Category: Filmes

Karate Kid (2010) – Legal, mas faltou um pouco de Garça

Por , 27 de agosto de 2010 15:18

Quando ouvi falar que estavam planejando um remake de “Karate Kid[bb]“, a primeira coisa que pensei foi “Legal, vão matar outro clássico”. E não é difícil de imaginar o motivo: nos últimos anos tivemos nos cinemas uma onda de remakes de filmes e séries antigos, a maioria de qualidade duvidosa (e estou sendo bonzinho na avaliação). A idéia de que o mesmo aconteceria com o novo Karate Kid passava pela cabeça de todos, ainda mais quando as primeiras informações começaram a surgir, com um ator muito jovem no papel de “garoto que apanha” e com o Jackie Chan como o mestre, e que na verdade a luta do filme não seria nem mesmo Karatê (que se originou no Japão), mas sim Kung Fu (originário da China).

Com a expectativa baixa, meu amigo Paul Torrent me convidou para uma pré-estréia exclusiva na minha casa, e posso dizer que apesar das mudanças, o Karate Kid de 2010 é um filme que merece ser assistido. Tem problemas sérios no roteiro, mas se você ignorar esses detalhes, o filme não desonra o original.

Primeiro a história. Provavelmente você já conhece, já que pouco muda com relação ao original, mas em favor ao Eric Franco, darei uma resumida:

Garoto que vive só com a mãe é obrigado a se mudar para uma nova cidade, onde não conhece ninguém e não tem amigos. Ao se aproximar de uma garota, ele começa a sofrer perseguição de garotos do colégio que lutam Karatê, e vai precisar contar com a ajuda do zelador do condomínio em que ele vive, um velho japonês que conhece o verdadeiro Karatê. Juntos, eles treinarão Karatê de forma pouco convencional para que o garoto possa resolver seus problemas com os delinquentes em um campeonato de Karatê!

Bem simples, na verdade, o caso clássico do garoto fraco que acaba treinando e no final consegue vencer seus inimigos e ficar com a garota.

O problema é que nesse novo filme acontecem várias mudanças no roteiro: saem os garotos de 16-17 anos e entram garotos de 11-12. Sai a mudança de cidade e entra a mudança de país, direto para a China. Saem os treinamentos sem sentido e entram treinamentos que passam uma lição de moral importante. E sai o japonês com cara de sábio e entra o chinês com cara de mendigo. Aí, começam os problemas no roteiro, como eu falei no começo.

Quero vinte iPhones pra HOJE!

De tudo, o que mais me incomodou foi a mudança na idade dos personagens: no original,  é perfeitamente claro que Daniel Larusso tem um interesse a mais na garota, e é isso que impulsiona todos os conflitos dentro da história. Na refilmagem, os personagens são muito jovens para que esse conflito exista. E, no final, todo o triângulo amoroso some e dá espaço à busca pela amizade. E os jovens que perseguem Dre Parker (Jaden Smith, o personagem principal do filme), só fazem isso porque… eles são racistas. Afinal, onde já se viu um americano negro querer ser AMIGO de uma chinesa na China, né?

A relação entre Dre e Sr. Han (Jackie Chan, mostrando que ainda tem um certo fôlego) não tem o mesmo carisma que a relação entre Daniel e Sr. Miyagi. No original, os dois acabam criando uma relação próxima à de um pai e filho, e no novo Jackie está constantemente afastado, sério, sisudo, sem demonstrar preocupação visível com Dre.

E aí chegamos ao principal furo no roteiro: No original, Daniel já era um jovem com certa autonomia, e a mudança foi apenas de cidades, dentro do mesmo país. Fazia sentido imaginar que a mãe dele não se importaria com o rapaz saindo com um velho para treinar. No novo filme, Dre é MUITO novo, não sabe nada de chinês (como demonstrado logo no começo do filme) e fica estranho aceitar que a mãe dele deixaria ele sair China afora com um homem muito mais velho. Consigo até imaginar o diálogo:

- “Mãe, eu que sou baixinho e mirrado posso viajar de trem até o interior da China com um homem que não conhecemos e que tem totais condições de me sequestar, abusar de mim por longos períodos, e quando estiver enjoado me vender como escravo para uma fábrica da Foxxconn, onde serei obrigado a fabricar iPhones por US$ 0,0021 a hora?”

