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Meu dia de Daigo

Por , 20 de janeiro de 2010 13:06

Provavelmente todo mundo (OK, todo mundo que tenha acesso à internet e goste de jogos de luta…) já conhece o vídeo do EVO 2004, num campeonato de Street Fighter III, onde Daigo, jogando com o Ken, fazia algo próximo ao impossível e entrava para a história. Abaixo, reproduzo o momento, para os que ainda não viram ou já tenham se esquecido:

O que poucos provavelmente sabem é que na minha vida de gamer-nerd-otaku já tive meu momento Daigo, ocorrido provavelmente em 2003 (ou 2004?), junto a alguns dos meus melhores amigos. Como infelizmente não há qualquer registro histórico que comprove esse fato, peço a todos que leiam o relato abaixo (que já estava salvo como rascunho há MESES no meu blog) e apenas acreditem na minha palavra. Acreditem, dificilmente vocês poderão citar outro mommento mais épico do que esse….

Enfim… Desde 2000, era praxe que eu e alguns amigos (que eu conheci principalmente pela internet ou através de fanzines) nos reuníssemos uma casa vazia (dos tios de um dos caras da turma) durante pelo menos quatro dias do ano, para participarmos de um Animecon ou AnimeFriends da vida. A idéia era boa: os donos da casa não cobravam nada pela estadia, a casa era muito perto da estação de trem de Osasco (o que garantia que só precisássemos fazer um número X de baldeações trem-metrô para podermos ir e voltar dos eventos), sempre havia um PlayStation 0u um Sega Saturn para ser jogado e as partidas de RPG costumavam varar a noite.

Era uma turminha bem legal, e como na época eu trabalhava/fazia bicos/estudava na faculdade, esses poucos dias eram praticamente o que me faziam continuar vivendo sem surtar e começar a atirar em todos do alto de uma torre. Nesse aspecto, a humanidade deve muito à Pensão Alberto (como apelidamos a casa).

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Hachiko: A história que deu origem a “Sempre ao seu lado”

Por , 24 de dezembro de 2009 1:41

Ahachiko_bratenção: Esse texto possui spoilers, ou seja, cita acontecimentos e fatos que podem estragar a graça do filme. O que é bem estranho, já que a própria sinopse do filme já diz o que vai acontecer E a história real pode ser lida em vários lugares diferentes. De qualquer forma, aviso dado…

Dia desses, dando uma olhada nos filmes que seriam lançados durante as féris de verão, acabei me deparando com a sinopse de “Sempre ao seu lado“, filme com Richard Gere que mostra a história de lealdade entre um cão e seu dono, lealdade que transcende até a morte.

Não demorou muito, e acabei puxando nos arquivos da memória uma história muito parecida com a de “Sempre ao seu lado”: A história do cão Hachiko, famosa no Japão e no mundo todo. Uma busca rápida nas Wikipedias e IMDbs da vida, e minhas suspeitas se confirmaram: “Sempre ao seu lado” é uma refilmagem de “Hachikô monogatari”, um filme japonês de 1987, que conta a emocionante história de Hidesaburo Ueno e seu cão, Hachiko.

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Mas o que faz essa história ser tão bela, a ponto de ter virado uma refilmagem na mão dos americanos? O título de um artigo publicado no jornal Asahi Shinbum de 4 de Outubro dá a resposta “Velho e fiel cão espera pela volta do dono por dez anos”.

Voltando um pouco para entender melhor: Hachiko nasceu em novembro de 1923, e logo foi enviado para a casa de Hidesaburo em Shibuya, que sempre sonhou em ter um cão da shot0003raca Akita. Aos poucos, a amizade e o amor entre o cão e o dono foram crescendo, a ponto de Hachi sempre acompanhar Hidesaburo (que era professor do Departamento Agrícola da Universidade de Tóquio) até a estação de trem. O que é interessante na história é que Hachi tinha uma espécie de ‘relógio interno’, e era capaz de ir sozinho até a estação de trem por volta das 15h para esperar o dono, voltando os dois para casa juntos. Isso, fizesse chuva, sol ou neve.

Infelizmente, em maio de 1925 Hidesaburo veio a falecer enquanto estava na faculdade, e jamais retornou para a estação de trem.

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(Nesse momento, o filme de 1987 tem um dos momentos mais comoventes, quando Hachi entra na casa durante o velório do dono e começa a uivar, e logo depois, quando acompanha o carro que levava o corpo).

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Hachi, já nas últimas

A partir daí a história ‘oficial’ e o filme original diferem um pouco. A história diz que parentes e amigos dos Ueno passaram a cuidar de Hachi. Já o filme mostra que o cão acabou se transformando em uma espécie de ‘estorvo’, uma triste lembrança para toda a família.

