Category: Resenhas

Review: Buda, de Osamu Tezuka

Por , 17 de dezembro de 2011 1:30

É extremamente difícil definir qual obra audiovisual mais me marcou, mas um que com certeza fica entre os cinco no topo da lista é Buda, de Osamu Tezuka. Uma obra que chama a atenção não só pelo roteiro ou pelo carisma dos personagens, mas pelo conjunto de diversos fatores.

Uma história que só poderia ser contada de forma tão singular pelas mãos de Osamu Tezuka.

A humanidade, parte da natureza, e ao mesmo tempo pequena e insignificante perto dela. Tema recurrente nas obras de Tezuka

Publicado originalmente no Japão entre 1972 e 1983 e composto de 14 volumes com aproximadamente 400 páginas cada um, Buda conta uma história que muitos já conhecem, mesmo que por cima: a transformação do príncipe Siddhartha Gautama, nascido em torno de 500 anos antes de Cristo, em Buda, o Iluminado. Tudo isso na região que hoje forma a Índia e parte da Ásia, que naquela época sofria com um sistema de castas rígido e injusto, além do pacote básico de pragas como fome, doenças, guerras e morte.Mas como acompanhar toda a trajetória de transformação propriamente dita poderia ser tediosa para quem já conhece a história de Buda, Tezuka nos apresenta durante a história diversos personagens e tramas fictícias, interligadas a situações e personagens que ou são reais ou são levemente adaptadas.

E justamente um desses personagens fictícios acaba muitas vezes roubando a cena e se tornando o personagem principal por vários capítulos, além de servirem como “guias” para o leitor, ao apresentar vários costumes e situações da época: Tahta, o pária (casta ainda mais baixa que os escravos, considerados impuros e intocáveis, algo que você já sabe se assistiu Caminho das Indías) que cruza muitas vezes o caminho de Siddhartha. Tahta é apenas um dos muitos personagens que compõem a saga, e que te prendem a ela.

Pode parecer estranho no começo esse foco excessivo em outros personagens, ainda mais se notarmos que em vários volumes Buda mal aparece (o primeiro volume é praticamente dedicado a Tahta). Mas aí é que está um dos maiores trunfos da obra e também uma prova da genialidade de Tezuka: todos os acontecimentos mostrados e todos os personagens mostrados tem um motivo para estarem ali, uma razão de existir. E, assim como numa estrada lotada de desvios e encruzilhadas, são as ações desses personagens que fazem com que eles encontrem Buda e de alguma forma contribuam para a criação do homem que se tornaria a lenda.

Um dos (muitos) pontos chave da história. Repare na técnica narrativa de Tezuka, o sofrimento inicial, e a aceitação nos olhos do personagem ao final

Uma mulher abandonada por um dos personagens coadjuvantes pode ter um filho que no futuro causará problemas a Buda. Um monge que troca meia dúzia de palavras com um personagem menor pode décadas depois ser um ponto chave na história. E por aí vai. Tezuka ainda brinca com isso, no mostrando a história de um personagem até o seu climax e deixando o final em aberto, anunciando para o leitor que só voltaríamos a ter notícias dele mais tarde na história, deixando-nos loucos para saber como aquela situação terminará e como afetará o eixo principal da história.

“O que é a vida de um homem comparada à eternidade do tempo e espaço? Nada mais que um floco de neve que brilha no Sol momentos antes de derreter no fluxo do tempo”

Não por acaso, justamente essa narrativa truncada apresenta ao leitor um dos motes da série e da própria filosofia do budismo: Todos os seres vivos dependem de outros seres vivos e são parte de um plano maior onde cada criatura tem sua função. Nada é exatamente “por acaso”. Você pode até mesmo se revoltar com os problemas que lhe acontecem, mas eles de uma certa forma serviram de alguma coisa. Nem que seja para inspirar alguém que nem mesmo nasceu ainda.

E, ao acompanhar as aproximadas 3.000 páginas de Buda, é possível que o leitor mais atento perceba que não há diferença alguma entre as intersecções quase infinitas entre os personagens e o que acontece na nossa vida. Uma chave que você não encontrou a tempo antes de sair de casa pode ter feito você perder o ônibus. O mesmo ônibus que sofreu um acidente poucos minutos depois. Uma pessoa para quem você sorriu e desejou bom dia de forma quase automática só precisava desse ato bobo de educação para chegar mais tranquila no trabalho e atender melhor as pessoas. E por aí vai. Como opinião pessoal, é delicioso quando a história que você está lendo te dá esse tipo de visão.