- “Claro, filhinho. Mas leve a blusa”.

Sério. A mãe do Dre seria presa por abandono na vida real. Mas divago.

Você não vai fazer nada de errado comigo, né?

Ainda sobre os personagens, o romance amizade entre Dre e Mei Ying carece totalmente de carisma, e a culpa recai principalmente sobre a atriz que interpreta Mei, que parece estar sempre tensa, como se estivesse sempre usando uma calcinha cinco números abaixo do ideal. Assim, toda a motivação do filme recai sobre a rixa entre Dre e Cheng, mas justamente essa rixa é pouco trabalhada, já que o filme decide gastar mais tempo com o treinamento de Dre e a relação amizade dos dois pombinhos coleguinhas.

"Vamos jogar bola depois, AMIGA?"

Destaque especial para o mestre de Cheng, que tem o PIOR topete da história da humanidade. Não é dificil imaginar porque o sujeito é tão rancoroso e mal humorado, se eu tivesse um corte de cabelo daqueles também seria muito mal.

As cenas do treinamento de Dre e as lutas empolgam, até pelos lugares escolhidos, com belas paisagens e boas tomadas de cena. Nesse ponto a refilmagem consegue ser até mais interessante que o original, por mostrar vários locais da China e algumas nuances do VERDADEIRO Kung Fu. Na verdade, chama a atenção a transformação corporal pelo qual passa Jaden Smith, que fica com 0% de gordura corporal, veias saltando e músculos salientes por todo o corpo, basicamente um modelo que estampa aquelas embalagens de Mega Mass. Sério, o moleque REALMENTE treinou durante o filme!

O campeonato no final do filme também é interessante, mas o diretor cometeu um pecado fatal: esqueceu de incluir A MONTAGEM

Apesar dessa falha imperdoável, o filme se segura bem no final, e você até chega a torcer pelo Dre. E, mesmo sem o Golpe da Garça, nos últimos minutos você vai estar lá, apoiado pra frente, e gritando “VAI!”.

No final, o Karatê Kid de 2010 tem vários problemas, resgata pouco do carisma do original (culpa, principalmente, das escolhas da produção, como citei acima), e é o típico filme que acabará sendo exibido até a exaustão na Sessão da Tarde.

E é aí que ele honra o original, ao ser uma diversão simples e sem pretensões, e ao proporcionar uma história que provavelmente vai encher as academias de artes marciais mundo afora com milhares de pré-adolescentes querendo aprender “aquele golpe muito louco que o moleque usa no final do filme”. Dificilmente um candidato ao Oscar, mas uma boa diversão para a criançada. O que é uma pena, já que o filme foi lançado aqui com dois meses de atraso e DEPOIS do periodo de férias escolares. Provavelmente, teria feito mais sucesso se lançado um mês antes…

E o Besouro quase avuou

Por , 21 de outubro de 2009 10:56

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Representação gráfica da pré-estréia. Cortesia do @trotta

Logo na primeira vez que vi o trailer de Besouro, já  fiquei empolgado: era um filme brasileiro, com uma história que fugia totalmente do “favelados e bandidos que são apenas vítimas da sociedade” e do “classe média se mete em altas confusões”, argumentos típicos dos blockbusters nacionais. Tudo indicava que seria uma película de ação com boas doses de pancadaria, envolvendo figuras históricas do nosso país. Não nego, foi um dos primeiros filmes nacionais que aguardei ansiosamente pela estréia. E, graças aos ingressos cedidos pelo Trotta (que por sua vez foram cedidos pelo blog Melhores do Mundo), pude estar presente na pré-estreia.

