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A Mac App Store e mais uma importante lição sobre marketing pessoal

Por , 11 de janeiro de 2011 0:36

Se você acompanha notícias sobre tecnologia, deve ter reparado que o assunto mais recorrente da semana passada era o lançamento da Mac App Store, um aplicativo para OSX que basicamente faz o mesmo que a App Store do iPhone, mas dessa vez com programas para desktop. Assim, é possível comprar, baixar e instalar um pouco mais de 1.000 aplicativos com pouquíssimos cliques, e apenas inserindo sua senha do iTunes.

Legal, não? Agora, sem precisar procurar pela internet, é possível ter centenas, milhares de aplicativos no seu desktop, a maioria sem nem mesmo precisar pagar, ou com preços bem menores do que os mesmos programas vendidos nas lojas, com caixinha, CD, e manual de instruções. Mas… e se eu disser que esse conceito já existe há mais de 10 anos? E se eu disser que existe um grupo de usuários que já utilizam esse conceito de “baixe e instale em apenas um clique” desde 1998?

APT, a Mac App Store do Linux

O APT é uma solução que nasceu no Debian Linux, existe desde 1998, e no frigir dos ovos tem um conceito que é exatamente o mesmo da App Store, sem tirar nem por. Você quer um programa, pede para que esse programa seja baixado e instalado, e o processo é realizado com o mínimo de interação humana. Tecnicamente, não há nada que a App Store não faça que o APT não faça também. Inclusive, o Ubuntu Software Center, uma implementação do APT para o Ubuntu, permite até mesmo que você compre programas.

Vejam bem, não estou acusando a Apple de plágio ou qualquer coisa do tipo, longe de mim. Mas é curioso para mim que tantos meios de informação (como blogs e jornais) e “formadores de opinião” digam a todos os pulmões que a Mac App Store é “revolucionária” ou “única”. Não é. Qualquer um que enxergue fora do mundinho Microsoft/Apple sabe disso.

Mas, se o APT já permitia essa “revolução” toda ainda em 1998, porque ele é ignorado ou nem mesmo levado em consideração quando falamos de sistemas que me permitam gerenciar aplicativos no sistema operacional? A explicação é bem simples: na vida real, não importa o quê você faz, mas como você diz que fez.

A comunidade Open Source tinha uma necessidade: facilitar a instalação de aplicativos e a solução de dependências do dpkg. E o APT surgiu. E eles disseram “OK, nossa, que legal, problema resolvido”. A Apple tinha a mesma necessidade, mas ela não só desenvolveu a solução, como também embrulhou tudo em uma interface bonita, intuitiva e comercialmente atraente. Assim, a atenção da mídia e dos usuários foi maior.

Pode parecer absurdo, mas não há nada de errado nisso. A comunidade Open Source precisa aprender a “se vender” melhor. Há centenas, milhares de soluções livres que funcionam melhor que as alternativas pagas, ou nem mesmo encontram concorrentes pagos. Mas pela falta de um processo que chame a atenção para os usuários, essas mesmas soluções hoje vivem sub-utilizadas.

Basta ver a maioria das interfaces de aplicativos Open Source: elas fazem exatamente o que deveriam fazer, mas muitas vezes de uma maneira crua, seca, sem qualquer atrativo maior para o usuário. E isso faz diferença. E não sou eu quem está dizendo isso, é a Apple. Basta ver a maioria dos lançamentos dela nos últimos anos, há pouquíssima coisa realmente nova ali, o resto é uma leva de soluções que já existiam mas que foram empacotadas de uma forma tão atraente que as pessoas acabam querendo ter o produto de qualquer jeito.

O mesmo vale para você, enquanto profissional. Você pode ser o cara mais competente do universo, mas se não sabe vender o que faz, acaba sendo ofuscado pelo cara que não faz nada de surpreendente mas já se anuncia como “expert em PHP” desde o primeiro Hello World. Quantas pessoas você talvez não conheça que são exatamente assim?

Sinceramente, não é um processo simples, mas é necessário. Se o Software Livre quiser realmente ganhar uma fatia visível do mercado, a comunidade precisa começar a “vender” melhor as idéias que tem, precisa começar a mostrar o quão revolucionárias são suas idéias, mas de uma forma que as pessoas comuns entendam e se sintam interessadas.

