Os mistérios de Holy Avenger 26

Por , 30 de janeiro de 2002 15:45


Não há nada de errado com sua revista, não tente vira-la ou torce-la.
Marcelo Cassaro e Erica Awano agora tem o controle dela. Eles podem enrola-lo
por mais uma centena de edições, ou de repente arrasta-lo em uma torrente de
revelações e acontecimentos. Eles têm o controle sobre o número de páginas,
sobre a distribuição dos quadros …

Entenda essa lenga-lenga clicando em Leia Mais

Essa introdução à resenha foi uma pequena homenagem ao seriado
“Quinta Dimensão” ( Outer Limits ), cuja segunda versão e o
arrepiante tema podem ser conferidos às 17:00h, de segunda a sexta no canal a
cabo MGM. Nos moldes de “Além da Imaginação”, essa série aborda
mistérios insondáveis e sobrenaturais, mas sempre om uma explicação pseudo
científica.

Mas é óbvio que isso não é de graça, e que há algo por trás da escolha
dessa série para falar desse número de Holy Avenger. O principal é que Holy
Avenger continua um mistério em mais de um sentido, insondável, e sem
explicação na pseudo crítica. A série seria uma fantasia medieval com
tendências épicas, e nesse número temos aquilo que poderia ser o melhor e
maior combate da série. O encontro entre Mestre Arsenal e O Paladino no campo
de batalha. Mas como esse combate se resolve? Em 10 páginas, de uma maneira
pouco épica e não muito clara, e com nenhum quadro ( minto, com apenas um ) em
que se mostre de fato os dois maiores guerreiros de um universo se degladiando.

Então … como é que a edição pode ser boa? Por que é que um combate
esperado a pelo menos três anos e que teve um tratamento desses funciona? Eu
confesso que não entendo. A condução de Holy Avenger esta deixando de ser o
simples ato de contar uma história,para se transformar em equilibrismo por
parte do roteirista. Em cima do roteiro de Holy Avenger, se equilibra todo um
esforço de Marcelo Cassaro para consolidar uma espécie de mitologia de Arton,
mostrando e tentando encaixar diferentes fatos de diferentes momentos de Arton,
alguns até anteriores a Arton, como a demônio que o Paladino salvou certa vez
a incontáveis edições anteriores da Dragão Brasil e o Mestre Arsenal, o mais
velho personagem da história, já com seis ou sete anos, creio eu.

“Quinta Dimensão”, ou ao menos sua versão mais recente, possui
capitulos assim, capitulos onde diversas histórias sem ligação são unidas
para formar um quadro maior, quase mitológico, e tais capitulos só conhecem
duas graduações. Excelentes, ou péssimos. Se funcionam, demonstram toda a
inteligência de seu autor em criar a partir de elementos dispersos. Se não,
soam como oportunismo barato, mesmo que não seja o caso. O roteiro de Holy vai
se equlibrando bem entre essas duas intensidades, por hora, mas é provável que
no ritimo que andam as coisas, só possamos avaliar a qualidade dessa série ao
seu final.

Sobre o desenho da senhorita Awano, esse é outro mistério. Em definitivo,
ele não seria a decisão mais lógica ao se fazer uma série como Holy Avenger.
Em uma das cenas entre Arsenal e o Paladino, uma amiga espiou por cima do meu
ombro e disparou “Ai que fofinho!”, quando o que se esperaria ouvir
seria um “Oh!”, ou algo próximo, sei lá … Mas enfim, apoiuado na
competência da desenhista, o desenho de Erica funcionou, e não há como
imaginar Holy Avenger sem ela …

Haverá solução para esse mistério … por que gosto tanto de Holy
Avenger?

Marcus Winicius, There is nothing wrong with your television, do not attempt
to adjust the picture. We are now controling the transmission

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