O namoro entre o Brasil e o Japão está gerando frutos: Depois do ótimo Michiko to Hatchin (review em breve), agora é hora de um mangá buscar inspiração aqui na terrinha: Estamos falando de Elite Troopers Zero, mangá que está sendo lançado no Japão e é baseado no filme Tropa de Elite.
Escrito e desenhado por Junichiro Saruwatari, Elite Troopers Zero está sendo publicado na antologia seinen (mangás com tom mais adulto, ver mais na Wikipedia) Comic Punch Max, da Shijinsha, e trata de um prequel do filme, mostrando um Capitão Nascimento ainda como PM, antes de ingressar no BOPE. Pelo que procurei, o processo de tradução do mangá para o português está meio parado (talvez pela série ter sido lançada sem muito alarde), por isso só consegui encontrar duas páginas traduzidas. mas pelo que vi do primeiro capítulo o começo será um pouco mais lento, mostrando o que aconteceu para transformar o soldado Nascimento no truculento capitão do filme.
Como é um seinen, podemos esperar algo bem mais próximo da realidade (exato, nada de Burning Cosmo aqui…), e várias cenas de violência e sexo recheando as páginas da saga. Abaixo, um preview das primeiras páginas do mangá:
Pessoalmente, espero que alguma editora brasileira traga essa série pra cá. Com as série “Força Tarefa” sendo exibida pela Globo, e o sucesso de “A Lei e o Crime” pela Record, é bem provável que esse mangá venderia bem por aqui.
Fonte: Nihon no Baka
UPDATE:
Exatamente uma semana atrás, publiquei aqui um post sobre um mangá baseado em Tropa de Elite. Os mais espertos sacaram que qualquer notícia em um 1º de Abril não deveria exatamente ser levada a sério, mas é engraçado perceber que MUITA gente acreditou, inclusive indo parar no Yahoo! Notícias como sendo uma notícia real.
Não vou negar, boa parte dos créditos pela façanha devem ir para o Lancaster, que pegou minha idéia para esse 1º de Abril e criou páginas que enganariam tranquilamente até mesmo os fãs mais detalhistas.
A idéia inicialmente, era como tudo o que rola na minha cabeça e fica semanas sendo moldada até ir para o teclado: apenas uma idéia. Comecei a montar um background crível para ele, e iniciei a parte mais complicada da mentira: entrar em contato com amigos desenhistas (ou amigos que tivessem contatos com desenhistas) com um pedido: “quero criar uma brincadeira de 1º de Abril, e preciso de alguém capaz de desenhar algumas páginas, com uma qualidade que faça o negócio ao menos parecer real”.
O resultado, depois do Lancaster aceitar o desafio, foi exatamente o que vocês viram no post de 1º de Abril. Páginas de um mangá que, por muito pouco (maldito deadline!) não saíram TODAS com kanjis. E que pegou uma boa quantidade de gente.
Se você caiu, sinto muito. Mas, acredite, essa é uma notícia que eu realmente queria que fosse verdadeira…
Homem racional que sou, nunca fui de acreditar em questões espirituais ou religiosas, muito embora acabe por vezes impressionado com certas ‘coincidências’ que ocorrem na minha vida. Uma dessas é quase sempre ler um mangá, assistir um filme, ouvir uma música ou qualquer outra coisa que resolvi ver sem qualquer aviso prévio do que viria, e descobrir que alguma parte da história ou música é EXATAMENTE o que eu precisava ver, quase como uma resposta vinda de algum lugar, direto para mim.
Um desses momentos é justamente uma edição do mangá Rurouni Kenshin, já quase no final da série, que acabei lendo em um momento pessoal complicado. E, como já disse, tudo o que estava lá era o que eu precisava no momento. Coincidência ou não, relembrando hoje é incrível como aquelas poucas páginas me tocaram e mudaram muito do que poderia ter sido da minha vida.