Ainda sobre a narrativa, a todo momento podemos ver os famosos costumes de Tezuka: personagens famosos de outras séries do autor aparecendo a todo momento, personagens quebrando a quarta parede e fazendo comentários sobre a época e costume em que a série foi escrita, e um senso de humor impar. Tudo isso torna a história gostosa de ler, mesmo em momentos mais densos e pesados. Tezuka sabe balancear muito bem o tom da história, dando o peso certo aos momentos que devem ser marcantes. E sim, há momentos bem marcantes.

Esse equilibrio também é percebido na arte: mais simples e caricatural nos momentos leves e de humor, mais detalhada nos momentos sérios e dramáticos. É como se Tezuka dissesse para o leitor “olha, a situação que acabamos de presenciar é bem tensa, e daqui a pouco piora, então relaxa por umas duas páginas”. Ainda sobre a arte, podemos ver Tezuka em sua melhor forma, com um traço que muitos podem considerar simples e datado, mas que funciona. É interessante também perceber como muitas técnicas que hoje em dia consideramos comuns ou bobas são usadas com perfeição pelo mestre.

A tensão da cena reflete a tensão do arco a ser disparado, assim como a tensão dos personagens. Repare no enquadramento apertado, no zoom crescente

No final, Buda é uma história deliciosa. Não se deixe enganar pelas 3.000 páginas, logo no primeiro volume você já estará doido para saber como a história continua e como aqueles personagens ora sofredores, ora causadores de sofrimento, mas acima de tudo humanos, evoluem. A saga de Siddhartha criada por Osamu Tezuka é cheia de reviravoltas, dúvidas, medos e provações, mas principalmente é um tratado sobre o sofrimento humano e as suas causas. Uma obra que merece ser lida.

E, acima de tudo, não se prenda a base religiosas e coisas do tipo. Tezuka mesmo não era budista, e em nenhum momento da história ocorre uma tentativa de “conversão”. Leia sem medo.Buda foi publicado no Brasil pela Conrad, e pode ser encontrado facilmente em diversas lojas online e livrarias. Outras obras de Tezuka podem ser compradas pela Book Depository, por um preço bem camarada. Esse post faz parte do #tezukaday, uma iniciativa de vários blogs para lembrar da história do mestre. Não deixe de visitar a fanpage do projeto e participar dos diversos concursos e sorteios que rolarão durante o dia de hoje, 17 de dezembro. Diversão garantida ou seu dinheiro de volta. :)

Anime da década de 60 inspira onda de ações de caridade no Japão

Por , 12 de janeiro de 2011 13:14

Um anime já bem antigo, mas que ainda é lembrado por muitos como um dos melhores animes de luta já criados, tem ganhado a mídia japonesa nos últimos dias. Tudo por que ele é responsável por uma onda de doações em todo o país. O anime em questão? Tiger Mask, uma série que foi exibida originalmente no final da década de 60.

Em Tiger Mask, Naoto Date era um lutador de luta-livre que usava o dinheiro ganho em lutas para ajudar crianças carentes e orfanatos. Uma característica marcante da série era a máscara de tigre que o personagem usava e seus golpes absurdos. Já na vida real, o movimento começou quando um orfanato na região de Gunma, na manhã de natal, recebeu dez mochilas contendo 30.000 yens (algo em torno de R$ 600,00), com uma carta assinada em nome de “Naoto Date”.

Desde então, pelo menos 15 outras instituições em todo o Japão receberam diversas doações, entre dinheiro e material escolar, todas assinadas por Naoto Date. Em uma das mensagens, “Naoto” pede desculpas por “ter chegado tão tarde”. Em outra, Naoto pede para que as crianças tentem sempre seu melhor e avisa que o “o mundo não as abandonou ainda”.

Acima: os locais que receberam doações de Tiger Mask

Como o anime tem pelo menos 40 anos, imagina-se que o doador (ou doadores) anônimo sejam pessoas na casa dos 50/60 anos, mas não seria estranho imaginar que mesmo pessoas mais jovens estejam ajudando.