Caso contrário, o Linux como um todo continuará sendo sempre o patinho feio dos Sistemas Operacionais para usuários, e descobrindo só depois de mais de 10 anos que tinham desde o começo uma solução revolucionária em suas mãos.

Morevna, um anime feito totalmente com software livre

Por , 22 de julho de 2010 14:42

Morevna é um anime com um diferencial interessante: o projeto está sendo todo feito com ferramentas open source, como Synfig, Blender, GIMP e Krita. Mas Morevna não está apenas sendo feito com ferramentas livres e abertas: ele também será distribuído livremente, sem qualquer custo. Só baixar e assistir.

E talvez seja isso o que torna o projeto algo que mereça ser acompanhado de perto. Não é apenas um anime amador, é todo um conceito sendo desenvolvido.

A história do anime Morevna é baseado em um antigo conto de fadas russo, chamado “Marya Morevna”. Mas o anime terá um cenário futurista e high-tech, cheio das tranqueiras tecnológicas que enchem os olhos em uma animação.

Os objetivos por trás do projeto Morevna também merecem atenção:

  • Criar um filme de longa duração no formato anime, mas utilizando apenas Software Livre;
  • Promover soluções Open Source e a ideologia por trás do Sofware Livre;
  • Testar e melhorar aplicativos livres existentes, repassando comentários e problemas para desenvolvedores e a comunidade de usuários;
  • Validar ferramentas livres como alternativas válidas para criação de animações profissionais de qualidade;
  • Gerar documentação e tutoriais para que outros artistas possam aprender como usar ferramentas livres;

O vídeo abaixo mostra alguns detalhes do projeto:

Você pode saber mais sobre o projeto Morevna visitando o blog do projeto e até contribuir de alguma forma com o desenvolvimento dele. Basta ler a documentação. :)

Quase 1234567890 segundos desde 1970!

Por , 5 de fevereiro de 2009 11:07

Essa é para os mais nerds e programadores: dia 13 de fevereiro de 2009 aos 30 segundos das 20h31min (ou 20:31:30 para os viciados em 24 horas), horário de Brasilia, já contando o fuso horário, horário de verão, e caixinha do frentista) terão se passado 1234567890 segundos desde a criação do Unix Time.

Mas… WTF is Unix Time? Resumindo de forma muito tosca: é uma forma de contagem de tempo usada em muitos sistemas operacionais (e outros sistemas) para descrever o tempo de uma forma padronizada, e facilitar operações de soma ou subtração entre datas. Assim, para saber quanto tempo se passou entre 29/05/1980 e 05/02/2009 (a data desse post) eu só preciso:

a) Converter a primeira data para Unix Time (usando o mktime do PHP, por exemplo), obtendo o valor em segundos entre 00:00:00 01/01/1970 e 00:00:00 29/05/1980

b) Converter a segunda data para Unix Time (com o mesmo processo, e obtendo um novo valor em segundos)

c) Subtrair o valor menor maior do valor maior

d) Você terá a diferença em segundos das duas datas. Seguindo aquela ordem matemática simples, divida por 60 para saber os minutos, divida por 60 para as horas, e por 24 para os dias.

Dá pra fazer muito mais com o Unix time, mas isso não importa. O que importa é que em 20:31:30 13/02/2009 será um dos momentos mais nerds da história: 1234567890 segundos desde o Unix Time! :D

UPDATE: Pra quem não quiser perder a data, já há um site fazendo a contagem regressiva (ou seria ‘progressiva’?) para a data mais nerd do ano!

Sobre Maddog, a palma de buda, e a moral blogueira

Por , 21 de janeiro de 2009 11:18

Há uma antiga história budista, sobre humildade e auto-conhecimento, que sempre levo comigo: havia um macaco entre os deuses que era um verdadeiro inferno: poderoso e hábil, vivia pregando peças nos outros deuses, roubava elixires, dava cuecão no povo, enfiava dedo molhado na orelha das deusas, um saco. Entre as centenas de brincadeiras e peças que pregava, esse macaco acabou conseguindo alguns poderes extras com os elixires divinos que roubava: era capaz de voar em velocidade altíssima, e era imortal. O que só o tornou ainda mais arrogante, já que nada que fizessem contra ele tinha efeito.