E é justamente a descrição desses momentos, assim como o que aprendi com os mesmos, que compartilho com vocês agora. Segurei esse texto por muito tempo, por achá-lo pessoal demais, ‘viajado’ demais, e até mesmo um tanto quanto ‘bobo’ (“uau! você tirou lições de moral de uma história em quadrinhos?”). Mas no final das contas aproveitei que estamos em clima de final de ano, época de parar para avaliar nossas vidas, para publicar esse texto. Talvez, faça alguma diferença para alguém. Assim como fez para mim…
Antes de mais nada, vamos situar os personagens (e você sempre pode saber mais sobre Rurouni Kenshin na santa Wikipedia):
ATENÇÃO: SPOILERS DAQUI EM DIANTE.
- Kenshin: personagem principal da série, um samurai que depois de lutar na revolução Meiji jurou nunca mais matar. O mote principal da série é justamente seu passado, e como esse juramento afeta sua vida; Nesse capítulo ele está em meio a uma crise de depressão: depois de (supostamente) não conseguir salvar a vida da mulher que amava (a segunda mulher que amava), Kenshin desiste da vida, sela a espada e vai viver no vilarejo dos Párias, um local onde vivem os excluídos da sociedade. Todos tentam de alguma forma tirá-lo de lá, mas tudo o que ele diz a todos é “Já chega…”
- Yahiko: Garoto orfão, filho de samurais, é ‘adotado’ por Kenshin e Kaoru, e começa a treinar o estilo Kamiya Kassin. No começo dessa saga ele percebe que é incapaz de acompanhar Kenshin e Sanosuke nas lutas, ficando sempre atrás deles. Decide então tornar-se um mestre no estilo Kassin, desejando um dia estar lado a lado com seus amigos, e não atrás, vendo apenas as costas deles. Nesse capítulo, ele resolve que deve proteger as pessoas, assim como Kenshin fazia, até que o mesmo consiga sair da depressão.
- Kujiranami: Um ex-samurai gigante que possui um ódio mortal contra Kenshin – No passado, ele teve o braço decepado pelo herói, que preferiu não matá-lo. Kujiranami considerou que Kenshin não matá-lo era uma humilhação acima de qualquer possível, e passou a viver em torno de uma vingança. Nesse capítulo, Kujiranami escapa da prisão, rouba um lançador de granadas que pode ser acoplado ao braço, e sai destruindo toda a cidade, atrás de Kenshin.
- Tsubame: uma garota que faz o papel de interesse romântico do Yahiko. Tem pouca importância na história, mas nesse capítulo possui um papel especial.
A história até o momento: Kenshin virou emo, Sanosuke foi resolver umas pendências de família, e todo o resto do grupo foi investigar o paradeiro de Enishi, vilão que causou todos os problemas a Kenshin nessa saga. Enquanto isso, Kujiranami foge da prisão, e começa a destruir geral com um lançador de granadas acoplado no braço. E o único que pode detê-lo é Yahiko.
O Japão acaba de criar um novo parâmetro para bizarrices: No momento em que você está lendo essa notícia, mais de 1.000 pessoas já assinaram uma petição online para que o governo japonês aprove uma lei que permita o casamento
entre pessoas reais e personagens de mangá/anime.
(Pausa para a notícia ser processada por vocês, já volto…)
A campanha on-line foi criada por Taichi Takashita (que pretende alcançar 1 milhão de assinaturas), que declarou interesse nessa lei absurda por se sentir mais confortável em um mundo ‘bi-dimensional’. Nas próprias palavras dele: “Eu não estou mais interessado em três três dimensões, seria muito melhor viver em mundo bi-dimensional”,
Esse tipo de sentimento parece estar se tornando cada vez mais comum entre os jovens japoneses (principalmente os otakus e geeks), que gastam cada vez mais tempo em mundos virtuais (como animes, mangás e jogos on-line) para fugir dos desafios e cobranças da vida moderna. Só lembrando, essa campanha foi lançada apenas poucos dias depois de uma japonesa ser presa por matar o ex-marido ‘virtual’… E, semanas atrás, a polícia prendeu uma outra mulher que postou uma mensagem online dizendo que planejava matar seus pais após eles mandarem ela se livrar dos milhares de mangás que ela mantinha na casa dela…
Para ter uma idéia de como a idéia de casar com um personagem ficcional pegou por lá, um dos que assinou a petição escreveu: “Por muito tempo eu só consigo me apaixonar por pessoas bidimensionais, e no momento há alguém que eu amo. Mesmo que ela seja ficcional, ainda é amor. E eu gostaria de ter aprovação legal para essa relação a qualquer custo”.