Em uma época em que tanto se discute a influência de obras violentas na juventude, é interessante notar que um anime conseguiu inspirar um grupo de pessoas a ajudar crianças carentes de forma anônima. Um exemplo e tanto, e um caso a se estudar. É muito dificil termos algo assim no Brasil?

Com informações: Anime News Network

BoardWalk Empire: gângsters, bebidas e peitos de fora

Por , 5 de novembro de 2010 12:21

Com o fim de Lost e 24 Horas (Heroes nem conta mais, mas enfim), a temporada 2010 deixou uma dúvida gigante: haveriam novas séries boas o suficiente para ocupar o espaço deixado por essas que terminaram? Felizmente, a temporada 2010/2011 trouxe boas surpresas, que valem a pena acompanhar. The Event, The Walking Dead e BoardWalk Empire (O Império do Contrabando) já estão nos meus top 10 da temporada, e aproveito para comentar sobre esse último, a única da qual já assisti episódios o suficiente para ter uma boa opinião formada. Não percam, em breve, uma resenha sobre essas outras séries. :)

Produção da HBO, e mantendo a mesma qualidade que o canal imprime em todas suas produções, BoardWalk Empire chama a atenção pelos diálogos afiadíssimos, boas interpretações, fotografia excelente e precisão histórica nas roupas e costumes. Uma série para quem quer conhecer uma das fases mais interessantes dos EUA: a proibição da fabricação e consumo de bebidas alcoólicas e o conseqüente contrabando, que enriqueceu vários mafiosos e transformou Al Capone em um nome conhecido. Aliás, como a série foca no começo da proibição, Al aparece aidna como um João Ninguém completametne sem noção, uma sombra do que viria a se tornar. E assim, vamos vendo o crescimendo das máfias em Atlantic City e em outras cidades, bem no começo da Lei Seca, e acompanhando vários personagens que de alguma forma estão envolvidos com o contrabando e em outras situações, como por exemplo o crescimento da KKK, a luta pelo direito do voto feminino, e o fim da primeira guerra.

Os cenários e a caracterização chamam a atenção. Nem pense em assistir se não for HD

O seriado foca em Enoch (Nucky) Thompson (baseado em um personagem real), um político ambicioso que aproveita a Lei Seca para enriquecer e se tornar ainda mais poderoso. Com isso, ele acaba se envolvendo com personagens históricos e levando uma vida tripla (político corrupto, criminoso sem escrúpulos e figura importante na sociedade). E o que vamos acompanhando é justamente a tentativa de Nucky em tentar equilibrar esses aspectos de sua vida, entre bebidas, festas, sexo e… amores.

- No final, tudo o que eu preciso fazer pra ele ficar comigo é usar isso (abre as pernas)
- Quando eu era criança na Irlanda, um maltrapilho aparecia toda primavera, com um pequeno galo de briga. Ele tocava com o bico, “The Mountains of Mourne” em um piano de brinquedo, pendurado no peito.
- E daí?
- No primeiro ano em que ele veio, todas nós, as garotinhas de lá, achamos mágico. No segundo ano, rimos discretamente do velho em seus trapos. E no terceiro ano, nem fomos vê-lo. Porque o galo só sabia tocar “The Mountains of Mourne”.
- O que quer dizer?
- Que a sua x0x0ta não é tão interessante quanto pensa.

Como eu disse, o que torna Bordwalk Empire realmente interessante são o roteiro e os diálogos, e o exemplo acima é uma mostra disso. Por ser uma série da HBO, não há restrições e os personagens fumam, bebem, falam palavrões, transam e andam nús, como fariam normalmente. Nem mesmo a violência é suavizada, como podemos ver em uma cena com Nelson Van Alden, um agente federal que faz qualquer coisa para pegar os contrabandistas de Atlantic City.

Fumando, o Capone moleque, de várzea.

Se tudo isso ainda não te convenceu, vale lembrar que o primeiro episódio foi dirigito pelo todo fodão Martin Scorcese, grande conhecido dos fãs de filmes sobre máfia e crimes. E o episódio de estréia teve uma audiência tão grande que a segunda temporada já foi confirmada.

Senhoras e senhors, acreditem em mim quando lhes digo: a série é boa. Eu tenho cara de quem mentiria para vocês?