Os outros deuses, de saco cheio, foram reclamar com o Interney Buda. Este, percebendo que o macaco já estava passando dos limites, resolveu dar-lhe uma lição de humildade: Buda colocou o macaco na palma da sua mão, e fez um desafio a ele – Se conseguisse sair da palma da mão de Buda sem que ele percebesse, poderia ter o que quisesse. O macaco arrogante, aceitou o desafio e voou por florestas, montanhas e infinitos oceanos, sem parar. Quando finalmente encontrou o que parecia ser o fim do mundo, ele percebeu que haviam algumas rochas ali, e deixa escrito ‘Eu estive aqui’, como prova de sua vitória.

Ao volta r para reclamar seu prêmio, o macaco é surpreendido quando Buda lhe diz que em nenhum momento o ele havia saído da palma de sua mão. Indignado, o macaco conta que deixou uma marca em uma rocha como prova de que havia vencido. O Buda pede então para que o macaco olhe para um dos dedos da mão dele, e lá o macaco encontra a mesma frase que ele havia escrito na rocha. Ou seja, o macaco NUNCA havia saído da palma de Buda. Com isso, o macaco acabou se tornando mais humilde, reconhecendo que ele nunca seria maior que alguns deuses.

Algumas centenas de anos depois, estou pegando meu almoço no primeiro dia do Campus Party, quando vejo que bem na mesa ao lado está sentado John ‘Maddog’ Hall. O lado fanboy falou mais alto, e comentei com as pessoas que estavam na mesa, entusiasmado com o fato de estar sentado ao lado de alguém facilmente reconhecido por milhões de pessoas. Nenhuma das pessoas que sentou na mesa comigo soube reconhecer o bom velhinho. Diga-se de passagem, nem algumas pessoas com quem eu conversei. (Infelizmente, não fui conversar com ele ou tirar fotos com John, já que o mesmo estava almoçando, e considero desagradável atrapalhar alguém nesse momento sagrado.)

Vejam, uma pessoa que é praticamente a cara do Software Livre, que já viajou o mundo todo e é conhecido tanto fora quanto dentro da comunidade, estava ali, almoçando como qualquer mortal, e passeando tranquilamente pelo evento, conversando com as pessoas, conhecendo os estandes, e tudo o mais. Na maioria das vezes, sem nem mesmo ser reconhecido.

maddog_beer

Representante do Software Livre, cara do Papai Noel e amante de cerveja. Esse é truta.

Não é interessante que, ao mesmo tempo, tenhamos tanta discussão na blogosfera envolvendo discussões sobre relevância e mérito entre pessoas que, no máximo, conseguiriam ser prontamente reconhecidas por um universo muito menor de pessoas? É justamente essa postura tão discrepante entre dois mundos que me desagrada: Uns fazem tão pouco quanto escrever para a internet, mas agem e falam como se estivessem mudando o mundo. Outros, estão realmente mudando o mundo, e agem como pessoas normais.

Talvez, seja hora de revermos nossos conceitos e reavaliarmos nossas posturas. Arrogância não vem automaticamente com a fama, como bem prova o Papai Noel do Software Livre. Ao nos deixarmos levar por essa onda de relevância, mérito, meritocracia, quantidade de leitores e o diabo a quatro, podemos acabar nos tornando como o macaco da lenda.

E, de macacos, já chega o rolo do Estadão.

Os 10 maiores geeks da história

Por , 12 de novembro de 2008 15:05

Eles amam tecnologia, mais do que qualquer outra coisa. Mas, por um certo preconceito da sociedade suas histórias e personalidades raramente ganham o mundo, assim como outras grandes personalidades. Mas, se hoje a tecnologia está tão avançada e infiltrada na sociedade, é culpa desses geeks. Sem eles, o mundo como nós conhecemos dificilmente existiria. E seria uma lugar bem mais chato.

E é justamente como uma forma de agradecimento a esses grandes pensadores e revolucionários que a iTNews Australia compilou uma lista com os maiores geeks de todos os tempos. Não vou traduzir a lista ao pé da letra, mas explicar rapidamente o que cada um fez para figurar na mesma. (todas as fotos foram retiradas da Wikipedia)

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