Cavalerios do Zodíaco #18, Henshin #34 e Henshin Especial #7.

Por , 9 de abril de 2002 16:08


E lá vamos nós, fazer mais uma “resenha-combo”, sobre várias edições diferentes, e aproveitar para fazer uma rápida recapitulação das revistas nas bancas de 5 anos atrás e das revistas nas bancas hoje em dia….

Vamos primeiro falar sobre Cavaleiros: Como eu já disse, é dificil comentar sobre o que todo mundo já sabe o que vai acontecer. Mas, nessa edição, Hyouga de Cisne perde para Milo de Escorpião em uma sequência de lutas bem interessantes, e os cavaleiros chegam à casa de Capricórnio (que, diga-se de passagem, é MUITO diferente da sua versão anime….). Sucesso entre os fãs, mas que ainda me faz pensar como eu gostava desse desenho. O que me leva de volta até alguns anos atrás…

Clique em Ler Mais para voltar um pouco no tempo
Entre os anos de 94 a 97, a única coisa que se ouvia entre a garotada era sobre um desenho chamado “Cavaleiros do Zodíaco”, diferente de tudo o que eles já haviam visto desde que aquela época, e outros desenhos que eventualmente pegaram carona no sucesso desse anime e acabaram chegando por aqui. Isso não era de se surpreender, já que a muito tempo os desenhos japoneses não eram exibidos no Brasil. Um sucesso que só voltou a ser conseguido cmo Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco foi um dos grandes precursores da atual situação dos animes no Brasil. Afinal, a história, a animação, e a violência, era diferente de tudo o que a garotada já tinha visto por aqui. Muitos fãs de anime surgiram naquela época, e alguns continuam até hoje assistindo seus desenhos favoritos. Mas, se há algo de negativo sobre o sucesso de Cavaleiros do Zodíaco, e sobre como ele afetou as publicações de revistas informativas nas bancas. No começo era só uma, a Herói. Em poucos meses, uma verdadeira enxurrada de revistas lotava as bancas do Brasil, trazendo como tema somente uma coisa: “Cavaleiros do Zodíaco”. Com temática, preço, formato e qualidade poucas vezes diferentes entre si, muitas dessas revistas usavam e abusavam de uma fórmula simples: aproveitar o sucesso da série entre as crianças para vender, mesmo que a qualidade da revista , ou do texto, fosse extremamente baixa. É a famosa revista “caça-níqueis”: o custo de produção é baixo, a qualidade é baixa, a tiragem é baixa, mas o apelo é alto. Logo, dificilmente uma dessas revistas acabava no prejuízo completo. Podía não dar um lucro absurdo, mas era o suficiente para uma ou duas edições, e aumentar o capital de editoras e estúdios que pipocavam por todo o lugar.

Quase 6 anos depois, a realidade é bem diferente. Anime já não é visto com o mesmo preconceito que era antes, e mesmo muitos adultos já admitem que gostam desse gênero. A lista de mangás que podemos encontrar na banca é grande (para alguns, já é mais do que o suficiente…), e temos títulos dos mais diferente gêneros e gostos. O que incomoda é que alguns hábitos do passado ainda persistem…. A Henshin Especial foi criada, a princípio, para tratar de vários aspectos dos animes ou séries live-action. Vilões, heroínas, mechas e muito mais já foi discutido nessa revista. Mas o que incomoda nesse número 7 é que ele ainda guarda muita relação com as famosas publicações “caça-níqueis” de anos atrás. A edição propõe-se a falar sobre o “Ki”, e como ele é utilizado nos animes, mas o que acabamos vendo nas páginas da revista é uma grande forçação de barra, pegando vários animes famosos (ou seja, que vendem) e tentando encaixar os golpes dos personagens como se fossem tudo a mesma coisa. Não há UMA matéria da revista que não escape do “Bem, no anime o nome da energia utilizaa é diferente, mas é tudo a mesma coisa…”, e logo depois uma descrição resumida e cheia de erros sobre o anime em questão. Mesmo na matéria de Dragon Ball, onde a energia dos personagens é realmente chamada de Ki, a qualidade do texto deixa muito a desejar, dando a impressão de que eles apenas pegaram vários textos e imagens já publicados e uniram numa só matéria, para dizer que é novo. A bem da verdade, a única matéria que não dá essa impressão de “comida requentada às pressas” é a entrevista com Masaaki Hatsumi (conhecido entre nós como o pai do Jyraia), que, mesmo sendo boa, não consegue salvar a revista. E, entre a forçação de barra maior, há uma matéria dizendo que a “Força”, elemento de “Guerra nas Estrelas”, seria na verdade um outro nome para o Ki! Com as mesmas comparações estranhas e textos que não explicam nada, fico imaginando o que a Henshin pretende com essas matérias que comparam filmes de sucesso com animes e mangás (na verdade, não vou ficar nem um pouco surpreso se alguma edição da Henshin de março não trouxer uma matéria comentando a influência do Homem-Aranha nos mangás/animes….)

Não menos fraca e decepcionante é a Henshin # 34, com uma matéria de capa, a príncipio, estranha: “Goku, o Guerreiro mais poderoso do Universo”. Mas… a Henshin já não tinha contado pelo menos duas vezes TODA a história de Goku? Já não tinha feito uma matéria relacionando todas as aparições do nome “Son Goku” em publicações orientais, e explicando sua lenda? O que mais poderia ser feito sob esse título? Simples: uma matéria relatando todas as principais batalhas de Dragon Ball Z e “provando” que Goku só matou UM superinimigo em toda a série (oh!). Estranho? Pois não se preocupe, vai ficar ainda mais estranho: a matéria segue o mesmo esquema da Henshin Especial, com um texto que não acrescenta NADA a tudo o que já foi dito, e alguma imagens que já foram utilizadas uma pá de vezes. Sem contar o final decepcionante da matéria, onde o autor diz que, apesar de tudo, “Goku é sim, o guerreiro mais poderoso do universo e o grande defensor do nosso planeta”. Acompanhando esse desastre, uma matéria sobre Hayao Miyazaki, um preview de Hamtaro e da segunda fase de Corrector Yui, uma matéria sobre as novas aventuras de Ultra Seven, uma entrevista com a dubladora original do Goku na série Dragon Ball, e MAIS especulação sobre o destino de Cavaleiros do Zodíaco (certos hábitos nunca morrem…) e sobre Dragon Ball GT, entre outras matérias. Duas revistas que não impressionam, apesar da JBC ser uma editora forte no mercado de mangás.

E um rápido comentário a algum possível represetante da JBC que possa estar lendo isso: Embora o texto pareça mal criado ou um desafio, é apenas uma análise bem crítica sobre o trabalho de vocês, que, sinceramente, caiu bastante nas últimas edições. Acredito que faço minhas as palavras de muitos leitores, sejam visitantes do site ou não: pelo menos UMA vez, deixem que os LEITORES gritem “Jackpot!”. Afinal, ninguém gosta de jogar numa máquina que nunca dá prêmios, por menor que sejam….

Comentários estão bloqueados

Panorama Theme by Themocracy