Karate Kid (2010) – Legal, mas faltou um pouco de Garça

Por , 27 de agosto de 2010 15:18

Quando ouvi falar que estavam planejando um remake de “Karate Kid[bb]“, a primeira coisa que pensei foi “Legal, vão matar outro clássico”. E não é difícil de imaginar o motivo: nos últimos anos tivemos nos cinemas uma onda de remakes de filmes e séries antigos, a maioria de qualidade duvidosa (e estou sendo bonzinho na avaliação). A idéia de que o mesmo aconteceria com o novo Karate Kid passava pela cabeça de todos, ainda mais quando as primeiras informações começaram a surgir, com um ator muito jovem no papel de “garoto que apanha” e com o Jackie Chan como o mestre, e que na verdade a luta do filme não seria nem mesmo Karatê (que se originou no Japão), mas sim Kung Fu (originário da China).

Com a expectativa baixa, meu amigo Paul Torrent me convidou para uma pré-estréia exclusiva na minha casa, e posso dizer que apesar das mudanças, o Karate Kid de 2010 é um filme que merece ser assistido. Tem problemas sérios no roteiro, mas se você ignorar esses detalhes, o filme não desonra o original.

Primeiro a história. Provavelmente você já conhece, já que pouco muda com relação ao original, mas em favor ao Eric Franco, darei uma resumida:

Garoto que vive só com a mãe é obrigado a se mudar para uma nova cidade, onde não conhece ninguém e não tem amigos. Ao se aproximar de uma garota, ele começa a sofrer perseguição de garotos do colégio que lutam Karatê, e vai precisar contar com a ajuda do zelador do condomínio em que ele vive, um velho japonês que conhece o verdadeiro Karatê. Juntos, eles treinarão Karatê de forma pouco convencional para que o garoto possa resolver seus problemas com os delinquentes em um campeonato de Karatê!

Bem simples, na verdade, o caso clássico do garoto fraco que acaba treinando e no final consegue vencer seus inimigos e ficar com a garota.

O problema é que nesse novo filme acontecem várias mudanças no roteiro: saem os garotos de 16-17 anos e entram garotos de 11-12. Sai a mudança de cidade e entra a mudança de país, direto para a China. Saem os treinamentos sem sentido e entram treinamentos que passam uma lição de moral importante. E sai o japonês com cara de sábio e entra o chinês com cara de mendigo. Aí, começam os problemas no roteiro, como eu falei no começo.

Quero vinte iPhones pra HOJE!

De tudo, o que mais me incomodou foi a mudança na idade dos personagens: no original,  é perfeitamente claro que Daniel Larusso tem um interesse a mais na garota, e é isso que impulsiona todos os conflitos dentro da história. Na refilmagem, os personagens são muito jovens para que esse conflito exista. E, no final, todo o triângulo amoroso some e dá espaço à busca pela amizade. E os jovens que perseguem Dre Parker (Jaden Smith, o personagem principal do filme), só fazem isso porque… eles são racistas. Afinal, onde já se viu um americano negro querer ser AMIGO de uma chinesa na China, né?

A relação entre Dre e Sr. Han (Jackie Chan, mostrando que ainda tem um certo fôlego) não tem o mesmo carisma que a relação entre Daniel e Sr. Miyagi. No original, os dois acabam criando uma relação próxima à de um pai e filho, e no novo Jackie está constantemente afastado, sério, sisudo, sem demonstrar preocupação visível com Dre.

E aí chegamos ao principal furo no roteiro: No original, Daniel já era um jovem com certa autonomia, e a mudança foi apenas de cidades, dentro do mesmo país. Fazia sentido imaginar que a mãe dele não se importaria com o rapaz saindo com um velho para treinar. No novo filme, Dre é MUITO novo, não sabe nada de chinês (como demonstrado logo no começo do filme) e fica estranho aceitar que a mãe dele deixaria ele sair China afora com um homem muito mais velho. Consigo até imaginar o diálogo:

- “Mãe, eu que sou baixinho e mirrado posso viajar de trem até o interior da China com um homem que não conhecemos e que tem totais condições de me sequestar, abusar de mim por longos períodos, e quando estiver enjoado me vender como escravo para uma fábrica da Foxxconn, onde serei obrigado a fabricar iPhones por US$ 0,0021 a hora?”

- “Claro, filhinho. Mas leve a blusa”.

