Category: Anime

Artes Marciais X Mangá, Anime e Games

Por , 27 de abril de 2009 18:24

Dias atrás, enquanto limpava meu HD para instalar o Windows 7, encontrei uma pasta com arquivos que eu julgava perdidos: vários backups e originais da época em que eu mantinha o Anime Point com a ajuda de um grande amigo. O post abaixo é um texto escrito a quatro mãos, em 2000~01, sobre artes marciais em animes e games. Como ainda não perdeu a validade (apesar da maioria dos jogos e animes já ter mais de 10 anos de idade…), e o texto é REALMENTE bom, resolvi republicar aqui, com algumas pequenas alterações. Enjoy!

Uma coisa pela qual as produções japonesas, sejam mangá e animê, não costumam primar é pelo apuro científico. Ou, melhor dizendo, pelo uso de uma coisa que alguns escritores costumam chamar de pseudo-ciência, que consiste em “explicar” através de teorias pouco conhecidas ou obscuras poderes e fenômenos fantásticos em uma história. Por exemplo, a imensa maioria dos “mechas” criados no Japão é cientificamente impossível, seja por uma questão de peso, energia necessária para movimentar uma estrutura do tamanho de um prédio, armamentos mirabolantes, ou, o que é mais comum, por tudo isso junto e um pouco mais.

Turma

Ao lado: Cavaleiros do Zodíaco[bb] – Jovens japoneses canalizando uma energia universal através de técnicas marciais para proteger uma deusa grega … Dizendo assim dói, não? Além do grau normal de fidelidade da maioria das produções japonesas para com artes marciais, Cavaleiros ainda altera o nome de ki para cosmo. Exemplo perfeito de como tentar parecer novo e dispensar alguns dias de pesquisa. Já no ocidente, poderes de super-heróis são explicados como poderes vindos de mutação genética, “acidentes” com radiação ou armaduras entupidas de tecnologia. É claro que esses poderes são tão ou mais impossíveis que os “mechas” japoneses, mas é quase certo que após uma descrição das habilidades do herói, vem uma explicação de como elas funcionam, usando elementos de pseudo-ciência, como por exemplo “minhas mitocôndrias absorvem energia solar e a acumulam permitindo que eu dispare rajadas de energia“, ou, “atravesso paredes alterando minha densidade“, ou ainda “a eletricidade estática é que me faz grudar nas paredes“. Por mais furada e estapafúrdia que seja a teoria, não são raras as vezes em que tal artifício acaba gerando interesse na ciência real. Não são raros os fãs de quadrinhos e desenhos americanos que já sonharam em se tornarem cientistas por exemplo. Poucos levam essa idéia a diante, é verdade, mas esse interesse gerado pela pseudo-ciência não é a única contribuição dela. Algumas vezes as idéias inicialmente absurdas dela são revistas anos depois com mais tecnologia disponível para realizá-la, e um dos maiores exemplos disso é o famoso relógio de comunicação que o detetive Dick Tracy usava nos anos trinta, coisa que volta e meia empresas tentam tornar prática. A atitude dos autores japoneses de desprezar a pseudo-ciência pode até ter alguma lógica no que se refere a ficção científica. Afinal de contas, para que perder tempo tentando explicar o inexplicável, e não apelar simplesmente à fantasia e à imaginação? O problema é quando essa atitude de fantasiar tudo sem uma pesquisa mais séria transborda para outros gêneros, como os mangás e animês de luta por exemplo. E isso não é apenas uma demonstração de preguiça ao não se pesquisar fundamentos e filosofias das artes marciais. É perigoso à medida em que dá uma noção errada e distorcida de como são e estão as artes marciais hoje. Em geral, as motivações dos personagens desse gênero de histórias se resumem a apenas angariar mais e mais poder para derrotar o maior número possível de inimigos em menos tempo, o que não corresponde ao objetivo principal das principais artes marciais hoje. Aliás, o que nunca foi o objetivo de arte marcial nenhuma.

