Category: Resenhas

Karate Kid (2010) – Legal, mas faltou um pouco de Garça

Por , 27 de agosto de 2010 15:18

Quando ouvi falar que estavam planejando um remake de “Karate Kid[bb]“, a primeira coisa que pensei foi “Legal, vão matar outro clássico”. E não é difícil de imaginar o motivo: nos últimos anos tivemos nos cinemas uma onda de remakes de filmes e séries antigos, a maioria de qualidade duvidosa (e estou sendo bonzinho na avaliação). A idéia de que o mesmo aconteceria com o novo Karate Kid passava pela cabeça de todos, ainda mais quando as primeiras informações começaram a surgir, com um ator muito jovem no papel de “garoto que apanha” e com o Jackie Chan como o mestre, e que na verdade a luta do filme não seria nem mesmo Karatê (que se originou no Japão), mas sim Kung Fu (originário da China).

Com a expectativa baixa, meu amigo Paul Torrent me convidou para uma pré-estréia exclusiva na minha casa, e posso dizer que apesar das mudanças, o Karate Kid de 2010 é um filme que merece ser assistido. Tem problemas sérios no roteiro, mas se você ignorar esses detalhes, o filme não desonra o original.

Primeiro a história. Provavelmente você já conhece, já que pouco muda com relação ao original, mas em favor ao Eric Franco, darei uma resumida:

Garoto que vive só com a mãe é obrigado a se mudar para uma nova cidade, onde não conhece ninguém e não tem amigos. Ao se aproximar de uma garota, ele começa a sofrer perseguição de garotos do colégio que lutam Karatê, e vai precisar contar com a ajuda do zelador do condomínio em que ele vive, um velho japonês que conhece o verdadeiro Karatê. Juntos, eles treinarão Karatê de forma pouco convencional para que o garoto possa resolver seus problemas com os delinquentes em um campeonato de Karatê!

Bem simples, na verdade, o caso clássico do garoto fraco que acaba treinando e no final consegue vencer seus inimigos e ficar com a garota.

O problema é que nesse novo filme acontecem várias mudanças no roteiro: saem os garotos de 16-17 anos e entram garotos de 11-12. Sai a mudança de cidade e entra a mudança de país, direto para a China. Saem os treinamentos sem sentido e entram treinamentos que passam uma lição de moral importante. E sai o japonês com cara de sábio e entra o chinês com cara de mendigo. Aí, começam os problemas no roteiro, como eu falei no começo.

Quero vinte iPhones pra HOJE!

De tudo, o que mais me incomodou foi a mudança na idade dos personagens: no original,  é perfeitamente claro que Daniel Larusso tem um interesse a mais na garota, e é isso que impulsiona todos os conflitos dentro da história. Na refilmagem, os personagens são muito jovens para que esse conflito exista. E, no final, todo o triângulo amoroso some e dá espaço à busca pela amizade. E os jovens que perseguem Dre Parker (Jaden Smith, o personagem principal do filme), só fazem isso porque… eles são racistas. Afinal, onde já se viu um americano negro querer ser AMIGO de uma chinesa na China, né?

A relação entre Dre e Sr. Han (Jackie Chan, mostrando que ainda tem um certo fôlego) não tem o mesmo carisma que a relação entre Daniel e Sr. Miyagi. No original, os dois acabam criando uma relação próxima à de um pai e filho, e no novo Jackie está constantemente afastado, sério, sisudo, sem demonstrar preocupação visível com Dre.

E aí chegamos ao principal furo no roteiro: No original, Daniel já era um jovem com certa autonomia, e a mudança foi apenas de cidades, dentro do mesmo país. Fazia sentido imaginar que a mãe dele não se importaria com o rapaz saindo com um velho para treinar. No novo filme, Dre é MUITO novo, não sabe nada de chinês (como demonstrado logo no começo do filme) e fica estranho aceitar que a mãe dele deixaria ele sair China afora com um homem muito mais velho. Consigo até imaginar o diálogo:

- “Mãe, eu que sou baixinho e mirrado posso viajar de trem até o interior da China com um homem que não conhecemos e que tem totais condições de me sequestar, abusar de mim por longos períodos, e quando estiver enjoado me vender como escravo para uma fábrica da Foxxconn, onde serei obrigado a fabricar iPhones por US$ 0,0021 a hora?”

