Category: Mangá

Review: Buda, de Osamu Tezuka

Por , 17 de dezembro de 2011 1:30

É extremamente difícil definir qual obra audiovisual mais me marcou, mas um que com certeza fica entre os cinco no topo da lista é Buda, de Osamu Tezuka. Uma obra que chama a atenção não só pelo roteiro ou pelo carisma dos personagens, mas pelo conjunto de diversos fatores.

Uma história que só poderia ser contada de forma tão singular pelas mãos de Osamu Tezuka.

A humanidade, parte da natureza, e ao mesmo tempo pequena e insignificante perto dela. Tema recurrente nas obras de Tezuka

Publicado originalmente no Japão entre 1972 e 1983 e composto de 14 volumes com aproximadamente 400 páginas cada um, Buda conta uma história que muitos já conhecem, mesmo que por cima: a transformação do príncipe Siddhartha Gautama, nascido em torno de 500 anos antes de Cristo, em Buda, o Iluminado. Tudo isso na região que hoje forma a Índia e parte da Ásia, que naquela época sofria com um sistema de castas rígido e injusto, além do pacote básico de pragas como fome, doenças, guerras e morte.Mas como acompanhar toda a trajetória de transformação propriamente dita poderia ser tediosa para quem já conhece a história de Buda, Tezuka nos apresenta durante a história diversos personagens e tramas fictícias, interligadas a situações e personagens que ou são reais ou são levemente adaptadas.

E justamente um desses personagens fictícios acaba muitas vezes roubando a cena e se tornando o personagem principal por vários capítulos, além de servirem como “guias” para o leitor, ao apresentar vários costumes e situações da época: Tahta, o pária (casta ainda mais baixa que os escravos, considerados impuros e intocáveis, algo que você já sabe se assistiu Caminho das Indías) que cruza muitas vezes o caminho de Siddhartha. Tahta é apenas um dos muitos personagens que compõem a saga, e que te prendem a ela.

Pode parecer estranho no começo esse foco excessivo em outros personagens, ainda mais se notarmos que em vários volumes Buda mal aparece (o primeiro volume é praticamente dedicado a Tahta). Mas aí é que está um dos maiores trunfos da obra e também uma prova da genialidade de Tezuka: todos os acontecimentos mostrados e todos os personagens mostrados tem um motivo para estarem ali, uma razão de existir. E, assim como numa estrada lotada de desvios e encruzilhadas, são as ações desses personagens que fazem com que eles encontrem Buda e de alguma forma contribuam para a criação do homem que se tornaria a lenda.

Um dos (muitos) pontos chave da história. Repare na técnica narrativa de Tezuka, o sofrimento inicial, e a aceitação nos olhos do personagem ao final

Uma mulher abandonada por um dos personagens coadjuvantes pode ter um filho que no futuro causará problemas a Buda. Um monge que troca meia dúzia de palavras com um personagem menor pode décadas depois ser um ponto chave na história. E por aí vai. Tezuka ainda brinca com isso, no mostrando a história de um personagem até o seu climax e deixando o final em aberto, anunciando para o leitor que só voltaríamos a ter notícias dele mais tarde na história, deixando-nos loucos para saber como aquela situação terminará e como afetará o eixo principal da história.

“O que é a vida de um homem comparada à eternidade do tempo e espaço? Nada mais que um floco de neve que brilha no Sol momentos antes de derreter no fluxo do tempo”

Não por acaso, justamente essa narrativa truncada apresenta ao leitor um dos motes da série e da própria filosofia do budismo: Todos os seres vivos dependem de outros seres vivos e são parte de um plano maior onde cada criatura tem sua função. Nada é exatamente “por acaso”. Você pode até mesmo se revoltar com os problemas que lhe acontecem, mas eles de uma certa forma serviram de alguma coisa. Nem que seja para inspirar alguém que nem mesmo nasceu ainda.

E, ao acompanhar as aproximadas 3.000 páginas de Buda, é possível que o leitor mais atento perceba que não há diferença alguma entre as intersecções quase infinitas entre os personagens e o que acontece na nossa vida. Uma chave que você não encontrou a tempo antes de sair de casa pode ter feito você perder o ônibus. O mesmo ônibus que sofreu um acidente poucos minutos depois. Uma pessoa para quem você sorriu e desejou bom dia de forma quase automática só precisava desse ato bobo de educação para chegar mais tranquila no trabalho e atender melhor as pessoas. E por aí vai. Como opinião pessoal, é delicioso quando a história que você está lendo te dá esse tipo de visão.

