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BoardWalk Empire: gângsters, bebidas e peitos de fora

Por , 5 de novembro de 2010 12:21

Com o fim de Lost e 24 Horas (Heroes nem conta mais, mas enfim), a temporada 2010 deixou uma dúvida gigante: haveriam novas séries boas o suficiente para ocupar o espaço deixado por essas que terminaram? Felizmente, a temporada 2010/2011 trouxe boas surpresas, que valem a pena acompanhar. The Event, The Walking Dead e BoardWalk Empire (O Império do Contrabando) já estão nos meus top 10 da temporada, e aproveito para comentar sobre esse último, a única da qual já assisti episódios o suficiente para ter uma boa opinião formada. Não percam, em breve, uma resenha sobre essas outras séries. :)

Produção da HBO, e mantendo a mesma qualidade que o canal imprime em todas suas produções, BoardWalk Empire chama a atenção pelos diálogos afiadíssimos, boas interpretações, fotografia excelente e precisão histórica nas roupas e costumes. Uma série para quem quer conhecer uma das fases mais interessantes dos EUA: a proibição da fabricação e consumo de bebidas alcoólicas e o conseqüente contrabando, que enriqueceu vários mafiosos e transformou Al Capone em um nome conhecido. Aliás, como a série foca no começo da proibição, Al aparece aidna como um João Ninguém completametne sem noção, uma sombra do que viria a se tornar. E assim, vamos vendo o crescimendo das máfias em Atlantic City e em outras cidades, bem no começo da Lei Seca, e acompanhando vários personagens que de alguma forma estão envolvidos com o contrabando e em outras situações, como por exemplo o crescimento da KKK, a luta pelo direito do voto feminino, e o fim da primeira guerra.

Os cenários e a caracterização chamam a atenção. Nem pense em assistir se não for HD

O seriado foca em Enoch (Nucky) Thompson (baseado em um personagem real), um político ambicioso que aproveita a Lei Seca para enriquecer e se tornar ainda mais poderoso. Com isso, ele acaba se envolvendo com personagens históricos e levando uma vida tripla (político corrupto, criminoso sem escrúpulos e figura importante na sociedade). E o que vamos acompanhando é justamente a tentativa de Nucky em tentar equilibrar esses aspectos de sua vida, entre bebidas, festas, sexo e… amores.

- No final, tudo o que eu preciso fazer pra ele ficar comigo é usar isso (abre as pernas)
- Quando eu era criança na Irlanda, um maltrapilho aparecia toda primavera, com um pequeno galo de briga. Ele tocava com o bico, “The Mountains of Mourne” em um piano de brinquedo, pendurado no peito.
- E daí?
- No primeiro ano em que ele veio, todas nós, as garotinhas de lá, achamos mágico. No segundo ano, rimos discretamente do velho em seus trapos. E no terceiro ano, nem fomos vê-lo. Porque o galo só sabia tocar “The Mountains of Mourne”.
- O que quer dizer?
- Que a sua x0x0ta não é tão interessante quanto pensa.

Como eu disse, o que torna Bordwalk Empire realmente interessante são o roteiro e os diálogos, e o exemplo acima é uma mostra disso. Por ser uma série da HBO, não há restrições e os personagens fumam, bebem, falam palavrões, transam e andam nús, como fariam normalmente. Nem mesmo a violência é suavizada, como podemos ver em uma cena com Nelson Van Alden, um agente federal que faz qualquer coisa para pegar os contrabandistas de Atlantic City.

Fumando, o Capone moleque, de várzea.

Se tudo isso ainda não te convenceu, vale lembrar que o primeiro episódio foi dirigito pelo todo fodão Martin Scorcese, grande conhecido dos fãs de filmes sobre máfia e crimes. E o episódio de estréia teve uma audiência tão grande que a segunda temporada já foi confirmada.

Senhoras e senhors, acreditem em mim quando lhes digo: a série é boa. Eu tenho cara de quem mentiria para vocês?

Eu não tenho TV

Por , 21 de setembro de 2010 17:39

Semanas atrás, comprei um monitor/tv da LG. Tava barato, era final de Copa, e a idéia era queimar preço mesmo. Vi o preço, vi se batia no orçamento, comprei. Pela internet, chegou em uns dois dias. “Finalmente terei uma TV em casa, pensei”. Afinal, desde que me mudei para São Paulo, em 2008, eu não morava em algum lugar com televisão. Ou pelo menos não morava onde pudesse assistir TV do jeito que gostava quando criança: jogadão no sofá.

