Na Paulista
Final de tarde, resolvo dar um pulo na Av. Paulista, ver um apartamento e procurar outros.
- Logo no começo, um senhor parece passar mal. Deita no chão e aperta o peito. Poucos param pra ajudar; Alguns, param pra ver. A maioria passa reto, como se nada estivesse acontecendo. Alguém liga pra emergência, outro alguém de uma loja vai ajudar. Eu vejo que não tenho mais o fazer lá, e continuo andando;
- Mais um pouco, perto do Trianon, várias pessoas querendo atravessar uma rua, de ambos os lados. O sinal abre, e um executivo ao meu lado esbarra em um rapaz humilde que levava nas mãos uma bola de futebol e chuteiras. O esbarrão é forte o suficiente para derrubar tudo o que o rapaz carregava, mas o executivo nem mesmo olha para trás, ou pede desculpas. Deixa a impressão de que para ele aquele rapaz era um inseto, insignificante. Talvez seja;
- Ando mais, e próximo da entrada do Trianon-Masp dois garotos de bicicleta quase atropelam um senhor de prováveis oitenta anos, empurrando-o e parando na esquina, já que o semáforo estava fechada. Enquanto o semáforo não abre, o senhor alcança os garotos, e vai tirar satisfações, dando um tapa nas costas de um deles. O garoto grita que está sendo agredido, empurra o senhor com tudo, e quando eu resolvo intervir, o sinal abre e eles saem correndo, rindo. Novamente, poucos ajudaram, muitos ficaram olhando, a maioria seguiu reta, sem olhar para os lados;
- Faço minhas buscas. No final, cansado, paro em frente ao novo Stand Center e peço um sorvete. Do meu lado, uma senhora vendendo dvds piratas fala para o filho de aparentes 10 anos que está indo embora, e pede para ele não deixar ninguém roubar nada. Pouco antes de entrar nas escadarias para o metrô, ela ainda grita “E se a polícia vier, pega tudo aí e corre!”. Não me lembro de ter ouvido um “toma cuidado, mamãe te ama”, ou coisa que o valha;
São Paulo é assim, tem essa incrível capacidade de pegar as pessoas, transformá-las em seres sem qualquer consciência do que acontece em volta delas. O próximo não importa, importa se eu consigo chegar em casa antes do jornal. Importa se consigo pegar o ônibus vazio. Pra quem é de fora, é estranho esse sentimento paulistano de não se importar com o coletivo.
Voltei para casa com o cérebro no automático. Só consegui pensar em escrever esse estranho relato, e logo depois tentar descansar, para que as visões que eu tive em um mero final de tarde não ficassem para sempre presas na minha memória.
É dificil terminar um post-desabafo como esse sem a citação nerd-obscura obrigatória em todos os meus posts. Mas depois de pensar bastante, só consegui chegar a uma citação: Xehanort venceu.

É por isso que eu tenho medo dessa metrópole.
Acredite, não é só aí em SP. Aqui no Rio também é uma barbaridade, e acabamos virando esses seres robóticos q dominarão a Terra em 2050 ‘.’
Seu post me fez refletir…
Beijos ;*
É a dura realidade da cidade de pedra. Diferente da pequena cidade onde moro, mas com as chances que aqui nunca teremos.
É o duro teor da realidade que vivemos.
Quando você junta muita gente em pouco espaço e rifa as condições mínimas de forma que só poucos conseguirão, você ganha rancor de um lado e uma indiferença quase desesperada do outro.
Mas tem solução. Mais que uma, até, se considerarmos a possibilidade de extermínio em massa…
Não concordo que o Rio seja igual São Paulo com a Juuh falou.
Aqui há violência do tráfico e assaltos, mas temos o senso de coletivo, o que é completamente diferente.
Continua sendo a melhor cidade
, a violencia em SP é bem mais controlada que o RJ.. afinal, nao morrem jornalistas todos os tempos auhauhuha como yo!
Vou ignorar este texto realisticamente estranho e vou apenas perguntar: “novo stand center” como assim? onde? quando?
Abração
Dude, a verdade é essa no mundo. São Paulo, Rio de Janeiro, em outros países, não importa. O capitalismo tomou grande parte de nossos soldados e nossas bases. Mas ainda há como resistir. Se você, eu e todos os que se incomodaram com esse post e com o que acontece a sua volta, o mundo será um local melhor para elas e quem for ajudar por elas. Eu tento fazer isso no meu dia a dia =)
Não julgue a cidade toda pela Avenida Paulista. Eu sempre morei em São Paulo e aquela região ainda me é completamente estranha, não parece fazer parte da cidade que conheço.
Te digo que, sendo de fora, já observei isso por aqui. As pessoas andam tão preocupadas com a correria diária e consigo mesmas que não observam outras pessoas, quiça o mundo ao redor.
Mas te digo também que fui super abraçada nessa cidade e é sobre isso que pretendo falar em breve.
São Paulo te oferece um mix de sensações, por ora frieza, noutros momentos o abraço. É fácil se sentir só por aqui, mas também é possível se permitir e deixar que o mundo ao redor te abrace, mesmo que no fundo ele esteja cagando e andando pra você.
Sei lá, parece uma questão de estado de espírito…
Vou refletir mais um pouco.
http://is.gd/sgry – Na Paulista (by @adbird)
Parabéns pelo texto. Não é só em São Paulo que isto acontece. Estava voltando para casa num taxi e vi uma mulher caindo no chão. Ninguém foi acudir.
Seres humanos? Tenho minhas dúvidas…