Ainda sobre a narrativa, a todo momento podemos ver os famosos costumes de Tezuka: personagens famosos de outras séries do autor aparecendo a todo momento, personagens quebrando a quarta parede e fazendo comentários sobre a época e costume em que a série foi escrita, e um senso de humor impar. Tudo isso torna a história gostosa de ler, mesmo em momentos mais densos e pesados. Tezuka sabe balancear muito bem o tom da história, dando o peso certo aos momentos que devem ser marcantes. E sim, há momentos bem marcantes.

Esse equilibrio também é percebido na arte: mais simples e caricatural nos momentos leves e de humor, mais detalhada nos momentos sérios e dramáticos. É como se Tezuka dissesse para o leitor “olha, a situação que acabamos de presenciar é bem tensa, e daqui a pouco piora, então relaxa por umas duas páginas”. Ainda sobre a arte, podemos ver Tezuka em sua melhor forma, com um traço que muitos podem considerar simples e datado, mas que funciona. É interessante também perceber como muitas técnicas que hoje em dia consideramos comuns ou bobas são usadas com perfeição pelo mestre.

A tensão da cena reflete a tensão do arco a ser disparado, assim como a tensão dos personagens. Repare no enquadramento apertado, no zoom crescente

No final, Buda é uma história deliciosa. Não se deixe enganar pelas 3.000 páginas, logo no primeiro volume você já estará doido para saber como a história continua e como aqueles personagens ora sofredores, ora causadores de sofrimento, mas acima de tudo humanos, evoluem. A saga de Siddhartha criada por Osamu Tezuka é cheia de reviravoltas, dúvidas, medos e provações, mas principalmente é um tratado sobre o sofrimento humano e as suas causas. Uma obra que merece ser lida.

E, acima de tudo, não se prenda a base religiosas e coisas do tipo. Tezuka mesmo não era budista, e em nenhum momento da história ocorre uma tentativa de “conversão”. Leia sem medo.Buda foi publicado no Brasil pela Conrad, e pode ser encontrado facilmente em diversas lojas online e livrarias. Outras obras de Tezuka podem ser compradas pela Book Depository, por um preço bem camarada. Esse post faz parte do #tezukaday, uma iniciativa de vários blogs para lembrar da história do mestre. Não deixe de visitar a fanpage do projeto e participar dos diversos concursos e sorteios que rolarão durante o dia de hoje, 17 de dezembro. Diversão garantida ou seu dinheiro de volta. :)

Artes Marciais X Mangá, Anime e Games

Por , 27 de abril de 2009 18:24

Dias atrás, enquanto limpava meu HD para instalar o Windows 7, encontrei uma pasta com arquivos que eu julgava perdidos: vários backups e originais da época em que eu mantinha o Anime Point com a ajuda de um grande amigo. O post abaixo é um texto escrito a quatro mãos, em 2000~01, sobre artes marciais em animes e games. Como ainda não perdeu a validade (apesar da maioria dos jogos e animes já ter mais de 10 anos de idade…), e o texto é REALMENTE bom, resolvi republicar aqui, com algumas pequenas alterações. Enjoy!

Uma coisa pela qual as produções japonesas, sejam mangá e animê, não costumam primar é pelo apuro científico. Ou, melhor dizendo, pelo uso de uma coisa que alguns escritores costumam chamar de pseudo-ciência, que consiste em “explicar” através de teorias pouco conhecidas ou obscuras poderes e fenômenos fantásticos em uma história. Por exemplo, a imensa maioria dos “mechas” criados no Japão é cientificamente impossível, seja por uma questão de peso, energia necessária para movimentar uma estrutura do tamanho de um prédio, armamentos mirabolantes, ou, o que é mais comum, por tudo isso junto e um pouco mais.

