Queimando a língua com o Kinect

Por , 23 de janeiro de 2012 14:58

Em meados de 2010, quando o Kinect ainda atendia pelo nome de Projeto Natal e os primeiros videos mostrando o uso do aparelho apareciam no YouTube, escrevi um post mostrando como a pessoa parecia ridícula ao jogar com o corpo. Além disso, na época também fiz várias críticas aos tipos de jogos que estavam sendo desenvolvidos para a plataforma. Bom, quem diria que pouco menos de dois anos depois eu mudaria completamente minha opinião?

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Review: Buda, de Osamu Tezuka

Por , 17 de dezembro de 2011 1:30

É extremamente difícil definir qual obra audiovisual mais me marcou, mas um que com certeza fica entre os cinco no topo da lista é Buda, de Osamu Tezuka. Uma obra que chama a atenção não só pelo roteiro ou pelo carisma dos personagens, mas pelo conjunto de diversos fatores.

Uma história que só poderia ser contada de forma tão singular pelas mãos de Osamu Tezuka.

A humanidade, parte da natureza, e ao mesmo tempo pequena e insignificante perto dela. Tema recurrente nas obras de Tezuka

Publicado originalmente no Japão entre 1972 e 1983 e composto de 14 volumes com aproximadamente 400 páginas cada um, Buda conta uma história que muitos já conhecem, mesmo que por cima: a transformação do príncipe Siddhartha Gautama, nascido em torno de 500 anos antes de Cristo, em Buda, o Iluminado. Tudo isso na região que hoje forma a Índia e parte da Ásia, que naquela época sofria com um sistema de castas rígido e injusto, além do pacote básico de pragas como fome, doenças, guerras e morte.Mas como acompanhar toda a trajetória de transformação propriamente dita poderia ser tediosa para quem já conhece a história de Buda, Tezuka nos apresenta durante a história diversos personagens e tramas fictícias, interligadas a situações e personagens que ou são reais ou são levemente adaptadas.

E justamente um desses personagens fictícios acaba muitas vezes roubando a cena e se tornando o personagem principal por vários capítulos, além de servirem como “guias” para o leitor, ao apresentar vários costumes e situações da época: Tahta, o pária (casta ainda mais baixa que os escravos, considerados impuros e intocáveis, algo que você já sabe se assistiu Caminho das Indías) que cruza muitas vezes o caminho de Siddhartha. Tahta é apenas um dos muitos personagens que compõem a saga, e que te prendem a ela.

Pode parecer estranho no começo esse foco excessivo em outros personagens, ainda mais se notarmos que em vários volumes Buda mal aparece (o primeiro volume é praticamente dedicado a Tahta). Mas aí é que está um dos maiores trunfos da obra e também uma prova da genialidade de Tezuka: todos os acontecimentos mostrados e todos os personagens mostrados tem um motivo para estarem ali, uma razão de existir. E, assim como numa estrada lotada de desvios e encruzilhadas, são as ações desses personagens que fazem com que eles encontrem Buda e de alguma forma contribuam para a criação do homem que se tornaria a lenda.

Um dos (muitos) pontos chave da história. Repare na técnica narrativa de Tezuka, o sofrimento inicial, e a aceitação nos olhos do personagem ao final

Uma mulher abandonada por um dos personagens coadjuvantes pode ter um filho que no futuro causará problemas a Buda. Um monge que troca meia dúzia de palavras com um personagem menor pode décadas depois ser um ponto chave na história. E por aí vai. Tezuka ainda brinca com isso, no mostrando a história de um personagem até o seu climax e deixando o final em aberto, anunciando para o leitor que só voltaríamos a ter notícias dele mais tarde na história, deixando-nos loucos para saber como aquela situação terminará e como afetará o eixo principal da história.