- “Claro, filhinho. Mas leve a blusa”.

Sério. A mãe do Dre seria presa por abandono na vida real. Mas divago.

Você não vai fazer nada de errado comigo, né?

Ainda sobre os personagens, o romance amizade entre Dre e Mei Ying carece totalmente de carisma, e a culpa recai principalmente sobre a atriz que interpreta Mei, que parece estar sempre tensa, como se estivesse sempre usando uma calcinha cinco números abaixo do ideal. Assim, toda a motivação do filme recai sobre a rixa entre Dre e Cheng, mas justamente essa rixa é pouco trabalhada, já que o filme decide gastar mais tempo com o treinamento de Dre e a relação amizade dos dois pombinhos coleguinhas.

"Vamos jogar bola depois, AMIGA?"

Destaque especial para o mestre de Cheng, que tem o PIOR topete da história da humanidade. Não é dificil imaginar porque o sujeito é tão rancoroso e mal humorado, se eu tivesse um corte de cabelo daqueles também seria muito mal.

As cenas do treinamento de Dre e as lutas empolgam, até pelos lugares escolhidos, com belas paisagens e boas tomadas de cena. Nesse ponto a refilmagem consegue ser até mais interessante que o original, por mostrar vários locais da China e algumas nuances do VERDADEIRO Kung Fu. Na verdade, chama a atenção a transformação corporal pelo qual passa Jaden Smith, que fica com 0% de gordura corporal, veias saltando e músculos salientes por todo o corpo, basicamente um modelo que estampa aquelas embalagens de Mega Mass. Sério, o moleque REALMENTE treinou durante o filme!

O campeonato no final do filme também é interessante, mas o diretor cometeu um pecado fatal: esqueceu de incluir A MONTAGEM

Apesar dessa falha imperdoável, o filme se segura bem no final, e você até chega a torcer pelo Dre. E, mesmo sem o Golpe da Garça, nos últimos minutos você vai estar lá, apoiado pra frente, e gritando “VAI!”.

No final, o Karatê Kid de 2010 tem vários problemas, resgata pouco do carisma do original (culpa, principalmente, das escolhas da produção, como citei acima), e é o típico filme que acabará sendo exibido até a exaustão na Sessão da Tarde.

E é aí que ele honra o original, ao ser uma diversão simples e sem pretensões, e ao proporcionar uma história que provavelmente vai encher as academias de artes marciais mundo afora com milhares de pré-adolescentes querendo aprender “aquele golpe muito louco que o moleque usa no final do filme”. Dificilmente um candidato ao Oscar, mas uma boa diversão para a criançada. O que é uma pena, já que o filme foi lançado aqui com dois meses de atraso e DEPOIS do periodo de férias escolares. Provavelmente, teria feito mais sucesso se lançado um mês antes…

Morevna, um anime feito totalmente com software livre

Por , 22 de julho de 2010 14:42

Morevna é um anime com um diferencial interessante: o projeto está sendo todo feito com ferramentas open source, como Synfig, Blender, GIMP e Krita. Mas Morevna não está apenas sendo feito com ferramentas livres e abertas: ele também será distribuído livremente, sem qualquer custo. Só baixar e assistir.

E talvez seja isso o que torna o projeto algo que mereça ser acompanhado de perto. Não é apenas um anime amador, é todo um conceito sendo desenvolvido.

A história do anime Morevna é baseado em um antigo conto de fadas russo, chamado “Marya Morevna”. Mas o anime terá um cenário futurista e high-tech, cheio das tranqueiras tecnológicas que enchem os olhos em uma animação.

Os objetivos por trás do projeto Morevna também merecem atenção:

  • Criar um filme de longa duração no formato anime, mas utilizando apenas Software Livre;
  • Promover soluções Open Source e a ideologia por trás do Sofware Livre;
  • Testar e melhorar aplicativos livres existentes, repassando comentários e problemas para desenvolvedores e a comunidade de usuários;
  • Validar ferramentas livres como alternativas válidas para criação de animações profissionais de qualidade;
  • Gerar documentação e tutoriais para que outros artistas possam aprender como usar ferramentas livres;

O vídeo abaixo mostra alguns detalhes do projeto:

Você pode saber mais sobre o projeto Morevna visitando o blog do projeto e até contribuir de alguma forma com o desenvolvimento dele. Basta ler a documentação. :)

Fúria de Titãs – Ou: como seria “God of War” no cinema

Por , 20 de maio de 2010 16:15


O pôster do filme no Japão foi desenhado pelo Masami Kurumada. Vai dizer que você não reparou que as armaduras do filme lembram um pouco Cavaleiros do Zodíaco?

