BoardWalk Empire: gângsters, bebidas e peitos de fora
Com o fim de Lost e 24 Horas (Heroes nem conta mais, mas enfim), a temporada 2010 deixou uma dúvida gigante: haveriam novas séries boas o suficiente para ocupar o espaço deixado por essas que terminaram? Felizmente, a temporada 2010/2011 trouxe boas surpresas, que valem a pena acompanhar. The Event, The Walking Dead e BoardWalk Empire (O Império do Contrabando) já estão nos meus top 10 da temporada, e aproveito para comentar sobre esse último, a única da qual já assisti episódios o suficiente para ter uma boa opinião formada. Não percam, em breve, uma resenha sobre essas outras séries.
Produção da HBO, e mantendo a mesma qualidade que o canal imprime em todas suas produções, BoardWalk Empire chama a atenção pelos diálogos afiadÃssimos, boas interpretações, fotografia excelente e precisão histórica nas roupas e costumes. Uma série para quem quer conhecer uma das fases mais interessantes dos EUA: a proibição da fabricação e consumo de bebidas alcoólicas e o conseqüente contrabando, que enriqueceu vários mafiosos e transformou Al Capone em um nome conhecido. Aliás, como a série foca no começo da proibição, Al aparece aidna como um João Ninguém completametne sem noção, uma sombra do que viria a se tornar. E assim, vamos vendo o crescimendo das máfias em Atlantic City e em outras cidades, bem no começo da Lei Seca, e acompanhando vários personagens que de alguma forma estão envolvidos com o contrabando e em outras situações, como por exemplo o crescimento da KKK, a luta pelo direito do voto feminino, e o fim da primeira guerra.
O seriado foca em Enoch (Nucky) Thompson (baseado em um personagem real), um polÃtico ambicioso que aproveita a Lei Seca para enriquecer e se tornar ainda mais poderoso. Com isso, ele acaba se envolvendo com personagens históricos e levando uma vida tripla (polÃtico corrupto, criminoso sem escrúpulos e figura importante na sociedade). E o que vamos acompanhando é justamente a tentativa de Nucky em tentar equilibrar esses aspectos de sua vida, entre bebidas, festas, sexo e… amores.
- No final, tudo o que eu preciso fazer pra ele ficar comigo é usar isso (abre as pernas)
- Quando eu era criança na Irlanda, um maltrapilho aparecia toda primavera, com um pequeno galo de briga. Ele tocava com o bico, “The Mountains of Mourne” em um piano de brinquedo, pendurado no peito.
- E daÃ?
- No primeiro ano em que ele veio, todas nós, as garotinhas de lá, achamos mágico. No segundo ano, rimos discretamente do velho em seus trapos. E no terceiro ano, nem fomos vê-lo. Porque o galo só sabia tocar “The Mountains of Mourne”.
- O que quer dizer?
- Que a sua x0x0ta não é tão interessante quanto pensa.
Como eu disse, o que torna Bordwalk Empire realmente interessante são o roteiro e os diálogos, e o exemplo acima é uma mostra disso. Por ser uma série da HBO, não há restrições e os personagens fumam, bebem, falam palavrões, transam e andam nús, como fariam normalmente. Nem mesmo a violência é suavizada, como podemos ver em uma cena com Nelson Van Alden, um agente federal que faz qualquer coisa para pegar os contrabandistas de Atlantic City.
Se tudo isso ainda não te convenceu, vale lembrar que o primeiro episódio foi dirigito pelo todo fodão Martin Scorcese, grande conhecido dos fãs de filmes sobre máfia e crimes. E o episódio de estréia teve uma audiência tão grande que a segunda temporada já foi confirmada.

Senhoras e senhors, acreditem em mim quando lhes digo: a série é boa. Eu tenho cara de quem mentiria para vocês?