Turma

Ao lado: Cavaleiros do Zodíaco[bb] – Jovens japoneses canalizando uma energia universal através de técnicas marciais para proteger uma deusa grega … Dizendo assim dói, não? Além do grau normal de fidelidade da maioria das produções japonesas para com artes marciais, Cavaleiros ainda altera o nome de ki para cosmo. Exemplo perfeito de como tentar parecer novo e dispensar alguns dias de pesquisa. Já no ocidente, poderes de super-heróis são explicados como poderes vindos de mutação genética, “acidentes” com radiação ou armaduras entupidas de tecnologia. É claro que esses poderes são tão ou mais impossíveis que os “mechas” japoneses, mas é quase certo que após uma descrição das habilidades do herói, vem uma explicação de como elas funcionam, usando elementos de pseudo-ciência, como por exemplo “minhas mitocôndrias absorvem energia solar e a acumulam permitindo que eu dispare rajadas de energia“, ou, “atravesso paredes alterando minha densidade“, ou ainda “a eletricidade estática é que me faz grudar nas paredes“. Por mais furada e estapafúrdia que seja a teoria, não são raras as vezes em que tal artifício acaba gerando interesse na ciência real. Não são raros os fãs de quadrinhos e desenhos americanos que já sonharam em se tornarem cientistas por exemplo. Poucos levam essa idéia a diante, é verdade, mas esse interesse gerado pela pseudo-ciência não é a única contribuição dela. Algumas vezes as idéias inicialmente absurdas dela são revistas anos depois com mais tecnologia disponível para realizá-la, e um dos maiores exemplos disso é o famoso relógio de comunicação que o detetive Dick Tracy usava nos anos trinta, coisa que volta e meia empresas tentam tornar prática. A atitude dos autores japoneses de desprezar a pseudo-ciência pode até ter alguma lógica no que se refere a ficção científica. Afinal de contas, para que perder tempo tentando explicar o inexplicável, e não apelar simplesmente à fantasia e à imaginação? O problema é quando essa atitude de fantasiar tudo sem uma pesquisa mais séria transborda para outros gêneros, como os mangás e animês de luta por exemplo. E isso não é apenas uma demonstração de preguiça ao não se pesquisar fundamentos e filosofias das artes marciais. É perigoso à medida em que dá uma noção errada e distorcida de como são e estão as artes marciais hoje. Em geral, as motivações dos personagens desse gênero de histórias se resumem a apenas angariar mais e mais poder para derrotar o maior número possível de inimigos em menos tempo, o que não corresponde ao objetivo principal das principais artes marciais hoje. Aliás, o que nunca foi o objetivo de arte marcial nenhuma.

Origens das Artes Marciais

sfa3-142331 Ao lado: Ryu, principal personagem da série Street Fighter[bb] aplica um golpe na lutadora Rainbow Mika. Ok, tá certo que liberdades podem e algumas vezes devem ser tomadas em nome da diversão, mas existem limites. Ryu é mostrado como um mestre em sua arte, o Karatê Shotokan, um praticante introspectivo e que deseja refinar e melhorar suas habilidades de combate ao máximo. E é ai que está o problema – ele é apenas isso, alguém que esta em seu máximo fisicamente e ainda quer mais poder, acumulado através de repetidos combates. Tudo o mais que compõe a prática de uma arte marcial é posto de lado. Isso sem falar que o gancho, ou uppercut, é um golpe que não existe nesse estilo de Karatê …