Refilmagem do grande clássico stop-motion de 1981, a nova versão de Fúria de Titãs tem uma trama razoavelmente simples: Perseu é o filho


Hades quer tomar o Olimpo pra si

adotivo de pescadores que acaba tendo a família morta por Hades, e jura vingança contra o deus do submundo. Resgatado do mar depois que o barco da família afundou, Perseu acaba indo parar na cidade de Argos, onde o rei incita os cidadãos a renegar Zeus (o que enfraquece os deuses do Olimpo, que retiram sua força da prece dos humanos). Percebendo aí a chance de tomar todo o Olimpo para si, Hades joga uma pilha errada em Zeus e ganha a permissão para tocar o terror nos humanos. Assim, Hades dá um ultimato para Argos: Se eles não sacrificarem a princesa Andrômeda em até 10 dias, a cidade será destruída pelo poderoso Kraken.

Nota: Não sei se é má vontade minha, mas aí já começa o maior furo pra da história. Cacete, se eu morasse numa cidade da Grécia antiga e um deus aparecesse dizendo que ia destruir tudo em dez dias, eu simplesmente falaria “Maria, junta us mininu e faz as malas que a gente tá indo passar umas férias no campo”. Mas, enfim, divago.


Tudo porque falaram que Andrômeda é mais bonita que os deuses

Com a cidade (ou a vida da princesa, o que vier primeiro) em risco, cabe à Perseu (recém-descoberto semi-deus) unir o útil ao agradável e pegar uns guerreiros de Argos para ajudá-lo a descobrir uma forma de derrotar o Kraken para salvar a princesa E destruir Hades no processo. Só que Hades é maroto e vai colocar vários obstáculos no meio do caminho, já que o que ele quer mesmo é ver a casa caindo. A partir daí temos uma série de sub-quests pros personagens ganharem XP e itens raros (incluindo aí uma espada de luz e o todo poderoso Pegasus, que faz em cinco minutos uma viagem de mais ou menos dez dias), até que finalmente chegamos à batalha final contra o todo poderoso Kraken. Fim.

Veja, tramas simples não são exatamente sinônimo de filme ruim, tudo depende de um roteiro que saiba aproveitar as duas horas de filme sem parecer cansativo, e de um diretor decente. Não é exatamente o caso aqui, ainda mais se levarmos em conta o tanto de liberdades que foram tomadas com a mitologia oficial. O roteiro tem alguns furos chatos (olha, estamos no meio de uma floresta. Olha, corremos dez minutos e estamos no meio de um deserto sem qualquer plantação num raio de quilômetros), tudo se resolve de formas simples demais (olha, uma espada no chão!) e muitas vezes subplots que deveriam render alguma coisa são completamente ignorados.


Pégasus, usando o sétimo sentido para encurtar a viagem de volta

O que sobra para salvar o filme nesse caso é o visual, e as cenas de ação. O visual do filme é fantástico, com belas tomadas, efeitos convincentes e boas tomadas para exaltar os monstros. Mesmo a armadura de Zeus, que em alguns momentos mais parece uma fantasia de escola de samba, funciona bem em algumas cenas. Mas, se você tiver condições, vá assistir a versão sem efeitos 3D. Fúria de Titãs pegou carona no Avatar de James Cameron e teve efeitos 3D ‘empurrados’ dentro do filme. O que temos então é um efeito mal utilizado, aplicado nos momentos errados, e que chega a cansar em alguns momentos. Se a maioria dos novos filmes em 3D seguirem a mesma tendência de Fúria de Titãs, o melhor mesmo é assistir a versão “clássica”…

As cenas de ação são boas e até que filmadas, embora algumas sejam absurdamente curtas. Um detalhe interessante: se você já jogou God of War, vai reconhecer muitos dos efeitos e tomadas de câmera que o filme utiliza. Aquele salto em câmera lenta visto de cima que Perseu dá em alguns momentos lembram muito o mesmo efeito do jogo, o que não é exatamente ruim. Só parece ser um pouco de preguiça do diretor, que já tinha todo um exemplo de ação nos jogos da série e simplesmente resolveu ir pelo mesmo caminho.