Considerando que, apesar de todos os avanços tecnológicos das últimas décadas, ainda é IMPOSSÍVEL um ser humano procriar com um personagem de revista (só melecar as páginas não conta) é bem provável que veremos uma diminuição crítica na população japonesa durante as próximas décadas, caso essa lei seja aprovada. Mas, por via das dúvidas, se essa lei surgir por aqui, já escolhi alguém para dividir meu futuro:
E você? Com quem casaria?
Fonte: Telegraph.co.uk
PS: Embora a notícia esteja sendo amplamente divulgada, em nenhum lugar (entenda-se: google) é possível encontrar um link para a petição online. Uma pena, mas imagino que estão evitando linkar para que a petição não alcance um trilhão de assinaturas em dois dias.
PS2: Sim, a última frase e a minha escolhida são apenas uma piada. Sou nerd, mas tenho namorada.
Confesso que a falta de tempo e a falta de séries originais me afastaram um pouco dos animes, mantendo uma lista muito pequena (e cada vez menor) de coisas para assistir. Mas mantenho sempre um olho para a lista de lançamentos no Japão, atrás de um novo Haruhi ou Planetes que possa chamar minha atenção a ponto de me fazer baixar viajar toda semana para o Japão atrás de novos episódios.
Michiko to Hatchin é um desses animes que entrou na minha lista de downloads compras logo na primeira olhada no trailer. Realizado pelo estúdio Manglobe, os mesmos criadores de Cowboy Bebop e Samurai Champloo
, Michiko to Hatchin chamou a atenção por um motivo muito claro (e, se você ainda não percebeu, dê uma pausa nos 00:34 do trailer acima): sim, isso mesmo, a série é baseada no Brasil( ou “um país cheio de luz, em um ponto onde a lei não chega”… ), mais especificamente em uma favela típica do Rio de Janeiro! Sim, isso mesmo, Michiko to Hatchin é um anime com ambientação e personagens inspirados no Brasil!
Aqui, cabe um rápido parênteses: quando eu ainda trabalhava com roteiros e discutia com leitores, editores, fãs e afins sobre mangás brasileiros, sempre percebi um grande preconceito com relação ao próprio país, como se os temas, conceitos, personagens e ritmos do país não pudssem gerar uma história boa o ’suficiente’ para ser um anime. E o que temos em Michiko to Hatchin? Exato: Japoneses pegaram tudo o que essa gente dizia que não era legal, e criaram uma série que promete fazer sucesso pelo mundo (basta ver as obras anteriores do estúdio Mangloge pra ter uma idéia da qualidade técnica dos animes que eles criam). Um tapão na cara desses fãs preconceituosos….
Pessoalmente, acho que o Brasil tem muito mais a oferecer culturalmente do que favelas, bandidos e multas gostosas em trajes sumários, mas basta lembrar que esse é justamente a imagem que formou lá fora, graças à grande leva de filmes ‘cabeça’ que trazem justamente… favelas, bandidos e mulatas gostosas. Assim, nada de errado em ver os japoneses retratando o Brasil dessa forma: qual foi a última vez que retratamos corretamente um ‘gringo’ em uma produção nacional?
E se a ambientação, o fusquinha escrito ‘POLÍCIA’ no trailer e a mulata gostosa não são suficientes para mostrar Michiko to Hatchin como um anime inspirado no Brasil, dê uma reparada no final do trailer: Sim, no logo está escrito Michiko e Hatchin, não Michiko to Hatchin (em japonês) ou Michito & Hatchin (padrão internacional). No site oficial, além de outras informações, você também encontra o primeiro trailer, com uma música que é…. um sambinha!