E, infelizmente, como sempre acontece quando rola muita expectativa, o resultado foi abaixo do esperado.

A sinopse é simples: Besouro é um capoeirista na Bahia da década de 1920, que após o assassinato do seu mestre precisa reunir forças, crescer como pessoa, e liderar a luta contra a opressão do povo negro, que continua sendo tratado como um bando de animais, mesmo depois de quase 40 anos da abolição da escravatura. Tudo isso usando a capoeira e o misticismo da cultura negra, com os orixás e o candomblé. O plot básico de histórias de ação, vejam só. O problema é com a execução do plot: Besouro se vende nos trailers como um filme centrado em ação, e até começa como um filme típico de vingança + artes marciais que a Ásia produz às centenas todo ano. Mas do nada o diretor resolve fazer do filme algo mais contemplativo, com longas tomadas de paisagens entrecortadas por uma música baiana típica ou uma narração em off, tentando explicar a cena.

Ou seja, você vai no cinema achando que vai encarar um filme antigo do Jet Li e acaba vendo um filme do Kurosawa.

Até aí, nada demais. Ambas as vertentes do cinema são boas, e atendem públicos e gostos específicios. O complicado é tentar juntar ambas as formas de fazer cinema em um filme que tem menos de uma hora e meia de duração. Tudo o que diz respeito ao andamento da história é MUITO rápido, há cortes violentos na narrativa, vários subplots são inexplorados, e muita coisa que podia (e devia) ter sido melhor trabalhada fica de fora. Sacrificar uns dois ou três minutos das cenas em que Besouro incorpora um sapo debaixo d’água (assistam e vocês vão entender) e usá-los para explorar melhor a relação de amizade/rivalidade entre Besouro e Quero-Quero teria feito uma grande diferença.

E é justamente essa necessidade de agradar tanto o público ‘jovem’ quanto o público ‘intelectual’ que acaba fazendo o filme sacrificar a parte mais esperada: as cenas de luta. Os efeitos especiais estão perfeitos e a coreografia é impecável, que nada deixa a desejar se comparamos com os clássicos do cinema chinês. Mas, se pegarmos todas as cenas de luta, provavelmente teremos menos de cinco minutos de filme. O que é estranho: praticamente TODO o filme é Besouro se preparando para lutar contra os homens do Coronel – e você fica lá, esperando por algo épico, digno das grandes batalhas do cinema, e quando começa a tocar a música, e você acha que Besouro vai finalmente atingir o sétimo sentido, ultrapassar os limites de um supercapoeirista-jin normal, liberar o bankai e – insira aqui outras referências nerds -, o filme acaba.

20091020_besouro_voando

Besouro voando. Se você já viu "O Tigre e o Dragão", vai pegar a referência. Mesmo que a cena na versão nacional dure dois segundos

É, isso mesmo: acaba sem uma luta final digna. Rola uma mensagem “a luta continua companheiro”, fica um clima “o bem vai vencer o mal e afastar o temporal” e sobem os créditos. Juro. E você fica ali, sabendo que TUDO o que faltava para o filme ser épico seriam mais uns quinze minutinhos de ação desenfreada.

A coisa é tão corrida que mesmo o golpe especial do Besouro (o ‘kaskaskarugen horizontal’, como apelidei) ficou em segundo plano. Rola um flashback de meio segundo mostrando que Besouro aprendeu o especial ainda criança, e ele usa. Pronto.

Isso torna o filme ruim? Não, assim como uma comida com pouco tempero não é necessariamente ruim. Simplesmente… falta algo para ficar bom.

A idéia de usar personagens históricos e a cultura do povo para fazer filmes de ação é ótima. Os asiáticos fazem isso há décadas, com resultados fantásticos. E há muitas histórias e personagens no nosso folclore que poderíamos explorar. Competência técnica para isso nós temos, como mostra Besouro. Só precisamos aprender a dosar o tempero para não ficar muito salgado, ou sem gosto.