De qualquer forma, onde quer que estivesse, Hachi sempre dava um jeito de fugir e aparecer na casa antiga dos Ueno, e na estação de trem pela manhã e no final da tarde, na esperança de reencontrar seu dono. Sua figura constante tornou-se famosa no local, onde vendedores locais e antigos amigos de Hidesaburo levavam comida e água para Hachi. Era o máximo que eles podiam fazer pelo cão que sempre esperava pelo dono que nunca voltaria.

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E isso durou por longos 10 anos. Em 1932 a história de Hachiko ganhou as páginas dos jornais japoneses, e a história do cão da raca Akita que era leal ao dono até após a morte do mesmo fez até mesmo com que a raça de cães (que estava entrando em extinção, com pouco menos de 30 animais dessa raça vivos) virassse uma febre no Japão, como exemplo de cão leal e amistoso. Em 1934 Hachiko ganhou uma estátua de bronze (que foi destruída pelos japoneses na Segunda Guerra), e em 1948 ganhou uma nova estátua, que permanece até hoje na estação de Shibuya.

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Em 1935, Hachiko finalmente morreu, próximo à estação de trem, ainda esperando pelo seu dono. Aqui, o filme original toma uma grande liberdade poética, e mostra Hachiko e seu dono finalmente se reencontrando. Na vida real, todo dia 8 de Abril é realizada uma cerimônia solene na estação de trem, em homenagem à história do cão leal.

O filme original não é fácil de ser encontrado para venda, mas procurando no Google é possível achar versões para download, assim como as legendas. Vendo o trailer de “Sempre ao seu lado” é possível perceber que, apesar de várias adaptações e alterações na história original, o cerne da relação entre o dono e seu cão estão lá. Ainda não vi o filme, mas o que espero é que ele faça juz à Hachiko. Essa história pode até não ter tido um final feliz, mas é uma das mais belas histórias reais conhecidas.

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Dono e cão tomam banho juntos...

Drops rápido de retorno às atividades

Por , 25 de março de 2009 12:37

Você sabe que está com sérios problemas quando precisa se explicar para os leitores sobre a falta de atualizações no blog…

Eu poderia dar milhões de explicações diferentes, mas resumidamente o que rolou foi um perrengue danado envolvendo a necessidade de me mudar, a corrida desesperada atrás de uma nova moradia e alguns freelas que demandavam urgência. Felizmente já está (quase) tudo acertado, principalmente graças à ajuda vital da minha namorada, que sacrificou várias horas de sono lendo classificados, e muita sola de sapato indo visitar apartamentos quando eu simplesmente não podia ir pessoalmente ao local. Palmas pra mulé, e pra minha irmã, que, ao estilo dos bons e velhos animes clichezentos, chegou na última hora possível e gritou “Moero! GuraveHaato-chan!”, permitindo que eu conseguisse vencer a etapa final da burocracia locatária. :D

E, voltando à programação normal… mini posts que ficaram parados pela falta de tempo, e que perderam o direito de virar posts de verdade:

- Dia 30/03 é o dia de estar falando como operador de telemarketing, dia criado no ano passado para estar rindo dos vícios de linguagem (e atendimento) dos serviços de telemarketing. Estejam participando, é de graça e vocês ainda terão direito a muitas risadas durante um período de seis meses, sem qualquer custo adicional! :P

- Sim, o Twitter saiu na capa da Época, e o #mimimi já começou, milhares de usuários preocupadíssimos de que o serviço “deles” virará um novo Orkut. Notícia procês: Twitter != Orkut. No Orkut você não pode escolher facilmente o que lê ou recebe. No twitter, você escolhe o que quer ver. E, se alguém te incomoda, é só bloquear. “Ah, mas serão MILHÕES de usuários utilizando O MEU SISTEMA e fazendo o Twitter baleiar! Isso NÃO PODE acontecer!” – Na boa? Acordem! Para um serviço do porte do Twitter, que está aos poucos mudando a forma de se informar (e de se manter informado) na internet, é obrigação deles garantir que o sistema funcione, mesmo que a base de usuários aumente em alguns milhares de usuários. Deixem de ser elitistas, faz favor. :)

- Ainda sobre a popularização do Twitter: O FoxTrot fez uma tirinha mágica sobre as vantagens de ter uma mãe que usa o twitter. Obrigatório.