Para entender o que se está tentando dizer, basta analisar as lendas que cercam as origens das artes marciais. O Kung-Fu[bb], por exemplo, teria se originado de uma viagem de um monge budista indiano à China, Bodhidharma. Bodhidharma teria feito uma peregrinação ao Templo Shaolin da província chinesa de Honan, e ali se hospedado. Ao perceber que seus anfitriões estavam fracos e sem muita saúde física devido ao enorme tempo que gastavam em meditação, o monge resolveu ensinar-lhes técnicas de combate de uma casta de guerreiros indianos chamada Kshatriya, para lhes dar algum condicionamento físico. A partir dai, esses monges iriam aperfeiçoar o que haviam aprendido com Bodhidharma por séculos, desenvolvendo o que hoje conhecemos como Kung-Fu, através da observação do movimento de animais e da filosofia budista. A viagem de Bodhidharma teria dado origem à outras duas artes marciais. O Kung-Fu acabaria influenciando nativos da ilha japonesa de Okinawa, que acabaram por desenvolver o Karatê como forma de auto defesa. Tendo origem em pleno Japão Feudal, em uma época em que portar espadas era proibido a quem não fosse samurai, o Karate era uma forma dos habitantes de Okinawa se defenderem com as mãos limpas ou com instrumentos de trabalho rural que poderiam ser usados como armas simples, como pequenas foices e bastões. Ao mesmo tempo que em Okinawa se desenvolvia o Karatê, a região que hoje constitui as Coréias do Norte e do Sul se encontrava dividida em três reinos em constante guerra. Através de influências de praticantes de Kung-Fu chineses, um grupo de aristocratas e militares de um dos reinos criou um grupo de guerreiros que se chamou Hwa-Rang-Do. Estudiosos de diversas formas de combate, como esgrima e arco e flecha, os Hwarang, como ficaram mais conhecidos, também desenvolveram técnicas de combate desarmado chamadas Tae-Kyon, que dariam origem posteriormente ao Tae Kwon Do moderno. Graças aos esforços dos Hwarang, a Coréia foi finalmente unificada. O lema dos Hwarang talvez seja uma das melhores formas de entender o que realmente significa praticar artes marciais. Seu lema era “Obediência ao rei, respeito aos pais, lealdade para com os amigos, nunca recue ante o inimigo, somente matar quando não houver alternativa“. Mais do que instrumentos de combate que visem adquirir a supremacia em um combate, artes marciais são uma filosofia de vida, um método de crescimento físico e espiritual, criado com objetivos muito diferentes do que subjugar um oponente e conseguir poder pura e simplesmente. Até em artes marciais de origens mais recentes, como o Judô e o Aikidô esse princípio é bem visível. O Judô é mundialmente reconhecido como esporte, e, desde sua fundação pelo Professor Jigoro Kano no fim do século passado, ele se preocupa em conciliar o treinamento físico com o crescimento mental do participante, enquanto que o Aikidô, criado por Morihei Ueshiba no início do século XX a partir da arte samurai conhecida como Daito-Ryu Aikijujutsu, tem na auto-defesa sua maior arma, sendo constituído em grande parte por técnicas de desarme, bloqueio e esquiva.

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DragonBall, a prova de que a Evolução nem sempre é para melhor

Por , 13 de abril de 2009 12:39
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"Diretor, meu pagamento cai segunda, né? Tá dificil me motivar aqui pra essa cena..."

Lembro exatamente quando o filme live-action do Street Fighter[bb] foi lançado nos cinemas. Depois de semanas sem dormir direito pensando no filme, saí correndo da escola e fui direto para o shopping. Eu simplesmente não queria apenas ver o filme no dia da estréia: eu queria ver a PRIMEIRA sessão. Queria ser um dos primeiros da cidade a ver aquele que provavelmente seria O filme da minha adolescência nérdica gamerística. Duas horas depois, saí da sala tão decepcionado que só tinha uma coisa na cabeça: avisar a maior quantidade possível de amigos da bomba, e evitar que elas gastassem o preço do ingresso com algo que não vale nem o tempo que se perde assistindo. Se você já viu o filme, sabe do que estou falando. Personagens completamente fora do lugar, atores rasos  e um roteiro vergonhoso com mais furos que minha meia. E DragonBall – Evolução é EXATAMENTE assim. Um filme que é vergonhoso enquanto adaptação, e sofrível como filme de ação. Desde as primeiras notícias sobre a adaptação eu já tinha certeza de que o filme seria fraco, mas nada poderia me preparar para o que estava por vir. Sério, encaro como missão pessoal evitar que vocês, queridos leitores, NÃO assistam essa bomba. Para começar: DragonBall[bb] sofre do mesmo mal que Street Fighter e até mesmo da versão live-action do He-man[bb] (que eu vi no cinema, vejam só…) – não é uma adaptação do conceito original, é uma história genérica qualquer com personagens que vagamente lembram os originais. Sério, não há UM personagem ali que lembre, tanto na personalidade quanto no background, os originais. Goku é um adolescente de quase 18 anos que vive sonhando pela garota mais popular da escola. Bulma tá ali só pra ocupar espaço, assim como Yamcha. E o mestre Roshi, que no original é um dos lutadores mais fortes e respeitados do mundo (até a chegada de Goku e cia.), além de um tarado de marca maior, vira apenas um bobão zen-budista que só faz repetir “seja você mesmo, lembre-se de quem você é, bláblábláblá insira filosofia ocidental aqui”. Um porre.