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Jet Li em "O mestre das armas" (Fearless) - Porrada, filosofia e tudo o mais misturado em um filme bem dosado, que empolga e emociona. Quem sabe um dia o Brasil faz algo assim....

Top 5 hipóteses sem sentido para a morte de David Carradine

Por , 9 de junho de 2009 12:14

444px-davidJá é fato conhecido para todos os fãs de artes marciais / atores canastrões que David Carradine partiu dessa para melhor, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas (não que seja fácil esclarecer como alguém consegue morrer nú, preso dentro de um armário, com uma corda amarrando pescoço, braços e bráulio). Mas o que poderia ser apenas mais um caso de uma sub-celebridade morrendo de forma vergonhosa envolvendo práticas sexuais bizarras tomou novos rumos quando a família do ator declarou publicamente que David Carradine não teria morrido de forma idiota, mas sim assassinado por ninjas!

(pausa para momento de descrença total)

Então, vejamos: um ator limitado e canastrão, que só teve dois grandes papéis dignos de nota na carreira (um, foi ‘roubado’ de Bruce Lee, outro foi uma homenagem ao primeiro), é encontrado morto no que parece ter sido uma auto-masturbação com sufocamento, e ao invés de ser a primeira sub-celebridade a figurar no Darwin Awards, ele é tranformado pela família em um artista marcial que tentava desmascarar secretamente máfias asiáticas?

Sério, meus mais profundos respeitos à família de David Carradine, não deve ser fácil conviver com uma morte dessas (imagina o netinho perguntando como o vovô morreu…) mas… Ninjas? Máfias? Sociedades Secretas?

Tipo… eles realmente querem que a gente acredite numa história dessas, sem o menor embasamento? (NOTA: Analisando com calma, percebemos que há uma lógica ingênua porém válida nessa teoria – Ninjas não deixam rastro. Como não há qualquer evidência da ação de ninjas na morte de Carradine, então ESTÁ PROVADO que isso foi uma ação desses malditos assassinos das sombras!)

Ninguém com QI acima de dois digitos é capaz de acreditar numa teoria dessas (até porque, convenhamos, teriam que ser ninjas MUITO sacanas para deixar o ator do jeito que foi encontrado), e é bem provável que a família tente aparecer com novas teorias para a morte de David Carradine.  Pensando nisso, resolvi adiantar o expediente e sugerir cinco possíveis teorias para a morte do ator. E, acredite se quiser, nenhuma delas envolve Uma Thurman, A Noiva ou o Five Palm Exploding Heart. Isso é coisa de amador.

5 – A teoria da iluminação espiritual

David Carradine na verdade era um artista marcial de uma modalidade há muito esquecida de Kung Fu. O ato de se prender no armário pelado e amarrado às próprias genitálias na verdade era uma técnica de meditação necessária para alcançar a técnica suprema desse estilo e se tornar um verdadeiro mestre. Aqueles incapazes de atingir o nirvana nesse estado de meditação morrem. Infelizmente, foi o que aconteceu com Carradine. Ele falhou em sua tentativa de tornar-se o mestre supremo….

4 – Bruce Lee não morreu

Nesse cenário, Bruce Lee nunca morreu. Na verdade, ele jamais perdoou David Carradine por ele ter roubado seu papel em Kung Fu. Fingindo a própria morte, Lee passou anos escondido, apenas aguardando a hora certa de concretizar sua vingança. Vingança essa que foi concretizada no dia 4 de Junho de 2009, 37 anos depois da série Kung Fu ter ido ao ar. Na China, o ideograma para ’37′ é o mesmo usado para ‘vou me vingar por você ter roubado meu papel’.