Fúria de Titãs não é o tipo de filme que você deve assistir com grandes expectativas. E, convenhamos, isso já estava mais ou menos claro desde que o trailer foi liberado. É filme-pipoca, feito para que você possa desligar seu cérebro e engordurar seus dedos com pipoca enquanto manda o casal chato ao lado calar a boca, por mais ou menos duas horas. Vale a sessão pelas cenas de luta e pelo visual dos personagens, mas se você é do tipo que valoriza o roteiro acima de tudo, pode acabar um pouco decepcionado….

Review – Análise Dell Studio XPS 13

comentários Comentários desativados
Por , 26 de novembro de 2009 12:38

Semanas atrás, recebi o Studio XPS 13 da Dell para testes. Mais uma vez, por três semanas testei o equipamento de todas as formas que imaginei, com vários sistemas operacionais, e trago para vocês a conclusão. Mas antes, vamos à ficha técnica do equipamento testado:

Processador Intel®  CoreTM 2 Duo P8600 (2.40 GHz, 3MB L2 Cache, 1066 MHz FSB)boasvindas
Windows Vista®  Home Premium x64 Edition Original
4 GB RAM
Placa de vídeo NVIDIA®  GeForce®  9400M G
Tela de LCD 13,3”
HD 320 GB
Webcam integrada de 2.0 MP
Bluetooth®  (2.0)
1 Porta USB 2.0
1 Porta USB 2.0 / e-SATA
1 Conector de vídeo VGA
1 Porta FireWire
1 Conector de rede RJ45
1 Slot para Express Card de 54mm
1 DisplayPort
1 Porta HDMI
Conectores de áudio (2 linhas de saída, 1 entrada de microfone)
Leitor de cartão de mídia 8 em 1

À primeira vista, dois pontos positivos e um negativo: a placa de vídeo MONSTRO para um notebook e a quantidade de portas e conexões. É possível ter uma verdadeira estação multimídia com esse notebook. Mas…. apenas duas portas USB, sendo que uma é compartilhada com eSata? Se com as três portas USB que tenho no meu note atual já sinto a necessidade de ter um hub USB, imagina em um note com apenas duas. Isso é até mesmo pouco prático. Imagine que você está, por exemplo usando um modem 3g e um mouse: se precisar plugar qualquer outra coisa (como um pendrive), não vai ser possível. Obviamente, isso se resolve com um hub e o uso das outras conexões (bluetooth e leitor de cartões), por exemplo, mas imagine a quantidade de extras e cabos que você precisa ficar carregando para fazer operações simples. Se há algum problema que realmente incomoda na ficha técnica do Studio XPS 13, é a quantidade de portas USB….

Tenha em vista também que esse é um notebook mais topo de linha e voltado para empresas: se você se propõe a pagar quase R$ 5.000,00 em um equipamento de ponta, detalhes menores como a compra de hubs USB pouco importam… :)

Visual

FILE0016O visual do Studio XPS 13 é, digamos assim… ousado. Quase todo preto, com uma mistura de material brilhante, uma faixa de couro preta e detalhes em alumínio, tudo com qualidade de acabamento. Não sou de discutir detalhes estéticos, mas gostei do visual do notebook, muito embora o considere um tanto quanto extravagante e chamativo. Teria receio, por exemplo, de usá-lo em um shopping ou em uma cafeteria, já que o visual do equipamento parece gritar ‘sou caro!’ para quem vê.

O teclado brilha enquanto em uso, e não incomoda muito, a não ser que você esteja usando em um ambiente com a luz apagada. Na parte de cima, há vários botões sensíveis ao toque, para funções como ligar/desligar o wi-fi, aumentar o som, e outros. Ao ligar o note, esses botões piscam em sequência, gerando um efeito interessante. O drive de DVD é igual aos equipamentos de som que você vê em carros: você apenas enfia o disco no slot, e pronto. De resto, você percebe que houve atenção aos detalhes até na caixa do equipamento, assim como no manual e na capa de couro, todos muito bonitos e bem feitos.

Algo que incomoda um pouco é o visual brilhante próximo do monitor, que gera por vezes um reflexo da tela, e acaba distraindo. Em ambientes claros isso não incomoda muito, mas em ambientes mais escuros e se você se distrai fácil, pode ser um problema.