Enfim, comprei, liguei na antena do prédio, e… OK, não era bem isso o que eu estava pensando. Com um pouco de pesquisa e muito papo, consegui um esquema interessante de TV a cabo + internet, e aí pensei “ótimo, mais canais, imagino que agora sim vai ser melhor do que ficar vendo novela”.

Mentira. Mesmo os canais pagos cheios de conteúdo VIP não me agradavam mais. E o motivo é que eu percebi não precisar mais de uma TV em casa. Pelo menos, não uma das convencionais. Eu já havia me acostumado com conteúdo online.

"O filme que quero ver é daqui a duas horas, então vou ficar sentado no sofá zapeando para não perder a hora certa...."

Na verdade, não exatamente “online”. Muitos anos antes da internet e dos computadores em geral terem alguma estrutura para prover vídeos com qualidade e velocidade, eu já consumia conteúdo que não estava disponível na TV: Através dos fansubbers, comprava fitas com séries de anime que dificilmente passariam no Brasil. Ou seja, ainda assistia a vários programas na TV, mas já sabia que não precisava ficar preso àquela caixinha.

Aí foi chegando um computador novo, internet rápida, e um belo dia eu deixei de ver um episódio de Lost que estava passando na Globo porque tinha ido numa festa, ou algo assim. Normalmente eu gravava e assistia no outro dia, mas dessa vez havia esquecido. Foi quando pensei “Ué, e se eu baixar esse episódio pela internet? E se eu aproveitar logo e baixar todo o resto da temporada, mais o que está passando no momento lá fora, e já ficar por dentro da história toda?”. A partir desse momento, a TV havia se tornado para mim apenas um componente extra para o videogame, ou algo para deixar ligado em um programa qualquer enquanto estivesse na frente do computador, fazendo outra coisa. Na teoria, eu não tinha mais que depender dos horários malucos que as emissoras escolhiam para as minhas séries, eu podia assistir quando quisesse.

Em 2008 vim para São Paulo, e TODO meu contato com séries ficou restrito a conteúdo baixado ou DVDs. Durante dois anos, vivi sem ter um aparelho de TV em casa. Eu montava meus horários, definia minhas maratonas, escolhia minhas pausas. Já deixei um filme em pausa no notebook durante uma semana toda, para só voltar a assistir quando tivesse tempo. Já baixei temporadas inteiras e devorei em um feriado, basicamente sem pausas. Não haviam comerciais a cada cinco minutos.

Por isso o choque quando finalmente voltei a ter uma TV. De uma hora para outra, a liberdade que eu havia conquistado evaporou. Na minha cabeça, é complicado entender que eu preciso estar em casa, acordado, e sem nada para fazer, no horário e dia X, para poder assistir a um episódio ou a um filme qualquer. Já me peguei em situações de aproveitar um comercial para arrumar um lanche e perder uns bons minutos do filme. Ou de pensar em dar um pulo até a padaria mas desistir por não poder parar o episódio para ver depois. Ou seja: para mim, a TV convencional é um atraso de vida, justamente por não me dar o direito de escolher quando e o quê quero assistir. Hoje eu posso chegar a hora que quiser em casa, e ainda assim assistir meus programas prediletos.

Nada disso daria para achar zapeando na TV. Pelo menos, não em um horário onde eu possa estar de frente para a TV.

Há outro fator: Muito do conteúdo que consumo não é do tipo que passa na TV, mesmo na paga. Séries de anime, filmes e materiais um pouco mais cult raramente tem espaço nos canais a que temos acesso. Assim, ao optar pelo conteúdo baixado, consigo ter acesso a esse tipo de material. Ou seja, o conteúdo digital é mais diversificado, não se prende apenas aos “campeões de audiência”. Com isso, tenho acesso a materiais que dificilmente teria na TV.

Não termina aí. Hoje a assinatura de um plano de 2MB de internet (que ainda não é o ideal, mas já permite manter uma boa média) sai por algo em torno de R$ 70,00. Uma assinatura de TV a cabo que me traga alguns canais interessantes acaba saindo um pouco mais caro, em torno de R$ 90,00. Lógico, existem os combos internet com tv a cabo, mas jogo por alto e imagino que, mesmo que eu pagasse pelo conteúdo que hoje eu baixo, ainda assim sairia mais em conta. Afinal, eu pagaria um valor pequeno por episódio, e ainda poderia usar a internet para outros fins depois do download.

