No Campus Party desse ano pude fazer uma oficina sobre criação de lifestreams, e como principal ferramenta citei um site que ainda estava em versão beta fechada, o flavors.me. Um mês depois, recebo a confirmação de que o flavors saiu do beta fechado, e está liberado para qualquer um criar uma conta, além de dezenas de outras melhorias para que você possa criar seu lifestream.
Mas o que exatamente faz o flavors.me?
O flavors.me não é uma ferramenta de blog, não é uma rede social, não é um CMS, e não serve um cafezinho. O flavors.me na verdade é um agregador de serviços, uma página onde você pode cadastrar todas as suas contas em diversas redes sociais e sites nesse mundão véio sem porteira. Com os serviços cadastrados, o flavors se encarrega de se ‘auto-atualizar’ sempre que você atualizar algo nesses serviços.
Assim, você pode se apresentar em um único endereço. Ao invés de colocar 200 links na sua assinatura de email ou no seu cartão profissional, você pode simplesmente usar um único endereço do flavors.me, e garantir que o visitante conheça todo seu perfil online em pouquíssimos clicks, com o mínimo de loading.
Como o site ainda está somente em inglês (e o visual no começo não é tão intuitivo assim) montei um pequeno ‘how-to’ mostrando como criar e configurar sua conta no flavors.me. Acompanhem abaixo como fazer para ter seu próprio lifestream em poucos minutos:
Começando do comecinho
Acesse o endereço http://www.flavors.me e clique em Get Started. Na próxima tela, digite um email válido, seu nome de usuário e uma senha. O nome de usuário será usado na URL, então vê se você não usa algo como “lindinha99” ou algo assim.
E é isso. Simples assim, sem complicação ou coré-coré. Você já tem um perfil no flavors.me.
Configurações Iniciais
Tecnicamente, você já tem uma conta criada, mas sua ‘página’ está em branco, sem qualquer texto ou configuração. É hora de começar a criar seu perfil, do zero mesmo. No menu flutuante, clique em “about”. Aqui, você cria um “sobre” do seu perfil, o texto que vai aparecer logo que a pessoa entrar na página. Coloque uma rápida descrição sobre você ou seu trabalho, lembrando que você pode usar negrito, itálico, e links, no formato HTML padrão. Perceba que o flavors salva automaticamente enquanto você digita, e mostra na tela as alterações.
Pronto, a página inicial você já tem. Agora vem a parte de configurar os serviços que você quer que apareçam no flavors. Clique em “services”. De cara você vai perceber que alguns serviços já estão disponíveis, como o Flickr, o Twitter, o Tumblr, e outros. Ao clicar nesses botões e preencher alguns dados do seu perfil, o cadastro estará realizado. Normalmente, isso não requer mais do que três cliques.
“Mas e se eu quiser adicionar um serviço que não esteja disponível nessa lista?” – Se o serviço em questão entrega os dados no formato RSS, você só precisa copiar o endereço RSS, clicar no botão “RSS” e colar o endereço lá. Se não houver qualquer erro no endereço que você colou, o serviço será adicionado automagicamente. Não há limite para os sites e redes sociais que você pode incluir, perceba que no meu flavors existem os mais diferentes sites cadastrados (e pretendo ir cadastrando cada vez mais.
)
Deixando tudo bonito
Na moral, seu flavors tá feio. É hora de dar um tapa no visual, colocar uma imagem de fundo, mudar a forma de navegação, e mexer com as cores. Clique em “Design”.
A primeira aba é para o layout em que serão apresentados os serviços cadastrados. “Basic” e “Widescreen” são os mais comuns e fáceis de navegar, mas você também pode usar o Accordion se quiser. Aqui você também pode definir o alinhamento do layout.
Clicando em “Background”, você escolhe uma imagem de fundo. Suba uma imagem leve e bonitona como a minha, e escolha o comportamento da imagem de fundo (se ela será alongada para pegar a tela toda, se ela vai se repetir, ou se ela vai aparecer uma vez apenas). Simples.
Clicando em “Colors” você define as cores do seu flavors. Já existem vários conjuntos de cores para você usar, mas é perfeitamente possível configurar cada elemento em separado. Brinque bastante até achar a combinação que melhor lhe agrade. Fique à vontade, eu espero.
Por fim, clicando em “Fonts”, você define a fonte padrão do seu layout e também o tamanho para cada elemento. Mais uma vez, brinque bastante até achar a combinação que mais lhe agrade.
E fim. Você terá um lifestream configurado e já poderá agregar toda a sua vida online e mostrar para amigos, contatos e empresas interessadas.
Dá pra fazer mais alguma coisa com o flavors?