3 – Brandon Lee não morreu

Aqui, Bruce Lee morreu, mas Brandon Lee assumiu a vingança do pai. Fingindo a própria morte (convenhamos: vocês REALMENTE acreditaram naquele papinho de arma com balas de verdade no set de filmagem?), Brandon Lee treinou secretamente com a Tríade para obter sua vingança. Infelizmente, Brandon nunca entendeu muito bem o mandarim, e se confundiu todo quando o pai fez ele jurar vingança. Ao invés de ‘faça ele pagar’ ele entendeu ‘amarre-o pelado dentro do armário com uma corda unindo o pescoço e as genitais’. Erro bem comum, diga-se de passagem.

2 – Piratas mataram Carradine

pirates-ninja

Como todos sabemos, há uma luta secular entre ninjas e piratas. A morte de Carradine na verdade foi uma ação dos piratas tentando jogar a opinião pública contra os ninjas! A prova é que não foi encontrada nenhuma evidência de ninjas na cena do crime, e como bem sabemos, ninjas não deixam rastro…

1 – Tartarugas Adolescentes Mutantes Ninjas Zumbis do Espaço

ninja_turtlesRazão Bônus:

Carradine nunca foi capaz de esquecer seu brinquedinho. O vazio interno que a falta desse pequeno objeto fálico de borracha deixou em Carradine foi demais pra ele.

Link do vídeo, pro povo do feed

DragonBall, a prova de que a Evolução nem sempre é para melhor

Por , 13 de abril de 2009 12:39
dragonball-evolution2

"Diretor, meu pagamento cai segunda, né? Tá dificil me motivar aqui pra essa cena..."

Lembro exatamente quando o filme live-action do Street Fighter[bb] foi lançado nos cinemas. Depois de semanas sem dormir direito pensando no filme, saí correndo da escola e fui direto para o shopping. Eu simplesmente não queria apenas ver o filme no dia da estréia: eu queria ver a PRIMEIRA sessão. Queria ser um dos primeiros da cidade a ver aquele que provavelmente seria O filme da minha adolescência nérdica gamerística. Duas horas depois, saí da sala tão decepcionado que só tinha uma coisa na cabeça: avisar a maior quantidade possível de amigos da bomba, e evitar que elas gastassem o preço do ingresso com algo que não vale nem o tempo que se perde assistindo. Se você já viu o filme, sabe do que estou falando. Personagens completamente fora do lugar, atores rasos  e um roteiro vergonhoso com mais furos que minha meia. E DragonBall – Evolução é EXATAMENTE assim. Um filme que é vergonhoso enquanto adaptação, e sofrível como filme de ação. Desde as primeiras notícias sobre a adaptação eu já tinha certeza de que o filme seria fraco, mas nada poderia me preparar para o que estava por vir. Sério, encaro como missão pessoal evitar que vocês, queridos leitores, NÃO assistam essa bomba. Para começar: DragonBall[bb] sofre do mesmo mal que Street Fighter e até mesmo da versão live-action do He-man[bb] (que eu vi no cinema, vejam só…) – não é uma adaptação do conceito original, é uma história genérica qualquer com personagens que vagamente lembram os originais. Sério, não há UM personagem ali que lembre, tanto na personalidade quanto no background, os originais. Goku é um adolescente de quase 18 anos que vive sonhando pela garota mais popular da escola. Bulma tá ali só pra ocupar espaço, assim como Yamcha. E o mestre Roshi, que no original é um dos lutadores mais fortes e respeitados do mundo (até a chegada de Goku e cia.), além de um tarado de marca maior, vira apenas um bobão zen-budista que só faz repetir “seja você mesmo, lembre-se de quem você é, bláblábláblá insira filosofia ocidental aqui”. Um porre.

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Goku rindo. E chorando. E com raiva. E com qualquer outra expressão possível...

E as atuações? Mesmo Chow Yun-Fat, que é um dos poucos atores ali com uma boa bagagem de filmes, está canastríssimo, de doer. Todo o resto parece ter se graduado na Escola Cigano Igor de Belas Artes, sem expressões, sem emoções, sem um pingo de motivação em fazer uma atuação decente. Sério, se você ainda tiver coragem de assistir esse filme, repare no Yamcha e na Bulma, e tente discordar da minha opinião.