Durante dois anos, muita gente sempre me olhava de forma estranha quando eu comentava que não tinha TV em casa. Um misto de “Coitado, deve ter se metido com tóxico e vendeu a televisão para comprar crack” e “mas, ué, como então ele fica por dentro das notícias e das coisas que passam na TV?”. Hoje, depois de voltar a ter um desses aparelhos em casa eu percebo que estranho é ficar preso, escravo dos horários que as emissoras me impõem.  Sinceramente, prefiro continuar consumindo conteúdo da maneira como eu fazia antes, pela internet. A TV para mim é algo em extinção, uma tecnologia que não faz mais sentido em um mundo corrido como o nosso.

“Mas, cara, assim você está matando os programas que assiste. Isso é apologia à pirataria”. Não. Como já disse, eu pagaria pelo conteúdo que baixo, desde que fosse um preço justo, e não esses valores que algumas empresas pagam. Lógico, há outras formas de capitalizar em cima de downloads: séries japonesas passam, logo depois da abertura, uma vinheta rápida com logos de vários patrocionadores e agradecendo pela ajuda deles. É eficaz? Não sei, mas para quem baixa é uma forma de ver algumas marcas, mesmo fugindo dos comerciais.

Assim, a importância dos canais na TV vai aos poucos perdendo a força. OK, temos a TV digital, melhor, mais nítida, permite gravar os programas para assistir depois, mas… A que custo mesmo? Voltamos para o ponto da economia. Com isso, resta à TV servir como uma saída para outras mídias: videogames, dvds, bd-players, e até computadores, como no meu caso.

Quero dizer com isso que os canais de TV estão mortos? Não. Ainda vai demorar muito para o modelo de distribuição digital pegar, e mesmo assim, ainda vai haver um público fiel nos programas locais e de notícias. Mas não prevejo um futuro onde as pessoas vão fazer como faziam poucos anos atrás, grudadas na frente da TV e correndo pra chegar em casa antes da novela começar.

(nota: vinha rascunhando esse texto há semanas, e por uma incrível coincidência do destino o Renmero tratou do mesmo assunto em outro blog. Normalmente eu abandonaria a idéia do post, mas nesse caso abro uma exceção. :) )

(E se você acha que só consigo viver de downloads por assistir meia dúzia de séries, dê uma olhada no meu perfil no Orangotag e no MyAnimelist. Detalhe: não tem nem metade cadastrado lá)

Jornada nas Estrelas ao som de Ke$ha

Por , 23 de junho de 2010 10:37

Depois de tomar a internet ao aparecer na abertura de um episódios d’Os Simpsons, a música ‘Tik Tok’ da Ke$ha homenageia outra série: Jornada nas Estrelas. Mais interessante que a montagem, é perceber o quanto esse povo se divertia no espaço: ERA SÓ FESTA em todo episódio!

Saudades de uma infância nérdica…

comentários Comentários desativados
Por , 24 de setembro de 2008 17:11

Semanas atrás, o Kid fez um post gigante listando coisas das quais ele tinha saudade. Me Zillion2interessei pela idéia, já que muito do que ele listava era, de uma certa forma, o mesmo tipo de coisa que me trazia saudades.  Bobagens, coisas pequenas, as quais não davamos muita importância quando moleques, mas que acabam gerando um sentimento de falta, ausência, depois que viramos adultos.

Assim como o Kid, não vejo isso como um reflexo de infelicidade na vida adulta. Ser nerd é jamais deixar de ser criança, jamais deixar de se divertir com aquela série nova ou aquela brinquedinho maneiro. O problema aqui é que muita coisa legal daquela época simplesmente se foi. Quer ver?