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Goku rindo. E chorando. E com raiva. E com qualquer outra expressão possível...

E as atuações? Mesmo Chow Yun-Fat, que é um dos poucos atores ali com uma boa bagagem de filmes, está canastríssimo, de doer. Todo o resto parece ter se graduado na Escola Cigano Igor de Belas Artes, sem expressões, sem emoções, sem um pingo de motivação em fazer uma atuação decente. Sério, se você ainda tiver coragem de assistir esse filme, repare no Yamcha e na Bulma, e tente discordar da minha opinião.

Agora, o pior: o roteiro. É tudo tão cheio de clichês, tão padronizado, tão comum, que o finado Homem Chavão provavelmente voltará a blogar se assistir esse filme. Vejamos: jovem garoto treinado pelo avô/tio/pai/sensei genérico desde criança nas artes marciais sente-se deslocado do mundo, e sofre constantes abusos na escola (sem revidar, pois ele aprendeu que lutar é errado), até o momento em que, por fugir das suas responsabilidades, o avô/tio/pai/sensei é assassinado pelo vilão genérico. Munido da vontade de se vingar, o garoto parte atrás do vilão, encontrando vários amigos pelo caminho, e descobrindo ser parte de algo maior, a própria força interior, que será usada no final, quando ele duvidar da sua própria capacidade durante a luta final. Após resolver suas dúvidas pessoais, o garoto consegue finalmente vencer o vilão, salvando o dia.

Na boa, isso é tão genérico que poderia ser um filme qualquer, não DragonBall. Acho que se puxar pela trama no IMDb devem aparecer uns quarenta filmes assim, lançados só no ano passado.

OK, a história é genérica e toda a trama em si é corrida (pudera, menos de uma hora e meia de filme…). Mas ainda não chegamos ao pior: os furos no roteiro. Sério, se você prestar atenção, vai perceber que o filme todo é um queijo suíço gigante. Querem exemplos?

  • Bulma tinha um RADAR PARA ENCONTRAR as Dragon Balls, mas desmonstrou surpresa ao descobrir que haviam várias esferas, não apenas a que foi roubada do pai dela. Sério mesmo que em nenhum momento ela olhou pro radar e pensou “ei, tem sete esferas aqui, será que é bug?”
  • Goku está indo para a festa da Chi Chi. Do nada, ele olha para a esfera que ganhou do avô, põe no bolso, e leva. Pra quê? Pra nada, pro Picollo chegar lá e matar o avô dele. O roteiro assim exigia.
  • Ainda sobre essa parte: Picollo demonstra o tempo todo que consegue sentir (ou rastrear onde estão as esferas). Então PORQUE DIABOS ele foi direto pra casa do Goku, se a esfera nem estava lá? A cena é deprimente: “É, a esfera não está aqui. Mas vou matar esse velho e destruir a casa, por que eu sou O VILÃO. Aliás… já que não encontrei essa esfera, melhor procurar as outras, depois eu volto….”
  • Mestre Roshi diz “Eu treinei seu avô, Goku” – considerando a idade do Gohan, só posso considerar que ele começou a treinar com 50 anos. Ou isso, ou Roshi tem uns dois séculos de idade….
  • Chi Chi é tipo o Juíz do Medabots: Não importa onde os personagens estejam, ela SEMPRE está por perto. Montanha? Tá lá treinando. Cidade? Campeonato de artes marciais. Templo perdido no meio do nada? Tava andando por aí, se perdeu e resolveu pedir informações. Coincidentemente, no mesmo templo onde os “heróis” estavam.
  • Aliás, que PUSTA COINCIDÊNCIA a vilã (que é irmã do Rodrigo Santoro, mal abre a boca…) estar usando a MESMA roupa da Chi Chi nessa cena, não?
  • Luta final. O carro cai (não perguntem) e do nada Goku aparece com o uniforme conhecido mundialmente. “Olha, o vilão está quase conseguindo realizar seus plano maléficos, vou colocar aqui minha roupa de luta, ou as crianças não vão me reconhecer” – boa, campeão.
  • Goku vira o Oozaru (que no desenho é um macaco gigante, no filme vira o lobisomem da novela “Os Mutantes“), arrebentando por completo a roupa. E o que acontece quando ele volta ao normal? A roupa está em perfeito estado, com a faixa na cintura AMARRADA! Eu preciso de uma parada dessas!