“O que é a vida de um homem comparada à eternidade do tempo e espaço? Nada mais que um floco de neve que brilha no Sol momentos antes de derreter no fluxo do tempo”

Não por acaso, justamente essa narrativa truncada apresenta ao leitor um dos motes da série e da própria filosofia do budismo: Todos os seres vivos dependem de outros seres vivos e são parte de um plano maior onde cada criatura tem sua função. Nada é exatamente “por acaso”. Você pode até mesmo se revoltar com os problemas que lhe acontecem, mas eles de uma certa forma serviram de alguma coisa. Nem que seja para inspirar alguém que nem mesmo nasceu ainda.

E, ao acompanhar as aproximadas 3.000 páginas de Buda, é possível que o leitor mais atento perceba que não há diferença alguma entre as intersecções quase infinitas entre os personagens e o que acontece na nossa vida. Uma chave que você não encontrou a tempo antes de sair de casa pode ter feito você perder o ônibus. O mesmo ônibus que sofreu um acidente poucos minutos depois. Uma pessoa para quem você sorriu e desejou bom dia de forma quase automática só precisava desse ato bobo de educação para chegar mais tranquila no trabalho e atender melhor as pessoas. E por aí vai. Como opinião pessoal, é delicioso quando a história que você está lendo te dá esse tipo de visão.

Ainda sobre a narrativa, a todo momento podemos ver os famosos costumes de Tezuka: personagens famosos de outras séries do autor aparecendo a todo momento, personagens quebrando a quarta parede e fazendo comentários sobre a época e costume em que a série foi escrita, e um senso de humor impar. Tudo isso torna a história gostosa de ler, mesmo em momentos mais densos e pesados. Tezuka sabe balancear muito bem o tom da história, dando o peso certo aos momentos que devem ser marcantes. E sim, há momentos bem marcantes.

Esse equilibrio também é percebido na arte: mais simples e caricatural nos momentos leves e de humor, mais detalhada nos momentos sérios e dramáticos. É como se Tezuka dissesse para o leitor “olha, a situação que acabamos de presenciar é bem tensa, e daqui a pouco piora, então relaxa por umas duas páginas”. Ainda sobre a arte, podemos ver Tezuka em sua melhor forma, com um traço que muitos podem considerar simples e datado, mas que funciona. É interessante também perceber como muitas técnicas que hoje em dia consideramos comuns ou bobas são usadas com perfeição pelo mestre.

A tensão da cena reflete a tensão do arco a ser disparado, assim como a tensão dos personagens. Repare no enquadramento apertado, no zoom crescente

No final, Buda é uma história deliciosa. Não se deixe enganar pelas 3.000 páginas, logo no primeiro volume você já estará doido para saber como a história continua e como aqueles personagens ora sofredores, ora causadores de sofrimento, mas acima de tudo humanos, evoluem. A saga de Siddhartha criada por Osamu Tezuka é cheia de reviravoltas, dúvidas, medos e provações, mas principalmente é um tratado sobre o sofrimento humano e as suas causas. Uma obra que merece ser lida.

E, acima de tudo, não se prenda a base religiosas e coisas do tipo. Tezuka mesmo não era budista, e em nenhum momento da história ocorre uma tentativa de “conversão”. Leia sem medo.Buda foi publicado no Brasil pela Conrad, e pode ser encontrado facilmente em diversas lojas online e livrarias. Outras obras de Tezuka podem ser compradas pela Book Depository, por um preço bem camarada. Esse post faz parte do #tezukaday, uma iniciativa de vários blogs para lembrar da história do mestre. Não deixe de visitar a fanpage do projeto e participar dos diversos concursos e sorteios que rolarão durante o dia de hoje, 17 de dezembro. Diversão garantida ou seu dinheiro de volta. :)

De como a tecnologia não matou a imaginação

Por , 22 de novembro de 2011 10:27

Quando criança, eu era fã incondicional daquelas séries de heróis japoneses. Ultraman, Spectreman, Changeman e Jaspion tomavam vários minutos do meu dia com suas histórias cheias de dramas, personagens imperfeitos e vilões que, apesar de quererem conquistar Tóquio o mundo, tinham uma certa honra. Quem não se emocionou quando o Pirata Espacial Buba preferiu se sacrificar a deixar que sua melhor amiga (e ele mesmo!) virasse um monstro?