Tsebayoth é o tipo de iniciativa que até poderia ser interessante, mas que foi tão mal executada, tão mal planejada, tão recheada de clichês, lugares-comuns e plágios, que na verdade virou um grande motivo de chacota para qualquer um que se preste a pensar um pouco enquanto assiste o vídeo. Na verdade, em um primeiro momento eu realmente imaginei que se tratava de alguma brincadeira, até descobrir que o negócio não só é sério, como realmente será lançado!
Mas… como fica quando uma série mostrando um super-herói católico apropria-se de idéias, personagens e até músicas pertencentes a terceiros? O “não furtarás” não rola nessas horas? Foi pensando nisso que resolvi comentar rapidamente sobre o achado, mostrar algumas (cof, cof) ‘referências’, dar uma opinião rápida, e deixar o resto a cargo dos leitores. Importante: não faço parte da turma de fãs que defendem que tudo que vem do Japão é sagrado e intocável, portanto não vejo problemas em encontrar uma série brasileira usando conceitos típicos de séries super-sentai. O que me incomoda é ver um grande grupo criando uma SÉRIE que usa sem o menor pudor propriedade de terceiros, e que na pior das hipóteses, pode ser considerado como plágio.
Pra começar, vamos ao vídeo. Assistam, eu vou ali tomar um cafézinho e já volto:
Viram? Então ignoremos por alguns momentos a péssima atuação (atores novos, etc. etc.) e vamos aos fatos:
A música de fundo, pra começar: Não sei se vocês já sacaram, mas o tema é do filme Guerra nas Estrelas. Ôpa. Música sob direitos autorais, eles foram autorizados a usar?
Mais à frente, temos os vilões, os Pecados Capitais. Reparem:
Onde já vi esses caras antes? Hmmmmm…..
Exato, são Nazguls, do Senhor dos Anéis. O líder tem uns chifres na cabeça, mas é só olhar com atenção: cópia. Mais uma vez: foram comprados os direitos, ou usaram o mesmo visual porque ‘acharam legal’?
Mais à frente, temos alguns clichês rápidos, típicos de séries japonesas. Em uma cena, os vilões tentam esmagar o herói com… pedras!
Logo depois, temos o herói com uma… espada laser de fogo!
Mas o melhor ainda está por vir. Reparem no Tsebayoh, o herói principal da história:
Sério. Deêm uma boa olhada. Não se acanhem. Vamos lá, o que lembra? Não mintam, papai do céu não gosta!
Difícil? Deixa eu dar uma ajudinha….
Parecido, né? Agora, reparem na pose dos caras aí de cima. Agora… deêm uma olhada na pose de Tsebayoh, com um Cybercop, lado a lado:
Sério, chega a ser constrangedor. Até a pose é igual.
Então, em menos de dois minutos de vídeo, já temos: música de fundo de Star Wars, Nazguls do Senhor dos Anéis, e o protótipo cor de banana dos Cybercops. Mais uma vez, eu pergunto, compraram os direitos de uso? Ou foram jogando tudo o que vinha na cabeça e parecia ’super-legal’?
Quando me meti a fazer roteiros de histórias em quadrinhos e mangás, volta e meia trocava material com outros autores. Com o tempo, não foi difícil perceber que poucos entendiam a diferença entre ‘inspirar-se’ em algo e ‘plagiar’ algo. OU: Não há problemas em criar um mangá de artes marciais – o problema é resolver criar um mangá de artes marciais que envolve um garoto com rabo de macaco com poderes acima do normal, que descobre ser na verdade um alienígena, e achar que ninguém vai perceber que é plágio. E parece que foi esse o caminho que os produtores de Tsebayoh resolveram seguir.
O que torna isso tudo ainda pior é a origem da série: um grupo católico. Não deveriam ser eles a… sei lá, dar o exemplo de ética para nós?