  • Tenho saudade das séries animadas dos anos 80
  • Tenho saudade de assistir essas séries (ou ler quadrinhos) sem me preocupar com detalhes como qualidade do roteiro, impacto na cronologia, motivações do autor, etc. Era legal CURTIR as coisas, não ANALISAR as coisas
  • Tenho saudade daquelas tardes bobas, sem nada pra fazer, vendo Karatê Kid na Sessão da Tarde e relendo pelo milionésima vez aquela edição em que o Homem-Aranha pede a Mary Jane em casamento
  • Tenho saudade da época em que podia ficar o dia todo (ou parte dele) jogando no Master System ou no Mega Drive,
  • Aliás, tenho saudade dos jogos simples porém sinceros daquela época. Zillion 2, Alex Kidd in Shinobi World, Ultima IV…..
  • Tenho saudade do tempo em que meu vestuário básico se resumia a bermuda, camiseta velha, chinelo de dedo e revista na mão.
  • Saudade do carinho que só a minha avó paterna tinha comigo.
  • Saudade dos doces, bolos, salgados e tudo o mais que minha vó fazia sempre que eu ia com meu pai visitá-la.
  • Saudade da primeira vez que olhei para uma mulher de modo ‘diferente’ (hm, peitos!)
  • Saudade de quando ainda me dava ao trabalho de escrever cartinhas para o Papai Noel, mesmo sabendo que Papai Noel não existe.
  • Tenho saudade de quando o domingo em casa era um evento: corrida de Fórmula 1 com o Senna, todos em  casa para o almoço e Trapalhões à noite.
  • Saudade do primeiro computador em coloquei a mão, um MSX ligado na TV.
  • Saudade dos meus primeiros algoritmos. Todos feitos no MSX, depois de descobrir que os disquetes com jogos não funcionavam e eu teria uma tarde inteira à toa….
  • Saudade de quando eu e meu primo mais velho acabamos com a energia do bairro depois de tentarmos enviar uma formiga para o futuro, em uma lata de sardinha (cheia de água, conectada à tomada por dois fios vagabundos)
  • Tenho MUITA saudade de poder descer as ruas do meu bairro em altíssima velocidade na minha bicicleta, sem medo de  ser atropelado…
  • Saudade da época em que um tio morou em casa e mandou entregar todas as Super Interessante e Veja lá. Ele NUNCA encontrou uma revista lacrada, já que chegava bem de noite do trabalho. E nunca reclamdou disso…..
  • Saudade das conversas sobre games com os colegas da escola, numa época em que a nossa fonte de informações máxima era a revista Ação Games. Podíamos falar qualquer bobagem (Tartarugas Ninja  VS. Mario, onde o chefão era o Sonic),  e dizer que leu na Ação Games de um amigo. NInguém tinha dinheiro para comprar e comprovar a farsa…
  • Tenho saudade da série original das Tartarugas NInja. Mas do jeito que ela existe na minha cabeça, não me atrevo a assistir de novo.
  • Tenho saudade daquele jogo de fliperama das Tartarugas Ninja.
  • Saudade de assistir Cavaleiros do Zodíaco com a molecada (em termos, 14~16 anos…), e depois ficar comentando o episódio.
  • Saudade de quando eu tinha disposição para ficar dias arrumando minha coleção de revistas. Revista por revista.
  • Tenho saudade da época em que eu me divertia mais configurando o computador pra fazer um jogo rodar, do que com o jogo em si.
  • Saudade de quando eu achava legal passar a madrugada mexendo no Linux, só pra fazê-lo FUNCIONAR.
  • Muita saudade de quando minha mãe fazia pizza caseira.
  • Ainda mais saudade de todas as táticas ninja sorrateiras que desenvolvi ao longo do tempo para pegar as sobras da pizza enquanto todos dormiam.
  • Saudade das festinhas na escola.
  • Saudade de Zillion. Zillion era foda.
  • Muita saudade de uma época sem patrulha politicamente correta.
  • Saudade de brincadeiras típicas de escola: pega-pega, esconde-esconde, bafo, jogar alguém dentro do banheiro feminino, etc.
  • Saudade de quando eu dizia que era bandido no pega-pega, só pra descobrir onde todos estavam e fazer uma prisão geral (sim, eu era um policial disfarçado…).
  • Saudade de quando desmontar algo e remontar dava uma emoção sem igual.
  • Saudade de Ultraman e Spectroman.
  • Saudade de quando eu ligava (a cobrar) pro hotline da Tectoy.
  • Saudade de me gabar pra TODOS os moleques da escola por ter passado dicas de jogos pro hotline da TecToy
  • Tenho saudade de várias conversas do ICQ
  • Tenho saudade de quando fazia roteiros.
  • Muita saudade de quando todo mundo te achava O cara por ser capaz de baixar música pela internet.
  • Saudade de quando conectar na internet significava rezar para os pais não aparecem do nada, e nem tentarem me ligar e ver que a linha estava ocupada.
  • Saudade de Full Throtle, numa época em que o GameFAQs NÃO era minha primeira saída quando travava numa fase.
  • Tenho saudade da minha primeira Home Page. No Geocities.
  • Saudade da época em que uma das melhores formas de conseguir visitas eram as Webrings.
  • Saudade das semanas que passei jogando Ultima IV e com o dicionário Inglês / Português do lado.
  • Saudade de quando eu ficava na praça, tomando chuva na cara, só pela diversão.
  • Saudade das brincadeiras que inventava para passar o tempo enquanto chovia mais forte e eu não podia sair de casa nem ligar o videogame. Até hoje meus pais não conseguiram entender como aquela régua foi parar na casa de maribondos do telhado;…..

