Viver e morrer em Sampa
Lembro da primeira vez que estive sozinho em São Paulo. Era em 1999, eu queria ir para um evento de anime (MangáCon, até onde minha memória permite lembrar….) e havia combinado tudo com um (ex-)amigo meu: irÃamos os dois juntos para Sampa, para ver o evento, evitando assim vários possÃveis problemas de segurança durante a viagem (já que, na cabeça de nossas mães, era mais difÃcil dois jovens morrerem do que um só, ou algo assim). Só que, no dia em que irÃamos, ele resolveu ficar em casa mesmo, me deixando numa sinuca de bico: ou eu iria sozinho e encararia uma cidade em que mal havia colocado os pés em 19 anos de vida, ou deixaria para lá e passaria o resto da vida me arrependendo. Optei pela primeira opção, mas antes fui avisar minha mãe, para evitar qualquer mal entendido (como encontrar esse meu amigo na padaria, por exemplo).
Minha mãe, pessoa que sempre me apoiou, citou várias frases de encorajamento frente à minha idéia de ir ao evento sozinho. “Você vai morrer!”, “Vão te sequestrar”, “Vão remover todo o seu sangue em um ritual satânico” e outras frases de apoio que ela usou não foram o suficiente para que eu desistisse da minha idéia, e logo eu estava na rodoviária da minha cidade, juntando os poucos trocados que tinha guardado para aquele dia, e comprando uma passagem para aquela que seria minha primeira aventura de “adulto” (até onde um evento de anime possa ser considerado “adulto”, bem entendido…).
Foi provavelmente a viagem mais tensa que já fiz, com medo de tudo e de todos, sem ter a menor idéia de como sequer funcionava o sistema de metrô. “Ei, o meu bilhete não voltou! Por que o seu voltou???”. Felizmente, apesar de ter errado o caminho para o evento umas três vezes (e, se eu não me engano, era só seguir uma linha reta do metrô Vergueiro até lá…), a viagem transcorreu sem maiores problemas, e voltei para casa feliz por ter conhecido uma parte dessa cidade gigantesca.