Origens das Artes Marciais

sfa3-142331 Ao lado: Ryu, principal personagem da série Street Fighter[bb] aplica um golpe na lutadora Rainbow Mika. Ok, tá certo que liberdades podem e algumas vezes devem ser tomadas em nome da diversão, mas existem limites. Ryu é mostrado como um mestre em sua arte, o Karatê Shotokan, um praticante introspectivo e que deseja refinar e melhorar suas habilidades de combate ao máximo. E é ai que está o problema – ele é apenas isso, alguém que esta em seu máximo fisicamente e ainda quer mais poder, acumulado através de repetidos combates. Tudo o mais que compõe a prática de uma arte marcial é posto de lado. Isso sem falar que o gancho, ou uppercut, é um golpe que não existe nesse estilo de Karatê …

Para entender o que se está tentando dizer, basta analisar as lendas que cercam as origens das artes marciais. O Kung-Fu[bb], por exemplo, teria se originado de uma viagem de um monge budista indiano à China, Bodhidharma. Bodhidharma teria feito uma peregrinação ao Templo Shaolin da província chinesa de Honan, e ali se hospedado. Ao perceber que seus anfitriões estavam fracos e sem muita saúde física devido ao enorme tempo que gastavam em meditação, o monge resolveu ensinar-lhes técnicas de combate de uma casta de guerreiros indianos chamada Kshatriya, para lhes dar algum condicionamento físico. A partir dai, esses monges iriam aperfeiçoar o que haviam aprendido com Bodhidharma por séculos, desenvolvendo o que hoje conhecemos como Kung-Fu, através da observação do movimento de animais e da filosofia budista. A viagem de Bodhidharma teria dado origem à outras duas artes marciais. O Kung-Fu acabaria influenciando nativos da ilha japonesa de Okinawa, que acabaram por desenvolver o Karatê como forma de auto defesa. Tendo origem em pleno Japão Feudal, em uma época em que portar espadas era proibido a quem não fosse samurai, o Karate era uma forma dos habitantes de Okinawa se defenderem com as mãos limpas ou com instrumentos de trabalho rural que poderiam ser usados como armas simples, como pequenas foices e bastões. Ao mesmo tempo que em Okinawa se desenvolvia o Karatê, a região que hoje constitui as Coréias do Norte e do Sul se encontrava dividida em três reinos em constante guerra. Através de influências de praticantes de Kung-Fu chineses, um grupo de aristocratas e militares de um dos reinos criou um grupo de guerreiros que se chamou Hwa-Rang-Do. Estudiosos de diversas formas de combate, como esgrima e arco e flecha, os Hwarang, como ficaram mais conhecidos, também desenvolveram técnicas de combate desarmado chamadas Tae-Kyon, que dariam origem posteriormente ao Tae Kwon Do moderno. Graças aos esforços dos Hwarang, a Coréia foi finalmente unificada. O lema dos Hwarang talvez seja uma das melhores formas de entender o que realmente significa praticar artes marciais. Seu lema era “Obediência ao rei, respeito aos pais, lealdade para com os amigos, nunca recue ante o inimigo, somente matar quando não houver alternativa“. Mais do que instrumentos de combate que visem adquirir a supremacia em um combate, artes marciais são uma filosofia de vida, um método de crescimento físico e espiritual, criado com objetivos muito diferentes do que subjugar um oponente e conseguir poder pura e simplesmente. Até em artes marciais de origens mais recentes, como o Judô e o Aikidô esse princípio é bem visível. O Judô é mundialmente reconhecido como esporte, e, desde sua fundação pelo Professor Jigoro Kano no fim do século passado, ele se preocupa em conciliar o treinamento físico com o crescimento mental do participante, enquanto que o Aikidô, criado por Morihei Ueshiba no início do século XX a partir da arte samurai conhecida como Daito-Ryu Aikijujutsu, tem na auto-defesa sua maior arma, sendo constituído em grande parte por técnicas de desarme, bloqueio e esquiva.

Continue lendo 'Artes Marciais X Mangá, Anime e Games'»

DragonBall, a prova de que a Evolução nem sempre é para melhor

Por , 13 de abril de 2009 12:39
dragonball-evolution2

"Diretor, meu pagamento cai segunda, né? Tá dificil me motivar aqui pra essa cena..."