Dá. Ao clicar em “Settings” (no topo à direita) você irá para uma tela com várias opções para sua conta. Além de poder mudar sua senha aqui, você também pode ver um status de visitação no seu flavors, clicando em stats. Além disso, é possível usar algumas funções que só estão disponíveis se você pagar uma quantia de US$20,00 por ano. Com esse valor, você terá direito a:
- Usar um domínio próprio ao invés de http://flavors.me para seu flavors. Assim, ao invés de flavors.me/graveheart, eu poderia muito ter meu flavors em graveheart.com, por exemplo;
- Ter um formulário de contato no seu flavors;
- Ter um relatório de visitas mais preciso.
Perceba que o pagamento é puramente opcional, e só vale realmente a pena se você quer montar um site/portfolio mas não quer pagar mensalmente um servidor para hospedagem de poucos arquivos. Nesse caso, o pagamento pode ser uma boa, e sairia mais barato que a solução padrão.
Se quiser, dê uma olhada no meu flavors, e pegue umas idéias para criar seu próprio lifestream.
O ‘GuraveHaato desu ka?’ está participando de uma promoção onde quem ganha são vocês! Se você quiser participar, é só entrar no site da promoção, clicar em participe já, preencher um pequeno formulário e descrever em uma frase “Como os blogs de tecnologia (que não são tão legais quanto o meu) influenciam a sua vida”.
As 50 melhores frases dos leitores serão premiadas: tem Notebook, Netbook, Monitor de 22″ LCD e diversos outros prêmios.
Está é uma promoção da Polvora! Comunicação e do site Promoção Cultural com apoio do Clube do Lar, InterNeyShop e MaxPrint.
Há uma antiga história budista, sobre humildade e auto-conhecimento, que sempre levo comigo: havia um macaco entre os deuses que era um verdadeiro inferno: poderoso e hábil, vivia pregando peças nos outros deuses, roubava elixires, dava cuecão no povo, enfiava dedo molhado na orelha das deusas, um saco. Entre as centenas de brincadeiras e peças que pregava, esse macaco acabou conseguindo alguns poderes extras com os elixires divinos que roubava: era capaz de voar em velocidade altíssima, e era imortal. O que só o tornou ainda mais arrogante, já que nada que fizessem contra ele tinha efeito.
Os outros deuses, de saco cheio, foram reclamar com o Interney Buda. Este, percebendo que o macaco já estava passando dos limites, resolveu dar-lhe uma lição de humildade: Buda colocou o macaco na palma da sua mão, e fez um desafio a ele – Se conseguisse sair da palma da mão de Buda sem que ele percebesse, poderia ter o que quisesse. O macaco arrogante, aceitou o desafio e voou por florestas, montanhas e infinitos oceanos, sem parar. Quando finalmente encontrou o que parecia ser o fim do mundo, ele percebeu que haviam algumas rochas ali, e deixa escrito ‘Eu estive aqui’, como prova de sua vitória.
Ao volta r para reclamar seu prêmio, o macaco é surpreendido quando Buda lhe diz que em nenhum momento o ele havia saído da palma de sua mão. Indignado, o macaco conta que deixou uma marca em uma rocha como prova de que havia vencido. O Buda pede então para que o macaco olhe para um dos dedos da mão dele, e lá o macaco encontra a mesma frase que ele havia escrito na rocha. Ou seja, o macaco NUNCA havia saído da palma de Buda. Com isso, o macaco acabou se tornando mais humilde, reconhecendo que ele nunca seria maior que alguns deuses.
Algumas centenas de anos depois, estou pegando meu almoço no primeiro dia do Campus Party, quando vejo que bem na mesa ao lado está sentado John ‘Maddog’ Hall. O lado fanboy falou mais alto, e comentei com as pessoas que estavam na mesa, entusiasmado com o fato de estar sentado ao lado de alguém facilmente reconhecido por milhões de pessoas. Nenhuma das pessoas que sentou na mesa comigo soube reconhecer o bom velhinho. Diga-se de passagem, nem algumas pessoas com quem eu conversei. (Infelizmente, não fui conversar com ele ou tirar fotos com John, já que o mesmo estava almoçando, e considero desagradável atrapalhar alguém nesse momento sagrado.)
Vejam, uma pessoa que é praticamente a cara do Software Livre, que já viajou o mundo todo e é conhecido tanto fora quanto dentro da comunidade, estava ali, almoçando como qualquer mortal, e passeando tranquilamente pelo evento, conversando com as pessoas, conhecendo os estandes, e tudo o mais. Na maioria das vezes, sem nem mesmo ser reconhecido.