- Falando em imagens, encontrei essas duas pequenas pérolas sobre Calvin & Haroldo que me achou a atenção. Poéticas ao extremo:

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Infelizmente desconheço o autor das duas imagens. Se alguém souber, fico agradecido. :)

- Ainda sobre nostalgia, semanas atrás realizei um antigo sonho e consegui migrar parte do meu antigo (mesmo, coisa de 2002, 2003) site sobre mangás, o AnimePoint. Infelizmente, o backup que encontrei não continha todos os textos, mas foi uma felicidade poder recuperar essas informações que tanto me deram relevância na meritocracia informal do mercado editorial brasileiro anos atrás. Você pode conferir os posts na categoria AnimePoint. :)

- Aproveitei uns cinco minutos vagos na semana passada e criei o Instant Alborghetti – Ainda está alfa, mas vale a pena mandar pros amigos chatos ou acessar quando te mandam uma tarefa em cima do prazo final…

- A minha oficina no Campus Party foi boa, pude falar para várias pessoas, tanto entusiastas quanto empresários sobre as melhores ferramentas para criar blogs, e como administrá-los. Apesar do tempo corrido (1 hora é muito pouco para REALMENTE falar de boas ferramentas para blogs) a oficina foi bem elogiada, apesar da minha timidez e nervosismos gritantes. Para quem perdeu a oficina (e um amigo), a apresentação pode ser vista no SlideShare:

- Com a crise, os gastos com a mudança e o aumento na minha relevância blablabla, resolvi abraçar meu lado capitalista safado sem-vergonha anti-ético de vez, e começar a usar não uma, mas DUAS lojas virtuais: A boo-shop e a lojinha do Graveheart, montada a partir do script do Secundum.

- Hajime no Ippo – New Challenger tá melhor que a vida. Ponto.

Na Paulista

Por , 18 de fevereiro de 2009 12:19

Final de tarde, resolvo dar um pulo na Av. Paulista, ver um apartamento e procurar outros.

  • Logo no começo, um senhor parece passar mal. Deita no chão e aperta o peito. Poucos param pra ajudar; Alguns, param pra ver. A maioria passa reto, como se nada estivesse acontecendo. Alguém liga pra emergência, outro alguém de uma loja vai ajudar. Eu vejo que não tenho mais o fazer lá, e continuo andando;
  • Mais um pouco, perto do Trianon, várias pessoas querendo atravessar uma rua, de ambos os lados. O sinal abre, e um executivo ao meu lado esbarra em um rapaz humilde que levava nas mãos uma bola de futebol e chuteiras. O esbarrão é forte o suficiente para derrubar tudo o que o rapaz carregava, mas o executivo nem mesmo olha para trás, ou pede desculpas. Deixa a impressão de que para ele aquele rapaz era um inseto, insignificante. Talvez seja;
  • Ando mais, e próximo da entrada do Trianon-Masp dois garotos de bicicleta quase atropelam um senhor de prováveis oitenta anos, empurrando-o e parando na esquina, já que o semáforo estava fechada. Enquanto o semáforo não abre, o senhor alcança os garotos, e vai tirar satisfações, dando um tapa nas costas de um deles. O garoto grita que está sendo agredido, empurra o senhor com tudo, e quando eu resolvo intervir, o sinal abre e eles saem correndo, rindo. Novamente, poucos ajudaram, muitos ficaram olhando, a maioria seguiu reta, sem olhar para os lados;
  • Faço minhas buscas. No final, cansado, paro em frente ao novo Stand Center e peço um sorvete. Do meu lado, uma senhora vendendo dvds piratas fala para o filho de aparentes 10 anos que está indo embora, e pede para ele não deixar ninguém roubar nada. Pouco antes de entrar nas escadarias para o metrô, ela ainda grita “E se a polícia vier, pega tudo aí e corre!”. Não me lembro de ter ouvido um “toma cuidado, mamãe te ama”, ou coisa que o valha;

São Paulo é assim, tem essa incrível capacidade de pegar as pessoas, transformá-las em seres sem qualquer consciência do que acontece em volta delas. O próximo não importa, importa se eu consigo chegar em casa antes do jornal. Importa se consigo pegar o ônibus vazio. Pra quem é de fora, é estranho esse sentimento paulistano de não se importar com o coletivo.

Voltei para casa com o cérebro no automático. Só consegui pensar em escrever esse estranho relato, e logo depois tentar descansar, para que as visões que eu tive em um mero final de tarde não ficassem para sempre presas na minha memória.

É dificil terminar um post-desabafo como esse sem a citação nerd-obscura obrigatória em todos os meus posts. Mas depois de pensar bastante, só consegui chegar a uma citação: Xehanort venceu.  :(

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