Lembro exatamente quando o filme live-action do Street Fighter[bb] foi lançado nos cinemas. Depois de semanas sem dormir direito pensando no filme, saí correndo da escola e fui direto para o shopping. Eu simplesmente não queria apenas ver o filme no dia da estréia: eu queria ver a PRIMEIRA sessão. Queria ser um dos primeiros da cidade a ver aquele que provavelmente seria O filme da minha adolescência nérdica gamerística. Duas horas depois, saí da sala tão decepcionado que só tinha uma coisa na cabeça: avisar a maior quantidade possível de amigos da bomba, e evitar que elas gastassem o preço do ingresso com algo que não vale nem o tempo que se perde assistindo. Se você já viu o filme, sabe do que estou falando. Personagens completamente fora do lugar, atores rasos  e um roteiro vergonhoso com mais furos que minha meia. E DragonBall – Evolução é EXATAMENTE assim. Um filme que é vergonhoso enquanto adaptação, e sofrível como filme de ação. Desde as primeiras notícias sobre a adaptação eu já tinha certeza de que o filme seria fraco, mas nada poderia me preparar para o que estava por vir. Sério, encaro como missão pessoal evitar que vocês, queridos leitores, NÃO assistam essa bomba. Para começar: DragonBall[bb] sofre do mesmo mal que Street Fighter e até mesmo da versão live-action do He-man[bb] (que eu vi no cinema, vejam só…) – não é uma adaptação do conceito original, é uma história genérica qualquer com personagens que vagamente lembram os originais. Sério, não há UM personagem ali que lembre, tanto na personalidade quanto no background, os originais. Goku é um adolescente de quase 18 anos que vive sonhando pela garota mais popular da escola. Bulma tá ali só pra ocupar espaço, assim como Yamcha. E o mestre Roshi, que no original é um dos lutadores mais fortes e respeitados do mundo (até a chegada de Goku e cia.), além de um tarado de marca maior, vira apenas um bobão zen-budista que só faz repetir “seja você mesmo, lembre-se de quem você é, bláblábláblá insira filosofia ocidental aqui”. Um porre.

dragonball-evolution

Goku rindo. E chorando. E com raiva. E com qualquer outra expressão possível...

E as atuações? Mesmo Chow Yun-Fat, que é um dos poucos atores ali com uma boa bagagem de filmes, está canastríssimo, de doer. Todo o resto parece ter se graduado na Escola Cigano Igor de Belas Artes, sem expressões, sem emoções, sem um pingo de motivação em fazer uma atuação decente. Sério, se você ainda tiver coragem de assistir esse filme, repare no Yamcha e na Bulma, e tente discordar da minha opinião.

Agora, o pior: o roteiro. É tudo tão cheio de clichês, tão padronizado, tão comum, que o finado Homem Chavão provavelmente voltará a blogar se assistir esse filme. Vejamos: jovem garoto treinado pelo avô/tio/pai/sensei genérico desde criança nas artes marciais sente-se deslocado do mundo, e sofre constantes abusos na escola (sem revidar, pois ele aprendeu que lutar é errado), até o momento em que, por fugir das suas responsabilidades, o avô/tio/pai/sensei é assassinado pelo vilão genérico. Munido da vontade de se vingar, o garoto parte atrás do vilão, encontrando vários amigos pelo caminho, e descobrindo ser parte de algo maior, a própria força interior, que será usada no final, quando ele duvidar da sua própria capacidade durante a luta final. Após resolver suas dúvidas pessoais, o garoto consegue finalmente vencer o vilão, salvando o dia.

Na boa, isso é tão genérico que poderia ser um filme qualquer, não DragonBall. Acho que se puxar pela trama no IMDb devem aparecer uns quarenta filmes assim, lançados só no ano passado.

OK, a história é genérica e toda a trama em si é corrida (pudera, menos de uma hora e meia de filme…). Mas ainda não chegamos ao pior: os furos no roteiro. Sério, se você prestar atenção, vai perceber que o filme todo é um queijo suíço gigante. Querem exemplos?