Percebam, eu nem mesmo estou citando as diferenças entre o mangá e o filme: estou falando dos erros na história!

Sobre os efeitos especiais, nada a declarar. Pensei em fazer o comentário óbvio de que eles estão perfeitos para um filme da década de 90. Mas é engraçado comparar com um filme chines de 1989 e perceber que ele consegue trazer efeitos mais convincentes:


Link do vídeo pro povo do feed não reclamar…

Resumindo: DragonBall Evolution é uma porcaria. Uma história chata, previsível do começo ao fim, com atores inexpressivos e péssimos efeitos especiais. Talvez faça a alegria da garotada na faixa dos 5~6 anos, mas tenho pena dos pais que forem levá-las ao cinema.

Assim como tenho pena dos pobres adolescentes nerds que irão para o cinema, e sairão de lá decepcionados. Cada geração tem o seu Street Fighter. DragonBall: Evolução é o Street Fighter dessa geração.


Update rápido: Jovens, vocês que estão lendo esse post, aproveitem e deêm uma ajuda pra namorada: cliquem nesse link e garantam a ela um par de botas da Dijean! :D

Sucesso mundial, “Tropa de Elite” inspira mangá japonês

Por , 1 de abril de 2009 13:20

O namoro entre o Brasil e o Japão está gerando frutos: Depois do ótimo Michiko to Hatchin (review em breve), agora é hora de um mangá buscar  inspiração aqui na terrinha: Estamos falando de Elite Troopers Zero, mangá que está sendo lançado no Japão e é baseado no filme Tropa de Elite.

Escrito e desenhado por Junichiro Saruwatari, Elite Troopers Zero está sendo publicado na antologia seinen (mangás com tom mais adulto, ver mais na Wikipedia) Comic Punch Max, da Shijinsha, e trata de um prequel do filme, mostrando um Capitão Nascimento ainda como PM, antes de ingressar no BOPE. Pelo que procurei, o processo de tradução do mangá para o português está meio parado (talvez pela série ter sido lançada sem muito alarde), por isso só consegui encontrar duas páginas traduzidas.  mas pelo que vi do primeiro capítulo o começo será um pouco mais lento, mostrando o que aconteceu para transformar o soldado Nascimento no truculento capitão do filme.

Como é um seinen, podemos esperar algo bem mais próximo da realidade (exato, nada de Burning Cosmo aqui…), e várias cenas de violência e sexo recheando as páginas da saga. Abaixo, um preview das primeiras páginas do mangá:

Pessoalmente, espero que alguma editora brasileira traga essa série pra cá. Com as série “Força Tarefa” sendo exibida pela Globo, e o sucesso de “A Lei e o Crime” pela Record, é bem provável que esse mangá venderia bem por aqui.

Fonte: Nihon no Baka

UPDATE:

Exatamente uma semana atrás, publiquei aqui um post sobre um mangá baseado em Tropa de Elite. Os mais espertos sacaram que qualquer notícia em um 1º de Abril não deveria exatamente ser levada a sério, mas é engraçado perceber que MUITA gente acreditou, inclusive indo parar no Yahoo! Notícias como sendo uma notícia real.

Não vou negar, boa parte dos créditos pela façanha devem ir para o Lancaster, que pegou minha idéia para esse 1º de Abril e criou páginas que enganariam tranquilamente até mesmo os fãs mais detalhistas.

A idéia inicialmente, era como tudo o que rola na minha cabeça e fica semanas sendo moldada até ir para o teclado: apenas uma idéia. Comecei a montar um background crível para ele, e iniciei a parte mais complicada da mentira: entrar em contato com amigos desenhistas (ou amigos que tivessem contatos com desenhistas) com um pedido: “quero criar uma brincadeira de 1º de Abril, e preciso de alguém capaz de desenhar algumas páginas, com uma qualidade que faça o negócio ao menos parecer real”.