E ali, nos meus seis, sete, oito anos, eu via aqueles personagens fazendo coisas incriveis na TV e meu olhos brilhavam, pensando em como seria legal ter o uniforme deles, as armas deles, talvez até o robô gigante deles. Mesmo que fossem de brinquedo, e não de verdade.

O único inconveniente é que naquela época minha família não tinha dinheiro nem para coisas básicas, e qualquer boneco ou brinquedo que não fosse apenas um bloco de plástico tóxico pintado com tinta cheia de chumbo custava o PIB de um pequeno país. Eram tempos sombrios.

Felizmente, minha imaginação não podia ser contida por detalhes bobos como falta de dinheiro ou morar num bairro afastado: os vários terrenos baldios e campos abertos do bairro eram a nossa “pedreira da Toei”, onde eu e meus amigos imitávamos cenas de lutas. Eu e meu primo “roubávamos” o caríssimo gravador e toca-fitas da minha tia para gravarmos alguns nomes de golpes e frases importantes das séries (“ESPADA RELÂMPAGO! SUPER THUNDER BOLT!”) e usávamos esse som durante as brincadeiras. E eu ainda usava folhas e mais folhas de papel de cadernos antigos da minha irmã (e muita cola) para tentar recriar alguns equipamentos.

Sim, era tosco, mas era o que tínhamos.

E é engraçado ver hoje em dia luditas que também viveram essa época comentando sobre como a tecnologia tem acabado com a imaginação das crianças. Videogames ultra-realistas, filmes que usam CG para tornar os personagens mais humanos, a própria facilidade de usar computadores, celulares e afins, tudo isso estaria acabando com a imaginação das crianças. Elas não seria mais capazes de olhar para um pedaço de papel e, sei lá, imaginar uma espada ali.

Eu penso um pouco diferente. A tecnologia não atrapalha nem limita a imaginação. O mundo chato e cheio de regras em que vivemos é que faz isso. Na verdade, a tecnologia tem a chance de dar vida aos sonhos, venham eles de uma criança 3 anos ou de uma de 30. Basta saber procurar as ferramentas certas.


(link para o vídeo, se no feed não aparecer)

O vídeo acima mostra três aplicativos disponíveis para celulares Android que simulam os “henshin devices” de alguns heróis japoneses. Todos disponíveis de graça, só baixar e instalar (como eu mesmo fiz). E ainda há vários outros disponíveis, tanto para iOS quanto para Android (mas, estranhamente, os que encontrei para iOS exigem o jailbreak para funcionar…). E é tão divertido quanto qualquer outro brinquedo que eu fazia com papel.

E há vários exemplos no dia-a-dia de como o desenvolvimento tecnológico foi útil. Videogames que respondem a movimentos me vêm à cabeça nesse momento. Para um adulto muitos dos jogos criados para o Kinect, Wii e Playstation Move pode parecer bobos, mas para uma criança? Horas de diversão. E de deixar a imaginação rolar solta.

Sempre haverá o saudosismo de épocas mais simples (eu mesmo ainda não consigo me acostumar aos livros e quadrinhos digitais, acho livros em papel muito mais cômodos), mas é inegável que, ao contrário do que os velhos chatos dizem, não há época mais divertida para se viver que essa. Que criança (não importa a idade) não vai se divertir podendo se transformar no personagem que quiser usando um aparelho que cabe no bolso? :)

E um feliz SysAdmin day para todos!