Performance

O que mais chama atenção ao analisar o Studio XPS 13 é a placa de vídeo, uma GeForce 9500M GE de considerável respeito. Um recurso interessante é que você pode ‘desligar’ uma parte da placa para economizar no consumo de energia, simplesmente trocando o modo direto pelo Windows, não sendo necessário reiniciar o computador. Com uma placa dessas, era inevitável testar com um jogo que exigisse um bom equipamento, e o escolhido foi o jogo Street Fighter IV.

streetTentando rodar o jogo na resolução máxima da máquina (1280×800), e todos os recursos gráficos ativados, você percebe uma perda considerável de performance, que realmente incomoda. É necessário fazer uma série de ajustes na resolução e nos recursos do jogo para poder jogar em uma velocidade satisfatória, mas nada que comprometa demais a qualidade do jogo. Infelizmente, o Studio XPS 13 esquenta, e MUITO, quando a placa de vídeo e o processador estão sendo usados ao máximo (coisa que Street Fighter IV faz com maestria), e depois de um tempo chega em um ponto em que a máquina começa a apresentar lentidão e calor excessívo. Como vocês podem ver no print da tela, optei pelo modo que mais deu resultado entre velocidade / consumo de recursos: 800×600 com alguns poucos recursos ativados. Nesse modo, dá para jogar tranquilo. Imagino que outros jogos não devem apresentar todos esses problemas.

Outro teste realizado foi tentar assistir a uma versão de um filme ripado de um Bluray em qualidade máxima (1080p e 2.18GB de tamanho). Mesmo em tela cheia, não houve nenhuma perda de performance ou engasgos, executando o filme do começo ao fim sem pausas e sem problemas. Meu notebook atual, por exemplo, não conseguiu realizar esse feito.

Com essa placa de vídeo e processador Intel Core 2 Duo P8600 com 4 GB de RAM, em geral o Studio XPS 13 tem um  desempenho muito satisfatório, ainda mais para um notebook desse tamanho, rodando vários programas mais pesados sem dificuldade.

Infelizmente, tanta potência e recursos em uma máquina tão pequena resulta em dois problemas: a duração da bateria em média é bem baixa, variando entre uma hora de uso a até três, com vários recursos desligados. E o calor gerado pela máquina é absurdo, do tipo que em alguns momentos (principalmente quando estamos jogando), partes do equipamento chegam a queimar. É quase impossível usá-lo no colo, por exemplo, a não ser que você tenha uma boa proteção para as pernas.

Outros Sistemas

Como sempre, acabei testando o Windows 7 (ainda na versão RC) e o Ubuntu 9.04 na máquina. Para o Windows 7, o resultado final é o mesmo do percebido no Inspiron 1545: o notebook ganha muito em performance, ficando com um sistema mais leve e consumindo menos recursos. No Ubuntu, a instalação foi rápida e reconheceu os drivers de vídeo e de rede (tanto cabo quanto wi-fi). Infelizmente, para ambas as instalações não pude testar se todas as portas (como firewire) foram reconhecidas apropriadamente.

Conclusão

O Studio XPS 13 é bonito, elegante, tem várias formas de conexão, e uma performance invejável para seu tamanho. Mas, dado o preço médio do equipamento e os problemas relatados (poucas portas USB e calor excessivo), a compra deve ser muito bem pensada. Só vale a pena se você for realmente fazer uso de todas as portas extras e da placa de vídeo 3D. Com tamanho e o peso relativamente pequenos, é como andar com um mini-desktop na mochila, e pode ser uma boa opção se você for um hard-user.

O texto acima é um review de equipamento. Quer ter seu equipamento analisado e publicado aqui? Entre em contato

E o Besouro quase avuou

Por , 21 de outubro de 2009 10:56

raaa

Representação gráfica da pré-estréia. Cortesia do @trotta

Logo na primeira vez que vi o trailer de Besouro, já  fiquei empolgado: era um filme brasileiro, com uma história que fugia totalmente do “favelados e bandidos que são apenas vítimas da sociedade” e do “classe média se mete em altas confusões”, argumentos típicos dos blockbusters nacionais. Tudo indicava que seria uma película de ação com boas doses de pancadaria, envolvendo figuras históricas do nosso país. Não nego, foi um dos primeiros filmes nacionais que aguardei ansiosamente pela estréia. E, graças aos ingressos cedidos pelo Trotta (que por sua vez foram cedidos pelo blog Melhores do Mundo), pude estar presente na pré-estreia.