  • Bulma tinha um RADAR PARA ENCONTRAR as Dragon Balls, mas desmonstrou surpresa ao descobrir que haviam várias esferas, não apenas a que foi roubada do pai dela. Sério mesmo que em nenhum momento ela olhou pro radar e pensou “ei, tem sete esferas aqui, será que é bug?”
  • Goku está indo para a festa da Chi Chi. Do nada, ele olha para a esfera que ganhou do avô, põe no bolso, e leva. Pra quê? Pra nada, pro Picollo chegar lá e matar o avô dele. O roteiro assim exigia.
  • Ainda sobre essa parte: Picollo demonstra o tempo todo que consegue sentir (ou rastrear onde estão as esferas). Então PORQUE DIABOS ele foi direto pra casa do Goku, se a esfera nem estava lá? A cena é deprimente: “É, a esfera não está aqui. Mas vou matar esse velho e destruir a casa, por que eu sou O VILÃO. Aliás… já que não encontrei essa esfera, melhor procurar as outras, depois eu volto….”
  • Mestre Roshi diz “Eu treinei seu avô, Goku” – considerando a idade do Gohan, só posso considerar que ele começou a treinar com 50 anos. Ou isso, ou Roshi tem uns dois séculos de idade….
  • Chi Chi é tipo o Juíz do Medabots: Não importa onde os personagens estejam, ela SEMPRE está por perto. Montanha? Tá lá treinando. Cidade? Campeonato de artes marciais. Templo perdido no meio do nada? Tava andando por aí, se perdeu e resolveu pedir informações. Coincidentemente, no mesmo templo onde os “heróis” estavam.
  • Aliás, que PUSTA COINCIDÊNCIA a vilã (que é irmã do Rodrigo Santoro, mal abre a boca…) estar usando a MESMA roupa da Chi Chi nessa cena, não?
  • Luta final. O carro cai (não perguntem) e do nada Goku aparece com o uniforme conhecido mundialmente. “Olha, o vilão está quase conseguindo realizar seus plano maléficos, vou colocar aqui minha roupa de luta, ou as crianças não vão me reconhecer” – boa, campeão.
  • Goku vira o Oozaru (que no desenho é um macaco gigante, no filme vira o lobisomem da novela “Os Mutantes“), arrebentando por completo a roupa. E o que acontece quando ele volta ao normal? A roupa está em perfeito estado, com a faixa na cintura AMARRADA! Eu preciso de uma parada dessas!

Percebam, eu nem mesmo estou citando as diferenças entre o mangá e o filme: estou falando dos erros na história!

Sobre os efeitos especiais, nada a declarar. Pensei em fazer o comentário óbvio de que eles estão perfeitos para um filme da década de 90. Mas é engraçado comparar com um filme chines de 1989 e perceber que ele consegue trazer efeitos mais convincentes:


Link do vídeo pro povo do feed não reclamar…

Resumindo: DragonBall Evolution é uma porcaria. Uma história chata, previsível do começo ao fim, com atores inexpressivos e péssimos efeitos especiais. Talvez faça a alegria da garotada na faixa dos 5~6 anos, mas tenho pena dos pais que forem levá-las ao cinema.

Assim como tenho pena dos pobres adolescentes nerds que irão para o cinema, e sairão de lá decepcionados. Cada geração tem o seu Street Fighter. DragonBall: Evolução é o Street Fighter dessa geração.


Update rápido: Jovens, vocês que estão lendo esse post, aproveitem e deêm uma ajuda pra namorada: cliquem nesse link e garantam a ela um par de botas da Dijean! :D

Sucesso mundial, “Tropa de Elite” inspira mangá japonês

Por , 1 de abril de 2009 13:20

O namoro entre o Brasil e o Japão está gerando frutos: Depois do ótimo Michiko to Hatchin (review em breve), agora é hora de um mangá buscar  inspiração aqui na terrinha: Estamos falando de Elite Troopers Zero, mangá que está sendo lançado no Japão e é baseado no filme Tropa de Elite.

Escrito e desenhado por Junichiro Saruwatari, Elite Troopers Zero está sendo publicado na antologia seinen (mangás com tom mais adulto, ver mais na Wikipedia) Comic Punch Max, da Shijinsha, e trata de um prequel do filme, mostrando um Capitão Nascimento ainda como PM, antes de ingressar no BOPE. Pelo que procurei, o processo de tradução do mangá para o português está meio parado (talvez pela série ter sido lançada sem muito alarde), por isso só consegui encontrar duas páginas traduzidas.  mas pelo que vi do primeiro capítulo o começo será um pouco mais lento, mostrando o que aconteceu para transformar o soldado Nascimento no truculento capitão do filme.

Como é um seinen, podemos esperar algo bem mais próximo da realidade (exato, nada de Burning Cosmo aqui…), e várias cenas de violência e sexo recheando as páginas da saga. Abaixo, um preview das primeiras páginas do mangá:

Pessoalmente, espero que alguma editora brasileira traga essa série pra cá. Com as série “Força Tarefa” sendo exibida pela Globo, e o sucesso de “A Lei e o Crime” pela Record, é bem provável que esse mangá venderia bem por aqui.

Fonte: Nihon no Baka

UPDATE:

Exatamente uma semana atrás, publiquei aqui um post sobre um mangá baseado em Tropa de Elite. Os mais espertos sacaram que qualquer notícia em um 1º de Abril não deveria exatamente ser levada a sério, mas é engraçado perceber que MUITA gente acreditou, inclusive indo parar no Yahoo! Notícias como sendo uma notícia real.