Por , 29 de julho de 2011 18:19

Convidado pelo conhecido de longa data das interwebz, Manoel Netto, para escrever sobre o Sysadmin Day, acabei me emocionando um pouco demais e escrevendo algo que, por questões de espaço, não pôde ir para o blog do UOLHost. Como o texto ficou maneiro, e com autorização do Manoel, publico aqui o texto na íntegra. E um feliz SysAdmin Day pra todos! :)


A vida de um sysadmin é ingrata. Acordamos às 2 da manhã com o celular tocando e recebemos a notícia de que o site caiu. Ao tentarmos sair de férias, ouvimos do chefe a clássica frase “deixa anotado o telefone do lugar onde você está indo e deixa o celular sempre por perto. Você vai conseguir acessar a internet em caso de emergência, né?”. Quando a internet na empresa cai, somos os primeiros a entrar em pânico, e os primeiros a sermos amaldiçoados. Quando um site, ou um servidor de emails, ou qualquer outro serviço crítico cai, somos os primeiros a chegar no local e os últimos a sair. Varamos noites seguidas à base de pizza fria e refrigerante quente para colocar todos os serviços de volta ao ar, para que vocês possam continuar suas atividades normalmente. E raramente ouvimos um simples obrigado. Pelo contrário, normalmente só ouvimos reclamações.

Afinal, todo mundo já viu Matrix e sabe que trabalhar com computadores é a coisa mais fácil do mundo.

Mas… se esse é um trabalho tão ruim, por que ainda continuamos nele? Porque gostamos. Sentimos uma certa satisfação pessoal em saber que as coisas acontecem porque nós tornamos isso possível. Estamos construindo algo maravilhoso, mesmo que vocês só percebam que a gente existe quando o sistema cai. No final do dia, quando você sai pra comemorar com a turma do comercial aquela venda fantástica que você fez, nós sabemos que isso só foi possível porque o CRM estava funcionando corretamente, porque o servidor de emails não caiu em nenhum momento, porque a rede estava protegida contra vírus e invasões, e portanto você pôde trabalhar sem interrupções. Assim como sabemos que o seu texto pode ser lindo, e emocionar milhões de pessoas. Mas ele dificilmente será lido se não conseguirmos manter o servidor do blog no ar. Assim como o layout do seu site pode ser perfeito e digno de premiações mundiais, ninguém o verá se não estivermos lá para verificar cada *mínimo* detalhe de uma estrutura complicada que envolve cabos, computadores, sistemas operacionais, números e mais números, rotas, e ajustes de segurança.

E, acreditem: ao contrário do que os filmes mostram, isso não é fácil.

Portanto, mesmo sabendo que é difícil, agradeçam o sysadmin se você está lendo esse texto hoje. Ele pode parecer um cara esquisito, usando umas camisetas estranhas e falando de umas coisas que não fazem o menor sentido, mas esse cara troca horas de sono, festas, viagens e até mesmo expectativa de vida pela garantia de que seu trabalho será feito da melhor maneira possível, muitas vezes pela simples alegria de saber que você está usando algo no qual ele se dedicou tanto para fazer funcionar. E, acreditem, isso é mais do que muita gente está disposta a fazer por você. :)

Como conquistar uma mulher usando o ChatRoulette

Por , 16 de março de 2011 1:12

Que o ChatRoulette é uma ótima forma de conhecer pessoas mundo afora e de pregar peças em desconhecidos, todo mundo já sabe. O que você não sabe é que, com muita cara de pau, um certo talento para música[bb], e a ajuda de alguns amigos, você pode conquistar o coração de QUALQUER mulher na internet. Dúvida? Assista até o fim:

Reparem que nem é preciso muito para a garota ficar completamente apaixonada pela declaração cantada do sujeito. Talvez eles morem a continentes de distância, talvez eles sejam vizinhos de bairro, talvez eles nunca se encontrem pessoalmente, talvez nasça uma relação daí. Não importa. Apenas reparem na reação da garota. Com 1 minuto de vídeo, ela visivelmente já estava emocionada. E tudo isso com uma melodia inventada quase que na hora, baseada em um nome que o rapaz tinha acabado de ouvir.

Obviamente, tudo isso pode ser mentira. A garota pode ser a irmã /namorada / amiga do cara, e tudo isso pode ser uma grande montagem, mas…. sinceramente, qual o problema em acreditar que com um pouco de esforço e o uso correto do ChatRoulette um homem pode fazer o dia de qualquer mulher no mundo?

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