas sérios no roteiro, mas se você ignorar esses detalhes, o filme não desonra o original.

Primeiro a história. Provavelmente você já conhece, já que pouco muda com relação ao original, mas em favor ao Eric Franco, darei uma resumida:

Garoto que vive só com a mãe é obrigado a se mudar para uma nova cidade, onde não conhece ninguém e não tem amigos. Ao se aproximar de uma garota, ele começa a sofrer perseguição de garotos do colégio que lutam Karatê, e vai precisar contar com a ajuda do zelador do condomínio em que ele vive, um velho japonês que conhece o verdadeiro Karatê. Juntos, eles treinarão Karatê de forma pouco convencional para que o garoto possa resolver seus problemas com os delinquentes em um campeonato de Karatê!

Bem simples, na verdade, o caso clássico do garoto fraco que acaba treinando e no final consegue vencer seus inimigos e ficar com a garota.

O problema é que nesse novo filme acontecem várias mudanças no roteiro: saem os garotos de 16-17 anos e entram garotos de 11-12. Sai a mudança de cidade e entra a mudança de país, direto para a China. Saem os treinamentos sem sentido e entram treinamentos que passam uma lição de moral importante. E sai o japonês com cara de sábio e entra o chinês com cara de mendigo. Aí, começam os problemas no roteiro, como eu falei no começo.

Quero vinte iPhones pra HOJE!

De tudo, o que mais me incomodou foi a mudança na idade dos personagens: no original,  é perfeitamente claro que Daniel Larusso tem um interesse a mais na garota, e é isso que impulsiona todos os conflitos dentro da história. Na refilmagem, os personagens são muito jovens para que esse conflito exista. E, no final, todo o triângulo amoroso some e dá espaço à busca pela amizade. E os jovens que perseguem Dre Parker (Jaden Smith, o personagem principal do filme), só fazem isso porque… eles são racistas. Afinal, onde já se viu um americano negro querer ser AMIGO de uma chinesa na China, né?

A relação entre Dre e Sr. Han (Jackie Chan, mostrando que ainda tem um certo fôlego) não tem o mesmo carisma que a relação entre Daniel e Sr. Miyagi. No original, os dois acabam criando uma relação próxima à de um pai e filho, e no novo Jackie está constantemente afastado, sério, sisudo, sem demonstrar preocupação visível com Dre.

E aí chegamos ao principal furo no roteiro: No original, Daniel já era um jovem com certa autonomia, e a mudança foi apenas de cidades, dentro do mesmo país. Fazia sentido imaginar que a mãe dele não se importaria com o rapaz saindo com um velho para treinar. No novo filme, Dre é MUITO novo, não sabe nada de chinês (como demonstrado logo no começo do filme) e fica estranho aceitar que a mãe dele deixaria ele sair China afora com um homem muito mais velho. Consigo até imaginar o diálogo:

- “Mãe, eu que sou baixinho e mirrado posso viajar de trem até o interior da China com um homem que não conhecemos e que tem totais condições de me sequestar, abusar de mim por longos períodos, e quando estiver enjoado me vender como escravo para uma fábrica da Foxxconn, onde serei obrigado a fabricar iPhones por US$ 0,0021 a hora?”

- “Claro, filhinho. Mas leve a blusa”.

Sério. A mãe do Dre seria presa por abandono na vida real. Mas divago.

Você não vai fazer nada de errado comigo, né?

Ainda sobre os personagens, o romance amizade entre Dre e Mei Ying carece totalmente de carisma, e a culpa recai principalmente sobre a atriz que interpreta Mei, que parece estar sempre tensa, como se estivesse sempre usando uma calcinha cinco números abaixo do ideal. Assim, toda a motivação do filme recai sobre a rixa entre Dre e Cheng, mas justamente essa rixa é pouco trabalhada, já que o filme decide gastar mais tempo com o treinamento de Dre e a relação amizade dos dois pombinhos coleguinhas.

"Vamos jogar bola depois, AMIGA?"

Destaque especial para o mestre de Cheng, que tem o PIOR topete da história da humanidade. Não é dificil imaginar porque o sujeito é tão rancoroso e mal humorado, se eu tivesse um corte de cabelo daqueles também seria muito mal.

As cenas do treinamento de Dre e as lutas empolgam, até pelos lugares escolhidos, com belas paisagens e boas tomadas de cena. Nesse ponto a refilmagem consegue ser até mais interessante que o original, por mostrar vários locais da China e algumas nuances do VERDADEIRO Kung Fu. Na verdade, chama a atenção a transformação corporal pelo qual passa Jaden Smith, que fica com 0% de gordura corporal, veias saltando e músculos salientes por todo o corpo, basicamente um modelo que estampa aquelas embalagens de Mega Mass. Sério, o moleque REALMENTE treinou durante o filme!

O campeonato no final do filme também é interessante, mas o diretor cometeu um pecado fatal: esqueceu de incluir A MONTAGEM

Apesar dessa falha imperdoável, o filme se segura bem no final, e você até chega a torcer pelo Dre. E, mesmo sem o Golpe da Garça, nos últimos minutos você vai estar lá, apoiado pra frente, e gritando “VAI!”.

No final, o Karatê Kid de 2010 tem vários problemas, resgata pouco do carisma do original (culpa, principalmente, das escolhas da produção, como citei acima), e é o típico filme que acabará sendo exibido até a exaustão na Sessão da Tarde.

E é aí que ele honra o original, ao ser uma diversão simples e sem pretensões, e ao proporcionar uma história que provavelmente vai encher as academias de artes marciais mundo afora com milhares de pré-adolescentes querendo aprender “aquele golpe muito louco que o moleque usa no final do filme”. Dificilmente um candidato ao Oscar, mas uma boa diversão para a criançada. O que é uma pena, já que o filme foi lançado aqui com dois meses de atraso e DEPOIS do periodo de férias escolares. Provavelmente, teria feito mais sucesso se lançado um mês antes…

5 temas nerds em versão piano

Por , 24 de agosto de 2010 22:36

Anos atrás, quando meu tipo de acesso ainda era discado, a minha maior diversão era garimpas sites que hospedavam músicas remixadas de games atrás de alguma obra prima. E, em meio a vários remixes os que mais me chamavam a atenção eram aqueles tocados com instrumentos clássicos, como piano, violino, e outros. Porque pegar um tema em 8 ou 16 bits e transformá-lo em música eletrônica era legal, mas sentar e imaginar formas de tocar esse tema em um instrumento de música clássica, com todas suas complexidades e limitações, era diferente. Quem já foi em um Video Games Live sabe bem do que estou falando.

Lembro-me que um dos temas que mais me chamou a atenção era o “Ryu theme for 4 pianosâ€. Era realmente divertido imaginar quatro pessoas sentadas na frente de seus pianos e tocando uma música de Street Fighter. Tenho essa música até hoje na minha playlist, e figura entre as poucas que não consigo enjoar de ouvir.

Assim, resolvi listar as cinco músicas nerds tocadas em piano que eu mais gosto de ouvir, mesmo que não seja por uma orquestra, mas sim por fãs. E, com o advento do Youtube, hoje eu posso não apenas listar, como também mostrá-las para vocês. :)

Abertura de Jaspion no piano

Tema do Ryu para quatro pianos (puro deleite)

Tema do Guile no piano

One Winged Angel (Final Fantasy VII) no piano

Tema do Zelda no piano

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