Não vou negar, boa parte dos créditos pela façanha devem ir para o Lancaster, que pegou minha idéia para esse 1º de Abril e criou páginas que enganariam tranquilamente até mesmo os fãs mais detalhistas.

A idéia inicialmente, era como tudo o que rola na minha cabeça e fica semanas sendo moldada até ir para o teclado: apenas uma idéia. Comecei a montar um background crível para ele, e iniciei a parte mais complicada da mentira: entrar em contato com amigos desenhistas (ou amigos que tivessem contatos com desenhistas) com um pedido: “quero criar uma brincadeira de 1º de Abril, e preciso de alguém capaz de desenhar algumas páginas, com uma qualidade que faça o negócio ao menos parecer real”.

O resultado, depois do Lancaster aceitar o desafio, foi exatamente o que vocês viram no post de 1º de Abril. Páginas de um mangá que, por muito pouco (maldito deadline!) não saíram TODAS com kanjis. E que pegou uma boa quantidade de gente.

Se você caiu, sinto muito. Mas, acredite, essa é uma notícia que eu realmente queria que fosse verdadeira… ;)

E se Watchmen tivesse virado um desenho?

Por , 5 de março de 2009 10:54

watchmen_cartoon

A década de 80 (e o início da década de 90) foi uma época engraçada para os cartoons: QUALQUER COISA virava desenho, mesmo que fosse um filme ultra violento. Rambo? Confere. Robocop? Confere. Godzilla? Tá lá. E continua.

Estranhamente, Watchmen não sofreu desse mal, permanecendo “imaculado” até 2009, com o lançamento de um filme que vem dividindo opiniões.

watchmen_cartoon2

E é aí que entra a internet: Um usuário do NewGrounds montou uma animação, recheada dos mais deliciosos clichês (Só na primeira olhada, já vi Tartarugas Ninja, Scooby-doo, Jen, Transformers e outros) mostrando como seria a abertura de um desenho dos Watchmen na década de 80. Personagens suavizados, piscadinhas para a tela, animais falantes, e tudo o mais. Provavelmente, a coisa mais engraçada das últimas horas!

watchmen_cartoon3

Vale a pena uma olhada – só tome cuidado para não viciar na música chiclete. (dica do @filipekiss)

Resenha – Análise do DVD “A Morte do Superman”

Por , 19 de novembro de 2008 13:59

(A morte do Superman) [bb]
Ontem finalmente pude comprar o DVD “A Morte do Superman”, nova animação da DC comics a chegar no Brasil, com ‘só’ um ano e meio de atraso (só pra lembrar, Liga da Justiça: A Nova Fronteira[bb] foi lançado depois lá fora, mas chegou antes por aqui…). Na boa, por um ano e meio de espera – convenhamos, tempo mais do que suficiente para fazer uma infinidade de downloads – o mínimo que se podia esperar é que a Warner trouxesse um DVD recheado de extras (um pôster incluso, talvez?), por um preço razoável e uma boa campanha de marketing. Mas não, ela fez justamente o contrário. E, o que é pior: nem mesmo a história vale o tanto que está sendo cobrado pelo DVD…

super01

SuperMan ou Super-Homem?

Pra começar: Só há duas opções de áudio, em inglês e português, as duas em Dolby Digital 2.0. Para quem gosta de ouvir o aúdio original e acompanhar com as legendas, uma surpresa não muito boa: a legenda tem VÁRIOS erros de tradução e de português. Coisa básica mesmo, de não se decidir entre Superman [bb] ou Super-Homem, até frases sem o menor sentido. Sem contar quando você percebe que estão falando uma coisa em inglês, mas a legenda mostra outro diálogo. Impressão de legenda feita às pressas, sem um pingo de revisão.

Além disso, uma pegadinha na hora de escolher Áudio/Legendas: há duas telas no menu, com as opções de legenda DIVIDIDAS entre cada tela, mas em nenhum momento fica claro que há um segundo menu. Para os mais desavisados, fica parecendo que simplesmente não há legenda em português.