O resultado, depois do Lancaster aceitar o desafio, foi exatamente o que vocês viram no post de 1º de Abril. Páginas de um mangá que, por muito pouco (maldito deadline!) não saíram TODAS com kanjis. E que pegou uma boa quantidade de gente.

Se você caiu, sinto muito. Mas, acredite, essa é uma notícia que eu realmente queria que fosse verdadeira… ;)

4 coisas que Kenshin Himura me ensinou

Por , 6 de janeiro de 2009 15:02

Homem racional que sou, nunca fui de acreditar em questões espirituais ou religiosas, muito embora acabe por vezes impressionado com certas ‘coincidências’ que ocorrem na minha vida. Uma dessas é quase sempre ler um mangá, assistir um filme, ouvir uma música ou qualquer outra coisa que resolvi ver sem qualquer aviso prévio do que viria, e descobrir que alguma parte da história ou música é EXATAMENTE o que eu precisava ver, quase como uma resposta vinda de algum lugar, direto para mim.

Um desses momentos é justamente uma edição do mangá Rurouni Kenshin[bb], já quase no final da série, que acabei lendo em um momento pessoal complicado. E, como já disse, tudo o que estava lá era o que eu precisava  no momento. Coincidência ou não, relembrando hoje é incrível como aquelas poucas páginas me tocaram e mudaram muito do que poderia ter sido da minha vida.

E é justamente a descrição desses momentos, assim como o que aprendi com os mesmos, que compartilho com vocês agora. Segurei esse texto por muito tempo, por achá-lo pessoal demais, ‘viajado’ demais, e até mesmo um tanto quanto ‘bobo’ (“uau! você tirou lições de moral de uma história em quadrinhos?”). Mas no final das contas aproveitei que estamos em clima de final de ano, época de parar para avaliar nossas vidas, para publicar esse texto. Talvez, faça alguma diferença para alguém. Assim como fez para mim…

Antes de mais nada, vamos situar os personagens (e você sempre pode saber mais sobre Rurouni Kenshin na santa Wikipedia):

ATENÇÃO: SPOILERS DAQUI EM DIANTE.

- Kenshin: personagem principal da série, um samurai que depois de lutar na revolução Meiji jurou nunca mais matar. O mote principal da série é justamente seu passado, e como esse juramento afeta sua vida; Nesse capítulo ele está em meio a uma crise de depressão: depois de (supostamente) não conseguir salvar a vida da mulher que amava (a segunda mulher que amava), Kenshin desiste da vida, sela a espada e vai viver no vilarejo dos Párias, um local onde vivem os excluídos da sociedade. Todos tentam de alguma forma tirá-lo de lá, mas tudo o que ele diz a todos é “Já chega…”

- Yahiko: Garoto orfão, filho de samurais, é ‘adotado’ por Kenshin e Kaoru, e começa a treinar o estilo Kamiya Kassin. No começo dessa saga ele percebe que é incapaz de acompanhar Kenshin e Sanosuke nas lutas, ficando sempre atrás deles. Decide então tornar-se um mestre no estilo Kassin, desejando um dia estar lado a lado com seus amigos, e não atrás, vendo apenas as costas deles. Nesse capítulo, ele resolve que deve proteger as pessoas, assim como Kenshin fazia, até que o mesmo consiga sair da depressão.

- Kujiranami: Um ex-samurai gigante que possui um ódio mortal contra Kenshin – No passado, ele teve o braço decepado pelo herói, que preferiu não matá-lo. Kujiranami considerou que Kenshin não matá-lo era uma humilhação acima de qualquer possível, e passou a viver em torno de uma vingança. Nesse capítulo, Kujiranami escapa da prisão, rouba um lançador de granadas que pode ser acoplado ao braço, e sai destruindo toda a cidade, atrás de Kenshin.

- Tsubame: uma garota que faz o papel de interesse romântico do Yahiko. Tem pouca importância na história, mas nesse capítulo possui um papel especial.

A história até o momento: Kenshin virou emo, Sanosuke foi resolver umas pendências de família, e todo o resto do grupo foi investigar o paradeiro de Enishi, vilão que causou todos os problemas a Kenshin nessa saga. Enquanto isso, Kujiranami foge da prisão, e começa a destruir geral com um lançador de granadas acoplado no braço. E o único que pode detê-lo é Yahiko.

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