Agora, o pior: o roteiro. É tudo tão cheio de clichês, tão padronizado, tão comum, que o finado Homem Chavão provavelmente voltará a blogar se assistir esse filme. Vejamos: jovem garoto treinado pelo avô/tio/pai/sensei genérico desde criança nas artes marciais sente-se deslocado do mundo, e sofre constantes abusos na escola (sem revidar, pois ele aprendeu que lutar é errado), até o momento em que, por fugir das suas responsabilidades, o avô/tio/pai/sensei é assassinado pelo vilão genérico. Munido da vontade de se vingar, o garoto parte atrás do vilão, encontrando vários amigos pelo caminho, e descobrindo ser parte de algo maior, a própria força interior, que será usada no final, quando ele duvidar da sua própria capacidade durante a luta final. Após resolver suas dúvidas pessoais, o garoto consegue finalmente vencer o vilão, salvando o dia.

Na boa, isso é tão genérico que poderia ser um filme qualquer, não DragonBall. Acho que se puxar pela trama no IMDb devem aparecer uns quarenta filmes assim, lançados só no ano passado.

OK, a história é genérica e toda a trama em si é corrida (pudera, menos de uma hora e meia de filme…). Mas ainda não chegamos ao pior: os furos no roteiro. Sério, se você prestar atenção, vai perceber que o filme todo é um queijo suíço gigante. Querem exemplos?

  • Bulma tinha um RADAR PARA ENCONTRAR as Dragon Balls, mas desmonstrou surpresa ao descobrir que haviam várias esferas, não apenas a que foi roubada do pai dela. Sério mesmo que em nenhum momento ela olhou pro radar e pensou “ei, tem sete esferas aqui, será que é bug?”
  • Goku está indo para a festa da Chi Chi. Do nada, ele olha para a esfera que ganhou do avô, põe no bolso, e leva. Pra quê? Pra nada, pro Picollo chegar lá e matar o avô dele. O roteiro assim exigia.
  • Ainda sobre essa parte: Picollo demonstra o tempo todo que consegue sentir (ou rastrear onde estão as esferas). Então PORQUE DIABOS ele foi direto pra casa do Goku, se a esfera nem estava lá? A cena é deprimente: “É, a esfera não está aqui. Mas vou matar esse velho e destruir a casa, por que eu sou O VILÃO. Aliás… já que não encontrei essa esfera, melhor procurar as outras, depois eu volto….”
  • Mestre Roshi diz “Eu treinei seu avô, Goku” – considerando a idade do Gohan, só posso considerar que ele começou a treinar com 50 anos. Ou isso, ou Roshi tem uns dois séculos de idade….
  • Chi Chi é tipo o Juíz do Medabots: Não importa onde os personagens estejam, ela SEMPRE está por perto. Montanha? Tá lá treinando. Cidade? Campeonato de artes marciais. Templo perdido no meio do nada? Tava andando por aí, se perdeu e resolveu pedir informações. Coincidentemente, no mesmo templo onde os “heróis” estavam.
  • Aliás, que PUSTA COINCIDÊNCIA a vilã (que é irmã do Rodrigo Santoro, mal abre a boca…) estar usando a MESMA roupa da Chi Chi nessa cena, não?
  • Luta final. O carro cai (não perguntem) e do nada Goku aparece com o uniforme conhecido mundialmente. “Olha, o vilão está quase conseguindo realizar seus plano maléficos, vou colocar aqui minha roupa de luta, ou as crianças não vão me reconhecer” – boa, campeão.
  • Goku vira o Oozaru (que no desenho é um macaco gigante, no filme vira o lobisomem da novela “Os Mutantes“), arrebentando por completo a roupa. E o que acontece quando ele volta ao normal? A roupa está em perfeito estado, com a faixa na cintura AMARRADA! Eu preciso de uma parada dessas!