E, infelizmente, como sempre acontece quando rola muita expectativa, o resultado foi abaixo do esperado.

A sinopse é simples: Besouro é um capoeirista na Bahia da década de 1920, que após o assassinato do seu mestre precisa reunir forças, crescer como pessoa, e liderar a luta contra a opressão do povo negro, que continua sendo tratado como um bando de animais, mesmo depois de quase 40 anos da abolição da escravatura. Tudo isso usando a capoeira e o misticismo da cultura negra, com os orixás e o candomblé. O plot básico de histórias de ação, vejam só. O problema é com a execução do plot: Besouro se vende nos trailers como um filme centrado em ação, e até começa como um filme típico de vingança + artes marciais que a Ásia produz às centenas todo ano. Mas do nada o diretor resolve fazer do filme algo mais contemplativo, com longas tomadas de paisagens entrecortadas por uma música baiana típica ou uma narração em off, tentando explicar a cena.

Ou seja, você vai no cinema achando que vai encarar um filme antigo do Jet Li e acaba vendo um filme do Kurosawa.

Até aí, nada demais. Ambas as vertentes do cinema são boas, e atendem públicos e gostos específicios. O complicado é tentar juntar ambas as formas de fazer cinema em um filme que tem menos de uma hora e meia de duração. Tudo o que diz respeito ao andamento da história é MUITO rápido, há cortes violentos na narrativa, vários subplots são inexplorados, e muita coisa que podia (e devia) ter sido melhor trabalhada fica de fora. Sacrificar uns dois ou três minutos das cenas em que Besouro incorpora um sapo debaixo d’água (assistam e vocês vão entender) e usá-los para explorar melhor a relação de amizade/rivalidade entre Besouro e Quero-Quero teria feito uma grande diferença.

E é justamente essa necessidade de agradar tanto o público ‘jovem’ quanto o público ‘intelectual’ que acaba fazendo o filme sacrificar a parte mais esperada: as cenas de luta. Os efeitos especiais estão perfeitos e a coreografia é impecável, que nada deixa a desejar se comparamos com os clássicos do cinema chinês. Mas, se pegarmos todas as cenas de luta, provavelmente teremos menos de cinco minutos de filme. O que é estranho: praticamente TODO o filme é Besouro se preparando para lutar contra os homens do Coronel – e você fica lá, esperando por algo épico, digno das grandes batalhas do cinema, e quando começa a tocar a música, e você acha que Besouro vai finalmente atingir o sétimo sentido, ultrapassar os limites de um supercapoeirista-jin normal, liberar o bankai e – insira aqui outras referências nerds -, o filme acaba.

20091020_besouro_voando

Besouro voando. Se você já viu "O Tigre e o Dragão", vai pegar a referência. Mesmo que a cena na versão nacional dure dois segundos

É, isso mesmo: acaba sem uma luta final digna. Rola uma mensagem “a luta continua companheiro”, fica um clima “o bem vai vencer o mal e afastar o temporal” e sobem os créditos. Juro. E você fica ali, sabendo que TUDO o que faltava para o filme ser épico seriam mais uns quinze minutinhos de ação desenfreada.

A coisa é tão corrida que mesmo o golpe especial do Besouro (o ‘kaskaskarugen horizontal’, como apelidei) ficou em segundo plano. Rola um flashback de meio segundo mostrando que Besouro aprendeu o especial ainda criança, e ele usa. Pronto.

Isso torna o filme ruim? Não, assim como uma comida com pouco tempero não é necessariamente ruim. Simplesmente… falta algo para ficar bom.

A idéia de usar personagens históricos e a cultura do povo para fazer filmes de ação é ótima. Os asiáticos fazem isso há décadas, com resultados fantásticos. E há muitas histórias e personagens no nosso folclore que poderíamos explorar. Competência técnica para isso nós temos, como mostra Besouro. Só precisamos aprender a dosar o tempero para não ficar muito salgado, ou sem gosto.

fearless_jet

Jet Li em "O mestre das armas" (Fearless) - Porrada, filosofia e tudo o mais misturado em um filme bem dosado, que empolga e emociona. Quem sabe um dia o Brasil faz algo assim....

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