Nos extras, a decepção: áudio com comentários, um making of, um documentário falando sobre a morte do superman nos quadrinhos, e só. Lembrando, o DVD está sendo vendido bem acima do preço ‘normal’ para animações, e já foi lançado com um ano e meio de atraso. Depois reclamam de pirataria…

E quanto a história? Na boa? Não empolga, pelo menos não o tanto que deveria. Pra começo de conversa, esse não é o mesmo Superman dos já clássicos desenhos Superman e Liga da Justiça do Bruce Timm. O que é uma droga, já que você acaba tendo que conhecer de novo os personagens. (atenção: a partir daqui, pode ter spoilers! Leia por conta e risco)

No universo do desenho, não há Liga da Justiça, não há Batman, não há heróis, só Superman. Que, por acaso está tendo um caso com a Lois Lane, sem ela saber que ele é também Clark Kent (duh!). E, quando durante uma escavação uma equipe da LexCorp acidentalmente libera o Apocalipse, é quando a pancadaria realmente começa. E pancadaria MESMO, Apocalipse MATA as pessoas sem dó nem piedade (mas é desenho americano, então há pouquíssimo sangue e todos os desmembramentos ficam sub-entendidos…). Superman aparece, rola porrada em cima de porrada, Metrópolis é parcialmente destruída, e Apocalipse morre, numa cena muito, mas MUITO furada.

super02

Aqui começa o maior chute no balde do roteiro

Sério, COMO ASSIM o Superman carrega o Apocalipse até o espaço e não o joga direto no Sol, ao invés de devolvê-lo à Terra, em altíssima velocidade, destruindo METADE de Metrópolis no processo? Meu, ele abre uma cratera no meio da cidade, destruindo milhões de dólares em propriedade alheia, sem contar em prováveis vidas, só porque viu uma garotinha sendo ameaçada, e é enterrado como herói? Na boa, não é o Superman, é o Hancock! Caramba, o Apocalipse não voa, não teria como se defender caso fosse arremessado para uma viagem sem volta até o Sol! Simples! Se é pra matar, mata direito! Nesse ponto, até mesmo a história em quadrinhos original é menos furada…

Percebam que, até aí, já estamos quase na metade da animação, e a luta durou pouco mais de dez minutos, sendo bem pouco empolgante (a luta entre Superman e Darkseid no final da Liga da Justiça Sem Limites ganha de longe). Ou seja, já dá pra ter uma idéia de como a história será bem corrida…

Após o enterro, os furos a historia continua. A criminalidade aumenta, Lois fica deprê porque perdeu o maior partidão do mundo, e Jimmy vira paparazzi. A criminalidade aumenta, a polícia não tem condições de conter os bandidos (até aí, beleza: quem ia gastar com segurança pública com o Superman vigiando a cidade?) e tudo parece acabado quando aparece um novo Homem de Aço, que na verdade é um clone perfeito, criado por Lex Luthor! Uau! Meu alerta de clichê atingiu nível máximo!

super03

"Vocês nunca me pegarão vivo!"

Aí, mais um furo. OK, eu sou um vilão, e por pura coincidência uma das maiores mentes do planeta. E, já que vou clonar meu maior inimigo, qual o problema em colocar a única salvaguarda possível em um local acessível via raio laser e uma tesoura? A mente mais poderosa do universo nunca ouviu falar em, sei lá, MEDULA? Ou, quem sabe, uma trava de emergência pro caso da primeira falhar? Pô, EU poderia ser um vilão muito melhor que o Luthor…

Enfim, o Superclone enlouquece, o Superman volta (com 60% da força, que é pra dar um drama na luta), rola uma pancadaria um pouco mais empolgante que na luta contra o Apocalipse (percebam que se passou pouco mais de um mês desde a primeira luta, e Metropólis já está totalmente reconstruída, pronta pra ser destruída novamente! Os roteiristas tão assistindo muito Tokusatsu, sério…) e o Superman finalmente vira homem e mata o SuperClone. No final, após uma luta corrida, um roteiro cheio de furos e um monte de pontas soltas, a população agradece o retorno do verdadeiro herói. Óbvio, se eu sou um Zé Ruela qualquer, e vejo um cara de preto com cabelo longo batendo no Superman que enlouqueceu, é ÓBVIO que vou aceitar que aquele é o Superman original…

Talvez eu esteja sendo mais crítico que o normal, mas a história não me empolgou como deveria, e o DVD não trouxe nada de extra que pudesse me fazer pensar que o preço pago foi válido. A morte do Superman é uma mostra do que os desenhos da Paul Dini e Bruce Timm fizeram: qualquer coisa abaixo do alto padrão de qualidade que eles impuseram para animações da DC Comics gera comparações, obviamente para pior. O mesmo aqui.

O filme é um ótimo “Sessão Pipoca”, e só. Compre apenas se você for um grande fã do Homem de Aço, ou se você não se importa muito com detalhes técnicos, como coerência no roteiro.

Ou compre logo “A nova fronteira” – esse sim, vale o quanto custa.

Panorama Theme by Themocracy