Percebam, eu nem mesmo estou citando as diferenças entre o mangá e o filme: estou falando dos erros na história!

Sobre os efeitos especiais, nada a declarar. Pensei em fazer o comentário óbvio de que eles estão perfeitos para um filme da década de 90. Mas é engraçado comparar com um filme chines de 1989 e perceber que ele consegue trazer efeitos mais convincentes:


Link do vídeo pro povo do feed não reclamar…

Resumindo: DragonBall Evolution é uma porcaria. Uma história chata, previsível do começo ao fim, com atores inexpressivos e péssimos efeitos especiais. Talvez faça a alegria da garotada na faixa dos 5~6 anos, mas tenho pena dos pais que forem levá-las ao cinema.

Assim como tenho pena dos pobres adolescentes nerds que irão para o cinema, e sairão de lá decepcionados. Cada geração tem o seu Street Fighter. DragonBall: Evolução é o Street Fighter dessa geração.


Update rápido: Jovens, vocês que estão lendo esse post, aproveitem e deêm uma ajuda pra namorada: cliquem nesse link e garantam a ela um par de botas da Dijean! :D

Resenha – Análise do DVD “A Morte do Superman”

Por , 19 de novembro de 2008 13:59

(A morte do Superman) [bb]
Ontem finalmente pude comprar o DVD “A Morte do Superman”, nova animação da DC comics a chegar no Brasil, com ‘só’ um ano e meio de atraso (só pra lembrar, Liga da Justiça: A Nova Fronteira[bb] foi lançado depois lá fora, mas chegou antes por aqui…). Na boa, por um ano e meio de espera – convenhamos, tempo mais do que suficiente para fazer uma infinidade de downloads – o mínimo que se podia esperar é que a Warner trouxesse um DVD recheado de extras (um pôster incluso, talvez?), por um preço razoável e uma boa campanha de marketing. Mas não, ela fez justamente o contrário. E, o que é pior: nem mesmo a história vale o tanto que está sendo cobrado pelo DVD…

super01

SuperMan ou Super-Homem?

Pra começar: Só há duas opções de áudio, em inglês e português, as duas em Dolby Digital 2.0. Para quem gosta de ouvir o aúdio original e acompanhar com as legendas, uma surpresa não muito boa: a legenda tem VÁRIOS erros de tradução e de português. Coisa básica mesmo, de não se decidir entre Superman [bb] ou Super-Homem, até frases sem o menor sentido. Sem contar quando você percebe que estão falando uma coisa em inglês, mas a legenda mostra outro diálogo. Impressão de legenda feita às pressas, sem um pingo de revisão.

Além disso, uma pegadinha na hora de escolher Áudio/Legendas: há duas telas no menu, com as opções de legenda DIVIDIDAS entre cada tela, mas em nenhum momento fica claro que há um segundo menu. Para os mais desavisados, fica parecendo que simplesmente não há legenda em português.

Nos extras, a decepção: áudio com comentários, um making of, um documentário falando sobre a morte do superman nos quadrinhos, e só. Lembrando, o DVD está sendo vendido bem acima do preço ‘normal’ para animações, e já foi lançado com um ano e meio de atraso. Depois reclamam de pirataria…

E quanto a história? Na boa? Não empolga, pelo menos não o tanto que deveria. Pra começo de conversa, esse não é o mesmo Superman dos já clássicos desenhos Superman e Liga da Justiça do Bruce Timm. O que é uma droga, já que você acaba tendo que conhecer de novo os personagens. (atenção: a partir daqui, pode ter spoilers! Leia por conta e risco)

No universo do desenho, não há Liga da Justiça, não há Batman, não há heróis, só Superman. Que, por acaso está tendo um caso com a Lois Lane, sem ela saber que ele é também Clark Kent (duh!). E, quando durante uma escavação uma equipe da LexCorp acidentalmente libera o Apocalipse, é quando a pancadaria realmente começa. E pancadaria MESMO, Apocalipse MATA as pessoas sem dó nem piedade (mas é desenho americano, então há pouquíssimo sangue e todos os desmembramentos ficam sub-entendidos…). Superman aparece, rola porrada em cima de porrada, Metrópolis é parcialmente destruída, e Apocalipse morre, numa cena muito, mas MUITO furada.

