Queimando a língua com o Kinect

Por , 23 de janeiro de 2012 14:58


Em meados de 2010, quando o Kinect ainda atendia pelo nome de Projeto Natal e os primeiros videos mostrando o uso do aparelho apareciam no YouTube, escrevi um post mostrando como a pessoa parecia ridícula ao jogar com o corpo. Além disso, na época também fiz várias críticas aos tipos de jogos que estavam sendo desenvolvidos para a plataforma. Bom, quem diria que pouco menos de dois anos depois eu mudaria completamente minha opinião?

Claro que muita coisa mudou de lá, inclusive no próprio Kinect: no trailer original muitos dos jogos-conceito apresentados gritavam “Lesão por esforço repetitivo” e “Acidentes fatais”. Não fazia o menor sentido passar 5 minutos com os dois braços para frente, sem o menor apoio, fingindo dirigir um carro. Da maneira como o Kinect era oferecido, era difícil imaginar que ele servisse pra algo mais do que uma modinha passageira, algo que você ia comprar e encostar num canto dias depois.

Enfim, o Kinect foi lançado, centenas de hacks foram criados para o aparelho (aproveitando de suas câmeras, sensores e afins), e aos poucos o nicho do aparelho foi encontrado: jogos de dança e fitness. Hoje em dia, é difícil encontrar um jogo para a plataforma que não se encaixe nessas duas categorias, com exceções para jogos infantis. Ou seja, o Kinect tranformou o exercício em algo mais lúdico.


Boxe, um dos esportes do Kinect Boxing – link para o vídeo

E eu, que comprei um XBox meses atrás e andava com o Kinect meio encostado (mais por culpa da maneira como minha sala estava organizada, admito), resolvi que já era hora de sair da dieta só de alimentos e voltar a fazer exercícios. Reorganizei a sala, comprei uns jogos, e… diversão!


Essa guria tem vários vídeos em que ela dança em frente ao Kinect – link para o vídeo

Sempre questionei a mesmice das academias, e até hoje acredito que o que me fez realmente perder peso foram as aulas de Muay Thai. Passar 20 minutos numa esteira, depois 20 numa bicicleta, e por fim mandar ver numa série de exercícios repetitivos é chato. Por outro lado, com o Kinect a malhação ganha aspectos de um termo que tá ficando famosinho ultimamente: gamification. Ou seja, transformar atos do dia-a-dia em um jogo, com recompensas, recordes, prêmios, etc.

Em jogos como o Dance Central, você não precisa apenas se movimentar na frente da TV. Você acumula pontos, destrava personagens e novas danças, e consegue os tão sonhados achievements conforme progride ou faz coisas difíceis no jogo. Isso anima as pessoas, dá a elas motivação para ficar mais alguns minutinhos nessa ou aquela música, e é uma forma eficaz de garantir que elas continuem se exercitando, mesmo em dias que você passaria longe da academia. Não por acaso, Dance Central vendeu mais de 2.5 milhões de cópias no mundo todo, e a continuação (Dance Central 2) promete ir pelo mesmo caminho.

Na minha opinião, o Kinect ainda tem alguns problemas sérios (a necessidade de você ter uma sala grande e com muito espaço livre, por exemplo), mas a experiência até o momento mostra que o aparelho cumpre o que promete, principalmente por ter ido para um lado completamente diferente da proposta original. Se você está pensando em sair do sedentarismo mas não tem saco ou tempo pra academia (ou morre de vergonha das pessoas olhando pra você em uma), o Kinect é uma boa pedida. Mas vá arrumando a sala, tirando os móveis do lugar, garantindo um bom espaço para se mexer.

E não, não vou subir qualquer foto ou vídeo de quando estou dançando.

Deixe uma resposta

Panorama Theme by Themocracy