Não é interessante que, ao mesmo tempo, tenhamos tanta discussão na blogosfera envolvendo discussões sobre relevância e mérito entre pessoas que, no máximo, conseguiriam ser prontamente reconhecidas por um universo muito menor de pessoas? É justamente essa postura tão discrepante entre dois mundos que me desagrada: Uns fazem tão pouco quanto escrever para a internet, mas agem e falam como se estivessem mudando o mundo. Outros, estão realmente mudando o mundo, e agem como pessoas normais.
Talvez, seja hora de revermos nossos conceitos e reavaliarmos nossas posturas. Arrogância não vem automaticamente com a fama, como bem prova o Papai Noel do Software Livre. Ao nos deixarmos levar por essa onda de relevância, mérito, meritocracia, quantidade de leitores e o diabo a quatro, podemos acabar nos tornando como o macaco da lenda.
E, de macacos, já chega o rolo do Estadão.
Convidado pela agência em que trabalho a participar do Intercon, não pude deixar de comparecer. Como esse tipo de convite (evento pago!) não se recusa, acordei no sábado de manhã e arrumei minhas coisas, já pensando que o ideal para twittar do evento seria usar meu Ipod Touch, fiel companheiro em locais com Wifi decente, deixei ele em um lugar acessível da mochila, levando o PSP e o notebook apenas ‘por precaução’, caso o Touch falhasse de alguma forma. E, num momento que só pode ser definido por ‘inspiração divina’, olhei para o meu modem 3G que estava em cima da cama e coloquei na mochila. Pequeno, não ia fazer diferença, né?
Legal, já estou no evento. Não faço a mínima idéia de onde faço o check in, e não há nenhuma placa sinalizando. Mas o local está lotado, não faz mal perguntar. Descubro qual o procedimento e, enquanto estou na fila, tento pegar uma rede sem fio. Olha tem uma aqui, com o nome de ‘Imasters Intercon’, e… e… não navega. Continuo tentando, mas desisto quando a fila termina e eu sou chamado. Oras, mas vejam só, havia um cartão no meio da pasta explicando que havia uma rede fechada só para o evento. Eu só tinha que selecioná-la e digitar a senha…
Só que ela não aparecia no touch, pelo menos não no primeiro andar. Mas, beleza, já tá todo mundo subindo, o evento já devia ter começado, vou subir as escadas também. Se as palestras são lá, o sinal deve ser mais forte. Opa, achei a rede. Legal, pediu a senha, agora é só digitar. Conectou! Vamos mandar uma twittada, começar a cobertura do evento! Ué, não navega? Como assim?
Tento pelo menos mais umas duas vezes, desconecto, reconecto, e nada. Necas. Mas, tranquilo, eu tenho o PSP. Zero de conexão. OK, o auditório abriu, vou sentar em alguma lugar e enquanto as palestrar não começam, ligo o notebook e testo a rede…
FAIL. A rede é encontrada, o notebook conecta, mas não navega. Ou navega, mas a conexão cai menos de cinco minutos depois. Nhé. Deve haver alguma solução que não envolva banhar os roteadores no sangue de loiras virgens. Enquanto fecho os olhos para tentar imaginar um evento de internet sem internet, lembro DELE. Vasculho todos os cantos da mochila, encontro o meu modem 3G, e… sem sinal dentro do auditório! Mudo pra Edge e consigo algum sinal, mas a navegação é lenta e com quedas.
Estou num beco sem saída: Wifi baleiando, 3G sem funcionar dentro do auditório (fora OK) e eu com um Ipod Touch, um PSP e um notebook servindo como peso de mochila. Já pensando em como seria legal voltar a comentar o evento com as pessoas do meu lado (ao invés de twittar, como alguém normal faria), encontro o Fugita, que sugere trocar os chips entre o meu modem e o celular: assim eu poderia twittar ‘rapidamente’ pelo EDGE, usando as versões mobile das páginas. Boa, Hiro! Transfusão realizada, me certifico de que não há peças faltando, ligo o celular e começo a twittar do evento.
Voltando do almoço, faço mais um teste com o notebook. Nada, zip, zero de conexão. Aliás, não só o meu, mas o de várias outras pessoas. Incluindo os próprios equipamentos do local. Como eu ia ficar do lado de fora assistindo as oficinas de programação, desfaço a operação de troca de chips, ligo o 3G e rodo normalmente até a bateria do note pedir arrego, já quase no final do evento.
No final, o grande ’salvador’ do Intercon (pelo menos pra mim) foi, vejam só, o 3G. Mesmo algumas pessoas acabaram preferindo compartilhar conexão com os amigos, ao invés de ficar tentando conectar na rede oferecida pelo Intercon.
Não deixa de ser engraçado: quem diria que, num evento sobre a internet, os visitantes teria que trazer meios de conexão de casa?