E vocês? Têm saudade doquê?

Tsebayoth – A idéia foi boa, a execução é que pegou

Por , 21 de agosto de 2008 21:04

Tsebayoth é o tipo de iniciativa que até poderia ser interessante, mas que foi tão mal executada, tão mal planejada, tão recheada de clichês, lugares-comuns e plágios, que na verdade virou um grande motivo de chacota para qualquer um que se preste a pensar um pouco enquanto assiste o vídeo. Na verdade, em um primeiro momento eu realmente imaginei que se tratava de alguma brincadeira, até descobrir que o negócio não só é sério, como realmente será lançado!

Mas… como fica quando uma série mostrando um super-herói[bb] católico apropria-se de idéias, personagens e até músicas pertencentes a terceiros? O “não furtarás” não rola nessas horas? Foi pensando nisso que resolvi comentar rapidamente sobre o achado, mostrar algumas (cof, cof) ‘referências’, dar uma opinião rápida, e deixar o resto a cargo dos leitores. Importante: não faço parte da turma de fãs que defendem que tudo que vem do Japão é sagrado e intocável, portanto não vejo problemas em encontrar uma série brasileira usando conceitos típicos de séries super-sentai. O que me incomoda é ver um grande grupo criando uma SÉRIE que usa sem o menor pudor propriedade de terceiros, e que na pior das hipóteses, pode ser considerado como plágio.

Pra começar, vamos ao vídeo. Assistam, eu vou ali tomar um cafézinho e já volto:

Viram? Então ignoremos por alguns momentos a péssima atuação (atores novos, etc. etc.) e vamos aos fatos:

A música de fundo, pra começar: Não sei se vocês já sacaram, mas o tema é do filme Guerra nas Estrelas[bb]. Ôpa. Música sob direitos autorais, eles foram autorizados a usar?

Mais à frente, temos os vilões, os Pecados Capitais. Reparem:

Encontrem o um anel

Onde já vi esses caras antes? Hmmmmm…..

Exato, são Nazguls, do Senhor dos Anéis[bb]. O líder tem uns chifres na cabeça, mas é só olhar com atenção: cópia. Mais uma vez: foram comprados os direitos, ou usaram o mesmo visual porque ‘acharam legal’?

Mais à frente, temos alguns clichês rápidos, típicos de séries japonesas. Em uma cena, os vilões tentam esmagar o herói com… pedras!

Esqueçam, não funciona desde o Spielvan.....

Logo depois, temos o herói com uma… espada laser de fogo!

Espadium Laser!

Mas o melhor ainda está por vir. Reparem no Tsebayoh, o herói principal da história:

Sério. Deêm uma boa olhada. Não se acanhem. Vamos lá, o que lembra? Não mintam, papai do céu não gosta!

Difícil? Deixa eu dar uma ajudinha….

Parecido, né? Agora, reparem na pose dos caras aí de cima. Agora… deêm uma olhada na pose de Tsebayoh, com um Cybercop, lado a lado:

Sério, chega a ser constrangedor. Até a pose é igual.

Então, em menos de dois minutos de vídeo, já temos: música de fundo de Star Wars, Nazguls do Senhor dos Anéis, e o protótipo cor de banana dos Cybercops. Mais uma vez, eu pergunto, compraram os direitos de uso? Ou foram jogando tudo o que vinha na cabeça e parecia ‘super-legal’?

Quando me meti a fazer roteiros de histórias em quadrinhos e mangás, volta e meia trocava material com outros autores. Com o tempo, não foi difícil perceber que poucos entendiam a diferença entre ‘inspirar-se’ em algo e ‘plagiar’ algo. OU: Não há problemas em criar um mangá de artes marciais – o problema é resolver criar um mangá de artes marciais que envolve um garoto com rabo de macaco com poderes acima do normal, que descobre ser na verdade um alienígena, e achar que ninguém vai perceber que é plágio. E parece que foi esse o caminho que os produtores de Tsebayoh resolveram seguir.

O que torna isso tudo ainda pior é a origem da série: um grupo católico. Não deveriam ser eles a… sei lá, dar o exemplo de ética para nós?

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