Sério. A mãe do Dre seria presa por abandono na vida real. Mas divago.

Você não vai fazer nada de errado comigo, né?

Ainda sobre os personagens, o romance amizade entre Dre e Mei Ying carece totalmente de carisma, e a culpa recai principalmente sobre a atriz que interpreta Mei, que parece estar sempre tensa, como se estivesse sempre usando uma calcinha cinco números abaixo do ideal. Assim, toda a motivação do filme recai sobre a rixa entre Dre e Cheng, mas justamente essa rixa é pouco trabalhada, já que o filme decide gastar mais tempo com o treinamento de Dre e a relação amizade dos dois pombinhos coleguinhas.

"Vamos jogar bola depois, AMIGA?"

Destaque especial para o mestre de Cheng, que tem o PIOR topete da história da humanidade. Não é dificil imaginar porque o sujeito é tão rancoroso e mal humorado, se eu tivesse um corte de cabelo daqueles também seria muito mal.

As cenas do treinamento de Dre e as lutas empolgam, até pelos lugares escolhidos, com belas paisagens e boas tomadas de cena. Nesse ponto a refilmagem consegue ser até mais interessante que o original, por mostrar vários locais da China e algumas nuances do VERDADEIRO Kung Fu. Na verdade, chama a atenção a transformação corporal pelo qual passa Jaden Smith, que fica com 0% de gordura corporal, veias saltando e músculos salientes por todo o corpo, basicamente um modelo que estampa aquelas embalagens de Mega Mass. Sério, o moleque REALMENTE treinou durante o filme!

O campeonato no final do filme também é interessante, mas o diretor cometeu um pecado fatal: esqueceu de incluir A MONTAGEM

Apesar dessa falha imperdoável, o filme se segura bem no final, e você até chega a torcer pelo Dre. E, mesmo sem o Golpe da Garça, nos últimos minutos você vai estar lá, apoiado pra frente, e gritando “VAI!”.

No final, o Karatê Kid de 2010 tem vários problemas, resgata pouco do carisma do original (culpa, principalmente, das escolhas da produção, como citei acima), e é o típico filme que acabará sendo exibido até a exaustão na Sessão da Tarde.

E é aí que ele honra o original, ao ser uma diversão simples e sem pretensões, e ao proporcionar uma história que provavelmente vai encher as academias de artes marciais mundo afora com milhares de pré-adolescentes querendo aprender “aquele golpe muito louco que o moleque usa no final do filme”. Dificilmente um candidato ao Oscar, mas uma boa diversão para a criançada. O que é uma pena, já que o filme foi lançado aqui com dois meses de atraso e DEPOIS do periodo de férias escolares. Provavelmente, teria feito mais sucesso se lançado um mês antes…

Morevna, um anime feito totalmente com software livre

Por , 22 de julho de 2010 14:42

Morevna é um anime com um diferencial interessante: o projeto está sendo todo feito com ferramentas open source, como Synfig, Blender, GIMP e Krita. Mas Morevna não está apenas sendo feito com ferramentas livres e abertas: ele também será distribuído livremente, sem qualquer custo. Só baixar e assistir.

E talvez seja isso o que torna o projeto algo que mereça ser acompanhado de perto. Não é apenas um anime amador, é todo um conceito sendo desenvolvido.

A história do anime Morevna é baseado em um antigo conto de fadas russo, chamado “Marya Morevna”. Mas o anime terá um cenário futurista e high-tech, cheio das tranqueiras tecnológicas que enchem os olhos em uma animação.

Os objetivos por trás do projeto Morevna também merecem atenção:

  • Criar um filme de longa duração no formato anime, mas utilizando apenas Software Livre;
  • Promover soluções Open Source e a ideologia por trás do Sofware Livre;
  • Testar e melhorar aplicativos livres existentes, repassando comentários e problemas para desenvolvedores e a comunidade de usuários;
  • Validar ferramentas livres como alternativas válidas para criação de animações profissionais de qualidade;
  • Gerar documentação e tutoriais para que outros artistas possam aprender como usar ferramentas livres;

O vídeo abaixo mostra alguns detalhes do projeto:

Você pode saber mais sobre o projeto Morevna visitando o blog do projeto e até contribuir de alguma forma com o desenvolvimento dele. Basta ler a documentação. :)

Panorama Theme by Themocracy