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Aqui começa o maior chute no balde do roteiro

Sério, COMO ASSIM o Superman carrega o Apocalipse até o espaço e não o joga direto no Sol, ao invés de devolvê-lo à Terra, em altíssima velocidade, destruindo METADE de Metrópolis no processo? Meu, ele abre uma cratera no meio da cidade, destruindo milhões de dólares em propriedade alheia, sem contar em prováveis vidas, só porque viu uma garotinha sendo ameaçada, e é enterrado como herói? Na boa, não é o Superman, é o Hancock! Caramba, o Apocalipse não voa, não teria como se defender caso fosse arremessado para uma viagem sem volta até o Sol! Simples! Se é pra matar, mata direito! Nesse ponto, até mesmo a história em quadrinhos original é menos furada…

Percebam que, até aí, já estamos quase na metade da animação, e a luta durou pouco mais de dez minutos, sendo bem pouco empolgante (a luta entre Superman e Darkseid no final da Liga da Justiça Sem Limites ganha de longe). Ou seja, já dá pra ter uma idéia de como a história será bem corrida…

Após o enterro, os furos a historia continua. A criminalidade aumenta, Lois fica deprê porque perdeu o maior partidão do mundo, e Jimmy vira paparazzi. A criminalidade aumenta, a polícia não tem condições de conter os bandidos (até aí, beleza: quem ia gastar com segurança pública com o Superman vigiando a cidade?) e tudo parece acabado quando aparece um novo Homem de Aço, que na verdade é um clone perfeito, criado por Lex Luthor! Uau! Meu alerta de clichê atingiu nível máximo!

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"Vocês nunca me pegarão vivo!"

Aí, mais um furo. OK, eu sou um vilão, e por pura coincidência uma das maiores mentes do planeta. E, já que vou clonar meu maior inimigo, qual o problema em colocar a única salvaguarda possível em um local acessível via raio laser e uma tesoura? A mente mais poderosa do universo nunca ouviu falar em, sei lá, MEDULA? Ou, quem sabe, uma trava de emergência pro caso da primeira falhar? Pô, EU poderia ser um vilão muito melhor que o Luthor…

Enfim, o Superclone enlouquece, o Superman volta (com 60% da força, que é pra dar um drama na luta), rola uma pancadaria um pouco mais empolgante que na luta contra o Apocalipse (percebam que se passou pouco mais de um mês desde a primeira luta, e Metropólis já está totalmente reconstruída, pronta pra ser destruída novamente! Os roteiristas tão assistindo muito Tokusatsu, sério…) e o Superman finalmente vira homem e mata o SuperClone. No final, após uma luta corrida, um roteiro cheio de furos e um monte de pontas soltas, a população agradece o retorno do verdadeiro herói. Óbvio, se eu sou um Zé Ruela qualquer, e vejo um cara de preto com cabelo longo batendo no Superman que enlouqueceu, é ÓBVIO que vou aceitar que aquele é o Superman original…

Talvez eu esteja sendo mais crítico que o normal, mas a história não me empolgou como deveria, e o DVD não trouxe nada de extra que pudesse me fazer pensar que o preço pago foi válido. A morte do Superman é uma mostra do que os desenhos da Paul Dini e Bruce Timm fizeram: qualquer coisa abaixo do alto padrão de qualidade que eles impuseram para animações da DC Comics gera comparações, obviamente para pior. O mesmo aqui.

O filme é um ótimo “Sessão Pipoca”, e só. Compre apenas se você for um grande fã do Homem de Aço, ou se você não se importa muito com detalhes técnicos, como coerência no roteiro.

Ou compre logo “A nova fronteira” – esse sim, vale o quanto custa.

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